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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Morya comemora 65 anos de olho no futuro

O empresário e publicitário Cláudio Carvalho, dono da agência Morya, que completa 65 anos em 2021, acredita que a pandemia da Covid-19 impôs um novo modelo de trabalho


Há 65 anos, todo o comércio de Salvador era de rua e pouco espaço havia para a publicidade. Foi nesse contexto desafiador que surgiu a primeira agência de publicidade da Bahia, a Publivendas, fundada por Otávio Carvalho. Batizada de Morya muitos anos depois, a empresa hoje é comandada pelo sobrinho do fundador, o empresário e publicitário Cláudio Carvalho, que narra o caminho trilhado pela agência ao longo dessas seis décadas e meia. “Naquela época não tinha shopping, o comércio era de rua, e ele conta que os comerciantes penduravam os cartazes nas entradas das lojas com frases 'não damos esmolas e não fazemos reclames' - porque antigamente publicidade era reclame. Para você ver o nível de desbravamento que era necessário naquela época. Foi um trabalho de plantar, não só para Publivendas na época, mas para a atividade como um todo o conceito e a relevância da publicidade, conta, em entrevista à Tribuna. De acordo com Cláudio, o segredo do sucesso foi enxergar a comunicação com outros olhos, mantendo a capacidade de sempre se reinventar. “O nosso fundamento para esse movimento foi enxergar a comunicação com outros olhos. Quando nós fizemos a mudança do nome, a empresa estava perto dos seus 50 anos. Era como se a gente estivesse apontando a empresa para os próximos 50. Alinhados e gratos ao guarda-chuva do nome Pulivendas, trazendo os mesmos valores. O CNPJ inclusive é o mesmo há mais de 50 anos”, diz. Na entrevista, Cláudio analisa as mudanças do mercado publicitário baiano, as carências e também os desafios impostos pela tecnologia e pela pandemia do novo coronavírus. 

Tribuna da Bahia -  Uma mesa, duas cadeiras, uma salinha no edifício São Bento e em 10 de julho de 1956 nascia a Publivendas, a primeira agência de publicidade da Bahia, fruto do idealismo de seu tio, Otavio Carvalho, que logo se tornou uma referência na publicidade da Bahia, ganhando uma expressão ainda maior a partir de 64, quando seu pai, Fernando Carvalho ingressou na empresa. Você ainda era um projeto para o saudoso Fernando Carvalho, mas nos conte algumas dessas histórias que Fernando te contou.... 

Cláudio Carvalho - O fundador da nossa empresa, em julho de 1956, foi Otávio Carvalho. Meu tio e padrinho. A nossa atividade hoje é ainda uma atividade que a gente precisa ter uma capacidade de convencimento da sua relevância e da sua importância. Agora, você imagine isso há 65 anos atrás. Tio Otávio conta uma história fantástica. Naquela época não tinha shopping, o comércio era de rua, e ele conta que os comerciantes penduravam os cartazes nas entradas das lojas com frases 'não damos esmolas e não fazemos reclames' - porque antigamente publicidade era reclame. Para você ver o nível de desbravamento que era necessário naquela época. Foi um trabalho de plantar, não só para Publivendas na época, mas para a atividade como um todo o conceito e a relevância da publicidade. Meu pai, logo na sequência, assumiu a liderança da empresa e liderou durante esse tempo todo. Meu pai tinha práticas que são integradas à nossa empresa. Esse DNA de Fernando Carvalho está registrado na nossa cultura. Meu pai era um homem de fé, de trabalho. Fazia todo final de ano um cartão para cada um dos nossos funcionários da nossa equipe, seja do menor ao melhor salário, e dizia 'o pouco com Deus é muito' e mandava uma nota que hoje é de 100 reais. E mandava para todos. Essa tradição, esse traço, essa demonstração de crença e de fé a gente repete até hoje. Dei sequência a essa tradição. Meu pai também tinha uma frase fantástica, fruto da experiência dele, de que 'nenhuma agência é pior do que seu cliente, é igual'. Então, não é possível que se faça um trabalho de comunicação bem sucedido se não houver uma integração entre a agência e o cliente. 

Tribuna da Bahia -   No que a ainda Publivendas se diferenciou da concorrência para se tornar uma das maiores agências da Bahia? 

Cláudio Carvalho - Não tenho dúvidas que o trabalho, a credibilidade e o compromisso com os resultados para nossos clientes. Então isso construiu na história nossa uma relação sólida e duradoura com nossos clientes, mercado e equipe. Na nossa trajetória, em vários momentos, esteve presente a capacidade de se transformar e evoluir. Se adaptar aos novos momentos, cada um em seu tempo. É um pouco Darwin, sobrevive quem tem a capacidade de se adaptar. Isso foi o traço permanente. Em 65 anos é a demonstração dessa capacidade de se transformar e evoluir. Essas são para mim as características mais marcantes da nossa empresa. 

Tribuna da Bahia -   Com Fernando na presidência, a partir da década de 70, a Publivendas ganhou uma energia diferente. A partir de quando você começou a viver essa que, imagino, será sua segunda casa? 

Cláudio Carvalho - Quando eu tinha 19 anos. Lá se vão 35 anos em que estive presente ativamente. A verdade é que eu nasci nisso. É a minha segunda casa. Fui criado nesse ambiente da publicidade, da agência e da atuação de meu pai. Foi a minha escola. Me lembro de que, inclusive, quando tive a oportunidade de ganhar o prêmio de Publicitário do Ano, fizemos um anúncio nosso com uma foto minha de quando tinha 5 anos. E o anúncio dizia 'publicitário do ano quando era apenas estagiário'. Isso reflete um pouco do que estou lhe dizendo, uma vivência desde sempre. 

Tribuna da Bahia -   Ousadia rima com Morya. Mera coincidência? De onde veio a coragem para renunciar a uma marca tão forte e virar Morya? No que vocês miraram com essa mudança? Um novo século, uma nova era? 

Cláudio Carvalho - Perfeitamente. O nosso fundamento para esse movimento foi enxergar a comunicação com outros olhos. Quando nós fizemos a mudança do nome, a empresa estava perto dos seus 50 anos. Era como se a gente estivesse apontando a empresa para os próximos 50. Alinhados e gratos ao guarda-chuva do nome Pulivendas, trazendo os mesmos valores. O CNPJ inclusive é o mesmo há mais de 50 anos. Felizmente conseguimos fazer uma boa transição, mantendo os nossos valores e forma de fazer, mas apontando para um momento na frente. Esse foi o sinal que a gente quis dar quando fizemos esse movimento. Foi uma inquietação em busca de apontar e se apontar para o futuro e o novo. 

Tribuna da Bahia -   Aos 65 anos, a Morya esbanja talento. Quais os grandes desafios que a publicidade moderna enfrenta? 

Cláudio Carvalho - Acho que a gente tem o desafio, como todo negócio, de ser cada vez mais relevante seja para os nossos clientes, como também para a comunidade que a gente atua. Tendo como essência a criatividade. A criatividade é um ativo que não é 'googlável'. Não é um padrão, um formato. É o exercício do talento de uma equipe de profissionais em volta de questões objetivas, metas, informações e tecnologia. A base da criatividade é a essência do nosso negócio. A Bahia é diferente de outros lugares, porque nossa terra transpira criatividade. Isso está presente em várias outras atividades e áreas: cultura, música, arte, teatro, cinema, e etc. Não faltam exemplos e referências de pessoas brilhantes e talentosas que exercitam o poder da criatividade. Na nossa atividade também não é muito diferente. Nós temos a tradição de produzir uma grande quantidade de talentos que continuam conosco ou que se consagraram nacionalmente e internacionalmente. Harmonizado com isso tudo tem a liderança da transformação digital. É um desafio permanente, mas estamos avançando sobre ele com ações efetivas. Isso não é uma exclusividade da Morya. É do mercado como um todo. As agências estão liderando essa transformação digital, desenvolvendo pessoas, integrando a comunicação com suas diversas plataformas e canais. É um desafio permanente. Agindo sobre isso, obtendo resultados, produzindo ações integradas e projetos que contemplam o chamado 'on' e 'off' - mas todos eles têm como essência e base a criatividade, não importa a plataforma que ele vá aterrissar. Tem essa característica em comum. O nosso desafio maior é ser cada vez mais relevante, acelerar a essência da criatividade e incluir a tecnologia e a transformação digital fortemente nas nossas ações. 

Tribuna da Bahia -   Ao longo dessas seis décadas e meia grandes campanhas foram criadas e ajudaram a consolidar marcas. Se você pudesse citar três, quais você considera inesquecíveis? 

Cláudio Carvalho - Na nossa trajetória, tivemos um cliente que foi o Paes Mendonça. Que passou em nossa mão como agência deles por seis donos. E continua mudando, mudou para 'Big'. Esse foi um cliente nosso por mais de 30 anos e foi muito marcado. Teve a novela 'O Bem Amado', com Odorico Paraguassu, que foi um sucesso na época. E ele tinha um jeito caricato de falar. Falava de uma forma semanticamente errada, na linguagem dele. O tema da campanha era 'O aniversarista liquidante' e tinha no elenco Paulo Gracindo. É uma campanha que tem 30 anos. Um outro momento importante foi quando a gente atendeu a Maxitel, que virou Tim, quando o celular se instalou no Brasil. Isso tem 20 anos. Fizemos um trabalho incrível para eles, campanhas memoráveis para o 'Alô Card' e criamos uma banda virtual. Foram momentos fantásticos. Lembro de uma outra também muito marcante, quando atendemos o Baneb, o Banco do Estado da Bahia, que não existe também hoje. Fizemos uma grande ação para a Poupança Baneb. A campanha era com Os Trapalhões, com Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias. Eram vários filmes, várias campanhas mostrando a garantia de ter a sua poupança no Baneb. E, nesses últimos 30 dias, produzimos um filme do Covid. Foi uma campanha de repercussão nacional e internacional que conseguiu trazer a dureza do tema pela porta do coração. Fizemos também agora uma campanha para o Grupo Neoenergia com Dona Nea, que monitora os cuidados com a segurança de energia. E agora fizemos a campanha de 14 anos do Salvador Shopping, que utiliza o conceito 'Diferente Para Você' há 14 anos - o que não é comum. Isso acontece porque o Salvador é diferente, é um shopping planejado. É o nosso desafio. A gente tem uma história, uma referência. E a gente tem o desafio de estar criando e produzindo qualidade para todas as plataformas e canais. Esse é nosso ofício. 

Tribuna da Bahia -   Antes de falarmos do futuro, nos conte: como foi enfrentar essa pandemia? O que mudou e quem sabe, será incorporado daqui para frente mas empresas e em especial no mercado publicitário? 

Cláudio Carvalho - Vivemos intensamente esse período, como todos. Tem alguns frutos, primeiro no ambiente da solidariedade. Acho que todos nós ficamos mais cuidadosos e solidários. Não falo também só como pessoa física. Acho que as empresas passaram a ter um olhar especial nessa dimensão. Além disso, tem uma série de ações que, a rigor, não são novas, mas que a pandemia acelerou fortemente. O mais flagrante no período de fechamento forte foi a experiência do home office. A nossa agência funcionou e funciona ainda 100% em home office. É um sistema de trabalho que, como todo método tem suas vantagens e desvantagens. É uma prática que deverá ficar, não de uma forma única, mas de forma intermediária. Devemos voltar ao nosso espaço presencial e físico, mas vamos harmonizar com as boas experiências do home office - com alguns profissionais e áreas, em alguns dias da semana. Essa liberdade profissional já era um desejo antes da pandemia e o home office ajudou a acelerar e mostrar que é possível fazer. Além disso, tivemos uma aceleração digital forte, seja dos nossos clientes ou seja nossa, trabalhando de uma forma muito intensa no desenvolvimento das pessoas e tecnologias. E outro traço importante, seja no mercado ou em nossa equipe, conseguimos ultrapassar esse momento de uma forma boa do ponto de vista de saúde. Então, a pandemia foi e continua sendo um desafio grande. São mais de 500 mil mortes, um quadro terrível, mas que deixou seus aprendizados e evoluções. 

Tribuna da Bahia -   O ano de 2011 marcou uma nova era para a Morya com a associação ao Grupo ABC, do publicitário baiano Nizan Guanaes. A associação foi desfeita em 2019 quando a Morya voltou 100% ao controle da família. Como foi essa experiência? 

Cláudio Carvalho - O que nos uniu ali, pela Morya, foi o desejo de viver uma experiência de participar de um grande grupo nacional. O ABC era o maior grupo de comunicação de agências do Brasil. E o ABC viu na Morya uma agência que tinha uma presença nacional, em alguns estados em outras regiões do Brasil fora de São Paulo, e um conhecimento local. Vivemos experiências incríveis. A partir de 2016, o ABC foi vendido para o Grupo Omnicom, que é o segundo maior grupo de comunicação do mundo. Nossa interface também passou a ser com os americanos. Foi uma experiência que nos enriqueceu enquanto convivemos com talentos do Brasil e do mundo. Foi um clico bom que se concluiu em 2019, com iniciativa minha. Fui eu que liderei o assunto e eu voltei a controlar 100% do negócio, como continuamos até hoje. Foi um período importante na nossa história. Voltamos para a nossa casa, equipe e controle para que a gente possa continuar a trajetória a partir daqui da Bahia. 

Tribuna da Bahia -   Seguindo o DNA Fernando Carvalho, você tem tido uma atuação associativa relevante à frente das principais entidades de classe da publicidade em nível local e também nacional. Como anda a publicidade baiana e do que ela carece? 

Cláudio Carvalho - Meu pai sempre teve esse DNA associativista, vamos chamar assim. Meu pai foi o fundador e primeiro presidente do Sinapro [Agências de Propaganda do Estado da Bahia] e da Abap-BA [Associação Brasileira de Agências de Publicidade - Bahia]. Fui presidente da Abap em 2001 e voltei agora em 2019 [até abril deste ano]. Então, realmente isso está no DNA de nossa agência, essa participação no mercado e essa visão associativa. Pude ver claramente a força, a relevância e a importância do nosso negócio como um elemento fundamental para a vitalidade da economia de mercado, convivendo com diversas outras instituições e associações de classe. A nossa atividade é percebida como relevante pelos nossos pares e a gente participa e participa com eles em nome de uma cidade e de um estado melhor. 

Tribuna da Bahia -   Já que falamos em futuro, como serão os próximos anos da Morya? O que vem por aí? 

Cláudio Carvalho - Em cima dos nossos 65 anos, estamos soldando algumas ações nossas embaixo de um conceito que é 'mudando sempre, para continuar sempre a mesma'. Faz parte da nossa história continuar evoluindo, avançando, promovendo o desenvolvimento das pessoas e de novas tecnologias para que a gente possa ter uma entrega melhor e mais completa para os nossos clientes. E de um outro lado, mantendo os valores: consistência, criatividade e consciência. Esse é o nosso farol enquanto filosofia. Isso orienta para a frente um posicionamento em três ambientes. O primeiro é a reputação. E reputação para nós não é o que fizemos ao longo de 65 anos, mas também o que estamos construindo a partir de agora. O anunciante, o cliente, quer se relacionar com alguém que ele possa confiar. O segundo é a criatividade como essência do nosso negócio. Ser capaz de produzir soluções criativas, para assim ser percebido e sermos relevantes e úteis. O terceiro é o que chamamos de performance. Os nossos clientes têm a segurança de que nós seremos capazes de cuidar bem do seu investimento. Nisso daí está embutida a capacidade de contemplar todas as possibilidades de capturar a audiência, seja no digital, TV, rádio, outdoor, jornal e onde estiver.  

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Teias da Inovação: perspectivas e futuros para a inovação em Sergipe


Jorge Mário Campagnolo, diretor do Departamento de Apoio à Inovação do
Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC)
No último dia 28 de janeiro, eu tive a oportunidade de ampliar conhecimentos técnicos e científicos dos cenários de inovações previstos para os próximos anos no menor estado da federação, através do evento Teias da Inovação: perspectivas e futuros para a inovação em Sergipe, realizado no Auditório José Conrado de Araújo, localizado no Sergipe Parque Tecnológico (Sergipetec).

A busca pelo conhecimento é elemento vital para o profissional contemporâneo avançar em cenários hipercompetitivos e de inúmeras incertezas. No Curso Online Cenários 2020/2025, realizado pela Fundação Instituto de Administração (FIA), o Mestre Eugenio Mussak debateu “A Liderança na Revolução Digital” e citou: nós não estamos em um tempo de muitas mudanças apenas, nós estamos em uma mudança de tempo. O Mestre ressaltou que os períodos da história de grandes transformações foram regidos por surgimento de uma nova tecnologia disruptiva, mudanças em áreas de atividades, impactos em toda a sociedade e determinação na influência da maneira de viver.

A minha incansável busca pelo desenvolvimento profissional, acadêmico e sociocultural nesta 4ª Revolução Industrial, fundamenta conhecimentos para serem aplicados como estratégias na ‘mudança de tempo’ citado por Mussak. Participar do evento Teias da Inovação: perspectivas e futuros para a inovação em Sergipe me proporcionou entender a formatação da ‘rede, emaranhado e teias’ da área de Petróleo e Gás que está em franca expansão mercadológica e, também, da Energia Solar Fotovoltaica que passa a ganhar destaque na mudança da matriz energética.

O discurso de Jorge Mário Campagnolo, diretor do Departamento de Apoio à Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), proporcionou o conhecimento do papel da academia, dos setores empresariais e das instituições governamentais no processo de inovação e como os profissionais podem penetrar nesse emaranhado. O representante do Governo Federal foi enfático ao afirmar que: a informação é fundamental para fortalecer a todos.

Leitor amigo, espero que você possa obter conhecimentos que foram apresentados pelos palestrantes e no ‘Painel Cases e Desafios para Inovação em Sergipe’, que fomentou a busca incansável pelo conhecimento entre todos os atores da teia, emaranhado e rede, onde umas profissões somem e outras chegam como foi apontado por José Eduardo Azarite, da Venture Hub de Campinas.

Sergipe Parque Tecnológico amplia ambiente inovativo

Abrindo o evento, o presidente do Sergipe Parque Tecnológico (Sergipetec), Bruno Barreto, agradeceu a presença dos participantes e ressaltou a importância de fomentar o ambiente de discussão, através do Teias da Inovação: perspectivas e futuros para a inovação em Sergipe.

Presidente do Sergipe Parque Tecnológico (Sergipetec), Bruno Barreto
Foto: 
Brenno Barreto Foto: Arthuro Paganini/ASN 
Na visão de Bruno Barreto a área de Petróleo e Gás composta por empresas, a exemplo da Centrais Elétricas de Sergipe (Celse) e outros empreendimentos que compõem o setor energético foram responsáveis na melhora do ambiente econômico e de investimento.

O diretor do Departamento de Apoio à Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Jorge Mário Campagnolo, apresentou a oportunidade de fortalecer redes e emaranhados e, também, penetrar dentro do emaranhado: academias, setores empresarias, instituições governamentais. 

Para o representante do MCTIC, inovar é fortalecer os novos ecossistemas com duas universidades fortes em Sergipe, Universidade Tiradentes (UNIT) e Universidade Federal de Sergipe (UFS), entidades como Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Serviços de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), setor industrial e o novo setor energético de Sergipe. Existem excelentes oportunidades que são desconhecidas em cidades menores. Jorge Campagnolo foi enfático ao afirmar que informação é fundamental para fortalecer a todos.

Sebrae Sergipe: compartilhando conhecimentos e oportunidades

O Analista do Sebrae, José Leite Prado Filho, enfatizou que o objetivo da entidade é fomentar a cultura empreendedora e fomentar a inovação em Sergipe. O atual cenário apresenta mudanças contínuas. Para o analista, a gestão da governança das finanças merece atenção e é fundamental para o desenvolvimento de Sergipe. O atual ambiente proporciona facilidades de acessos para se somar num grande projeto e levar Sergipe para seu lugar de destaque.

José Leite ressaltou que o processo não é um ato solitário, mas um ato em conjunto. Inovação só se faz compartilhando conhecimento.

Analista do Sebrae, José Leite Prado Filho
De acordo com o analista, em 2018 foi realizada a chamada para o Edital de Projetos Especiais, no auge da crise do petróleo em Sergipe. O Sebrae se juntou aos parceiros para participar do Projeto da Cadeia de Petróleo e Gás, projeto regional, com a somação de oito estados, Sergipe, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Amazônia, Rio de Janeiro e Espírito Santo, sob coordenação geral do Sebrae nacional. O projeto abriu oportunidades de networks e fontes de conhecimentos entre governos estaduais, governos municipais, Governo Federal, instituições superiores de ensino, empresas privadas e instituições públicas.

José Leite apontou que no estado existem 18 municípios participando da Cadeia de Petróleo e Gás de Sergipe. Outra área que se mantém em forte crescimento é a área de energia solar fotovoltaica. A governança compartilhada com a soma de competências entre todos os entes, o governo e municípios são responsáveis pela governança pública. A Governança Compartilhada, organização líder (Sebrae) e Organização Administrativa de Rede fazem parte do Projeto Estruturante do Sebrae. Os municípios sergipanos estão no radar de todo o projeto.

Outra passagem apresentada pelo Analista foi o Projeto de Agentes Local de Inovação (ALI's), que está em processo de finalização e contará com Bolsistas do CNPq que trabalharão em empresas privadas e órgãos públicos por tempo determinado, entorno de oito meses e receberão bolsas no valor de R$ 4 mil. Poderão participar empresas cadastradas no Sebrae. A entidade selecionará as empresas melhores estruturadas para receberem o atendimento dos bolsistas especialistas através dos seus projetos. As matrículas para bolsistas estão abertas a pesquisadores com até 10 anos de formando, mais informações no site Sebrae.

A importância da academia
Após o coffee break o Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia de Sergipe, José Augusto Pereira de Carvalho, demostrou para os presentes a satisfação em estar presente no ceio da academia. No seu discurso, ele explicou que a sua carreira profissional teve origem na academia.

Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e
Tecnologia de Sergipe, José Augusto Pereira de Carvalho
Políticas Públicas no fomento de novas oportunidades

Em seguida, o diretor do Departamento de Apoio à Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Jorge Mário Campagnolo, retornou ao palco e apresentou o objetivo principal da Secretaria de Empreendedorismo e Inovação: trabalhar para fortalecer as políticas públicas e as novas oportunidades para o empreendedorismo e inovação no Brasil. Ele citou a importância do Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação para evolução da competitividade brasileira por meio da inovação e ações de negócios.

Jorge Mário Campagnolo, diretor do Departamento de Apoio à Inovação do 
Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC)
De acordo com Campagnolo, as universidades não têm poder de inovação. O emaranhado e a inovação acontecem como uma tríplice hélice: empresários x políticas públicas governamentais x universidades. O Brasil cresceu pouco no conhecimento e inovação. O conhecimento científico acadêmico fica restrito às teses e de forma interna. A legislação pouco inovou, ainda existem dificuldades das universidades e institutos em fechar parcerias.

Lei 13.243 de 11 de janeiro de 2016 / Decreto N° 9.283 de 07 de fevereiro de 2018

Jorge Mário Campagnolo explicou que a Secretaria Federal construiu o novo Marco para virar Decreto do Marco Legal, visando facilitar as PPPs – Parcerias Públicas e Privadas ou a ciência e inovação. O desenvolvimento de boa parte da ciência é nas academias públicas, elas se esforçam para liberar as amarras do tempo perdido em burocracia, gerando um ambiente desfavorável para todo o processo de inovação. O Marco Legal traz estímulos para as empresas onde de fato acontece a inovação.

Estímulos de inovação para as empresas

O diretor do Departamento Federal citou alguns pontos de estímulos à inovação às empresas, como o Bônus Tecnológicos, Evolução Tecnológica. Na visão de Campagnolo, a evolução nas empresas geram lucros e lucros custeiam as universidades públicas.

Outro ponto citado de grande valia é a oportunidade da encomenda tecnológica, isto é, compra pública por algo que não existe, ponto fundamental no processo. O Marco Legal também alterou o projeto jurídico para facilitar a outorga, no caso é o instrumento necessário para a ciência tecnológica.

Instrumentos jurídicos e parcerias

O Termo de Outorga representa o acordo de parcerias para Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I), no formato de convênio. As questões giram entorno do conhecimento e transferência de conhecimento. Patentear ou não patentear somente por segurança acadêmica? Mas transformar a tecnologia em patente para empresa privada para realmente sair do papel ou das estantes acadêmicas.

Concretizar as teias, o emaranhado, o ecossistema para fortalecer a inovação:

Geração de estímulos às alianças estratégicas de projetos de cooperação;

Apoio a criação de ambientes promotores de inovação;

Internacionalização ICTs;

Flexibilização orçamentária, entre outros.

O diretor do Departamento de Apoio à Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), apontou que a encomenda tecnológica tem que ser aplicada nesse momento, tem que se fazer uso, colocar em prática para a inovação acontecer e sair do papel para trazer benefícios sociais econômicos.

Campagnolo citou os principais instrumentos de financiamento para PD&I, podendo ser por incentivos fiscais, mas as universidades usam pouco esse modelo de instrumento de crescimento. Na visão do diretor, as universidades têm que correr atrás para aplicar na prática tal modelo.

Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, conhecida pela Lei do Bem

A Lei do Bem estimula as empresas a realizarem atividades de PD&I. Na visão do palestrante Campagnolo, a inovação é para empresa forte e a competitividade leva a empresa a ser forte.
Ele cita que o Estado faz parceria com o setor empresarial, mas o risco existe e é alto, os agentes não sabem quando começa ou termina o projeto, a insegurança é fruto da alternância de poder central. O compartilhamento do risco é apresentado na Lei do Bem. Qualquer setor pode se beneficiar da legislação. Leia mais referente ao regime tributário e deduções operacionais, clique aqui

O ponto falho da Lei do Bem citado pelo palestrante trata-se apenas da participação das empresas com lucro, deveria ser aberto para todas as empresas, e esse fato será fonte de mudança no próximo estudo de instrumento. Reforçando, a Lei do Bem e para empresas de todos os setores.

Jorge Mário Campagnolo, diretor do Departamento de Apoio à Inovação do 
Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC)
A Lei da Informática

Campagnolo cita que a Lei oferece incentivos fiscais às empresas de tecnologia hardware e automação. É ofertado crédito financeiro em produtos habilitados, incentivados. Pode ser descontado em impostos, como o Imposto de Renda. Também mantém a necessidade na Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e responsabilidade fiscal. A Lei também oferece oportunidade para investimento em pesquisa das universidades e institutos. A Universidade Federal de Sergipe é a única a receber dois aportes no Estado, especificamente nos cursos de Ciência da Computação e Física.
A competência faz parte do grupo de instituições que podem receber aporte da Leida Informática:

Instituições de ensino e pesquisa;

Centros ou Institutos de P&D;

Incubadoras de empresas de base tecnológica.

Programa Rota 2030

O palestrante também citou o Programa Rota 2030, focado no apoio para o desenvolvimento de tecnologia em mobilidade e logística com concessão de benefícios tributários às pessoas jurídicas, habilitadas e que realiza P&D, a exemplo do setor de autopeças. O SENAI, a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), entre outros têm benefícios do Programa Rota 2030.

Incentivos ao Empreendedorismo

O Comitê Nacional de Iniciativas de Apoio a Startups aprimora o planejamento, a organização, o acompanhamento da comunicação e a coordenação de iniciativas do poder público, a exemplo do Federal. Para o Campagnolo, o futuro já começou. Grandes empresas compram startups ou se associam, para não morrerem pelo caminho de um mercado hipercompetitivo.

A centralização dos esforços foi outro ponto apontado e trabalhado pelo Comitê por meio do www.startuppoint.gov.br. O Projeto de lei está sendo trabalhado pela equipe e até o final do ano será finalizado o Marco Legal das Startups e do Empreendedorismo Inovador.

Programa Centelha

É uma iniciativa para o incentivo ao empreendedorismo inovador que visa transformar ideias inovadoras em empreendimentos de sucesso. O palestrante afirmou que temos que mudar um pouco a cultura, nos EUA um grande programa é de capacitar os promotores do empreendedorismo. Existe um trabalho no ProgramaCentelha II para manter a cultura após mudanças governamentais.

1ª Rodada de Investimentos

Campagnolo apontou que ao todo já foram investidos 41 milhões, considerado muito pouco pelo representante do MCTIC. Ele ressalta que é fundamental fortalecer os ecossistemas nos Estados, sendo que a questão é de extrema importância. Àqueles que já são fortes, persistir no ciclo de inovação em projetos é preciso.

As inscrições foram abertas para 17 estados, o MCTIC quer conectar todos os estados da federação no Programa Centelha II.

“Conhecer o impacto do Programa Centelha é o primeiro impulso para quem quer empreender”, cita Jorge Mário Campagnolo. Os números em Sergipe são de 1700 empreendedores e 579 ideias. O Programa conecta startups de todo o Brasil, uma ação integrada de ideação, conexão, capacitação e investimento de até 100 mil reais em bolsas.

De acordo com Campaolo, é necessário criar emaranhados, as teias, mudar cultura, as inovações acontecem nas empresas, a academia amplia o conhecimento e o governo abre concessões de investimento.

Painel Cases e Desafios para Inovação em Sergipe

O painel foi composto por José Leite Prado Filho, Gerente da Unidade de Atendimento Coletivo do Sebrae/SE, Roger Barros da Inova+Sergipe, Arthur Barbosa da Plataforma PagCerto e José Eduardo Azarite da Venture Hub de Campinas.

José Eduardo Azarite da Venture Hub de Campinas

José Leite abriu os trabalhos informando que em Sergipe existe uma grande dificuldade de credenciar um bom grupo técnico de estudos pelo Sistema de Gestão em Consultoria Tecnológica (Sebraetec), um fundo achado com 30% bancado pelo Sebrae.

No mercado contemporâneo, Azarite da Venture Hub, informou para os participantes que profissões somem e outras chegam. O profissional tem que buscar conhecimento, aprender com novos livros e não apenas autores antigos, com Philip Kotler. O competitivo mercado força as empresas de todos os tamanhos a inovar, a se reinventar mercadologicamente.

De acordo com o gestor da Venture Hub, a empresa moderna colabora com o ecossistema, as startups são extremamente ágeis no acesso e no fundamento do mercado, sabem e conseguem fazer acontecer rapidamente. A cultura do jeito de saber fazer é trabalhado dentro das startups.

José Eduardo Azarite da Venture Hub de Campinas

Após, Roger Barros da Inova+Sergipe, respondeu uma pergunta realizada pelo mediador. Quais são os maiores desafios encontrados pela Inova+Sergipe no estado?

Roger Barros respondeu a mudança de paradigmas, juntar todos os atores: governos, empresas, academias em prol das melhorias do ambiente. A crise agravou ainda mais o processo de inovar em Sergipe. Ainda não existiu um grande evento de ciência e tecnologia no nosso estado. Temos que trabalhar em sintonia, temos dificuldades, olhamos para o nosso umbigo, empresas, instituições, pessoas talentosas, pessoas fantásticas à altura de excelentes, mas não se conectam, elas têm que derrubar o muro, a sociedade não tem acesso. Temos tudo e ao mesmo tempo não temos nada! Temos que dar as mãos, o movimento Inova+Sergipe é de todos, não existe cargo, o objetivo é deixar um futuro melhor à sociedade e para Sergipe.

O diretor da empresa PagCerto, Arthur Barbosa, afirmou que existem dificuldades para inovar no país, e a questão não é tarefa fácil. Estamos em Sergipe desde 2013, eu não tinha conhecimento na área financeira, quando fechei sociedade meu sócio era que detinha o conhecimento. Atualmente oferecemos suporte tecnológico para as empresas, ajudamos a inovar a estrutura do cliente, gerando valor para o cliente PagCerto.

Azarite também respondeu um pergunta do mediador. Qual seria a receita do bolo? Ele respondeu que a cidade de Campinas é onde está dando tudo certo. Não existe ego, a colaboração está na essência da palavra, as pessoas têm curiosidade por você, elas contam tudo sem medo, declaram o que pensa, executam confiança plena.

Em seguida, o mediador dirigiu outra pergunta para João de Barros. Quais são as perspectivas para 2020? 

Roger Barros da Inova+Sergipe
O diretor da Inova+Sergipe respondeu que a equipe concluiu o planejamento estratégico em 2019, com mapeamento do ecossistema, há muita coisa sendo feita em ambientes diferentes, por isso, vamos projetar um grande portal em Sergipe em parceria com o Sebrae, para centralizar todas as informações em um único canal, como patentes, trabalhos,... Todos os dados serão colocados em banco de dados para serem apresentados às empresas. Também temos o objetivo de realizar um evento grande em 2022, o WebSamp, para cada unidade do Sebrae. Além do StartupSamp, Whorkshops e, também, a capacitação de mão de obra de novos talentos, novas habilidades. As funções repetitivas no mercado de trabalho estão sendo substituídas pela Inteligência Artificial (AI), a partir daí, temos que capacitar novos gestores. Vamos criar atrações de investimentos, preparar nosso ambiente para ter projetos com capacidade de absorção de recursos.

Iniciativa do Evento de acordo com a organização

O Teias da Inovação é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, em parceria com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico) e o CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações). O projeto está sendo realizado em diferentes cidades do Brasil e têm como público-alvo startups, incubadoras, empresários, empreendedores, estudantes, pesquisadores, cientistas, educadores e governos locais.

Cartaz Digital do Evento - Imagem: Organização