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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Sergipe é primeiro estado a receber pesquisa nacional sobre uso de redes sociais por jovens

Primeira etapa do Projeto Letramento Digital foi realizada em escola pública de Aracaju

Barão de Mauá foi a escola pioneira na aplicação da pesquisa. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Barão de Mauá foi a escola pioneira na aplicação da pesquisa.
Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
O Brasil é o terceiro país que mais usa redes sociais, atrás apenas das Filipinas e da Colômbia. Os brasileiros ficam conectados, em média, 3h42 por dia, sendo que os jovens entre 16 e 24 anos são os que mais acessam. O levantamento, divulgado ano passado pela plataforma Cupom Válido com dados da Hootsuite e WeAreSocial, reforça a tendência de aumento do consumo das mídias digitais no mundo.

Frequentemente, o uso da internet pelo público infanto-juvenil gera discussões sobre questões como o tipo de conteúdo acessado e o impacto das ferramentas digitais na rotina de crianças e adolescentes. Nesse sentido, pesquisadores de cinco universidades brasileiras estão investigando o uso das redes sociais por esse grupo, com um foco específico: o aproveitamento das ferramentas digitais em favor da educação.

A primeira etapa da pesquisa de campo do projeto “Letramento Transmídia” foi realizada no final do mês de abril deste ano no Centro de Excelência Barão de Mauá, localizado no Bairro São Conrado, na Zona Sul de Aracaju.

A iniciativa é desenvolvida por professores e estudantes de Comunicação da Universidade Federal de Sergipe, em parceria com a Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal de Alagoas, Universidade de Brasília e Universidade Estadual de Goiás.

Tatiana Aneas é professora de Comunicação Social da UFS. Foto: Pedro Ramos/Ascom UFS
Tatiana Aneas é professora de Comunicação Social da UFS.
Foto: Pedro Ramos/Ascom UFS
“Há uma realidade diferente entre os meus alunos da graduação. Da mesma maneira que isso ocorre comigo enquanto professora, e com os meus colegas, também ocorre nas escolas. Então, de que maneira essa compreensão pode ajudar a diminuir essa distância e tornar a escola mais interessante para o estudante?”, questiona a professora Aneas.

Para a diretora do Centro de Excelência Barão de Mauá, Maria Gisleide Santos Aragão, a ação vai estimular o uso construtivo dos dispositivos digitais na sala de aula. Ela também celebra o pioneirismo do colégio que dirige, o primeiro do país a receber o estudo de abrangência nacional.

“Tenho certeza que [o projeto] vai contribuir para a qualidade do ensino. Na era da tecnologia, os nossos jovens vivenciam o celular, então esse projeto junto com a UFS veio para que a gente aproveite esse tempo de modo que esses jovens possam aproveitar esse momento de aprendizagem, que é muito importante para a qualidade do ensino”, afirma.

Etapas do projeto

Em cada escola selecionada nos cinco estados, a pesquisa é feita em três etapas. Na primeira fase, ocorre o processo de conscientização dos estudantes acerca da importância de participar do estudo. Na segunda, a aplicação de um questionário com seis turmas do ensino médio. Na terceira e última etapa, são realizadas entrevistas com estudantes identificados a partir do potencial para fornecer informações a respeito do uso que fazem das redes sociais.

“Temos uma série de perguntas com o objetivo de entender o que os jovens fazem e aprendem com as mídias digitais, de que forma e com quem produzem, se fazem com amigos e familiares, quais são os gostos que têm em relação ao uso das redes sociais e sempre tentando entender de que forma esse conhecimento adquirido com o auxílio das mídias digitais pode ser associado a estratégias de aprendizagem formal”, explica o estudante de Publicidade e Propaganda da UFS, Igor Ribeiro Vilela.

“As perguntas podem até parecer meio aleatórias, como por exemplo: qual série você assiste; que livro lê; por onde consome esse conteúdo, mas, no fundo, temos o objetivo de entender as habilidades adquiridas com o uso das mídias e trazer para a sala de aula”, acrescenta.

Estudantes responderam questões sobre uso de mídias digitais. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Estudantes responderam questões sobre uso de mídias digitais.
Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Nicolas dos Santos Silva foi um dos estudantes selecionados para responder a pesquisa no Colégio Barão de Mauá. Ele relata de que forma utiliza as mídias digitais na escola. “Aqui, eu uso o WhatsApp. Geralmente, eles [equipe pedagógica] mandam a lista de chamada, o horário das aulas ou algum dever através de um PDF para poder fazer em casa, por isso, uso muito. Também participo de grupos da escola para saber informações complementares. Na sala de aula, consigo prestar atenção sem usar o celular, mas, para fazer pesquisas. eu teria dificuldade sem o aparelho”, conta o estudante.

Letramento Transmídia

O professor de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas, Vitor Braga, afirma que o conceito de letramento não é tão novo e foi bastante usado por Paulo Freire, por exemplo. O que tem de mais recente, segundo ele, é o letramento transmídia num contexto de convergência dos meios tecnológicos, no qual os adolescentes produzem e consomem por meio de diversas plataformas.

“Esse processo de interação é importante para pensar esse contexto comunicacional. Letramento Transmídia é o aprendizado por e através dessas mídias. É interessante perceber como esses adolescentes aprendem com as mídias e como conseguem desenvolver competências por meio delas”, explica Braga.

O professor da UFAL também chama a atenção para a peculiaridade do contexto brasileiro: um país com dimensões continentais e muita desigualdade de acesso às redes de comunicação.

“Dessa forma, a pesquisa, ao contrário de outros países, tem particularidades brasileiras. Esses jovens consomem muito através dessas redes sociais. Nesse contexto, eles estão consumindo conteúdo que, do ponto de vista da educação, podem ser utilizados para pesquisas sobre temas para além do consumo de entretenimento”, aponta.

A pesquisa é financiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC/SE) e pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (SEDUC).

Fonte: Rádio UFS / Jhonny Oliveira e Josafá Neto

quarta-feira, 13 de julho de 2022

TRE: confira a pesquisa de opinião sobre desinformação nas eleições

Fruto da parceria entre o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Justiça Eleitoral torna público o resultado da pesquisa de opinião sobre desinformação (fake news), realizada junto aos cidadãos sergipanos.

O relatório final foi apresentado, na última quinta-feira, 06, ao juiz Marcos de Oliveira Pinto, membro do TRE-SE, diretor da Escola Judiciária Eleitoral (EJESE) e presidente do Comitê de Combate à Desinformação e à coordenadora da EJESE, Lídia Cunha Mendes Matos. O professor do Departamento de Comunicação Social da UFS, Dr. Claudomilson Braga, que elaborou o projeto em parceria com a professora Dra. Patrícia Horta, teceu comentários sobre as análises contidas nas 29 páginas do estudo.  Clique no link a seguir para baixar o resultado da pesquisa de opinião e as conclusões apresentadas pelos professores doutores da UFS. Pesquisa de Opinião.

Com um percentual de 0,25 da população, a amostra foi constituída de 535 questionários válidos. A margem de erro é de 3% para mais e para menos. A coleta teve um intervalo de confiança (IC) de 95%, isso significa que a chance de as respostas representarem a realidade se aproxima de 95%.

O relatório aponta explicações quanto à tendência referente ao comportamento dos eleitores sergipanos. Os entrevistados afirmaram que, em 92,1% dos casos, ao receberem uma notícia de cujo conteúdo desconfiam ser falso, fazem algum tipo de conferência antes de compartilhar. Quando perguntados se, ao desconfiaremda veracidade da notícia, buscam identificar a origem, esse percentual cai para 83,7%.

Mais de 90% dos entrevistados responderam acreditar que as pessoas não conferem a informação em se tratando de fake news. “Aqui a pressão social se estabelece, ou seja, quando perguntado se, de modo individual, particular, confere-se a fonte para poder desmentir uma notícia falsa, o percentual foi superior a 80%. Entretanto, quando perguntado se o outro confere a resposta, foi inversamente proporcional. Ou seja, externaram a percepção de que o percentual dos que conferem a informação não ultrapassa 10%. Em outros termos, há um imaginário coletivo de que o problema das fake news é sempre do outro”, explicou o professor.

Segundo o professor Claudomilsson “a noção de  fake news está muito naturalizada, como se fizesse parte do dia a dia. É possível traçar uma analogia com a nossa percepção sobre a violência urbana, a qual somos obrigados a conviver como se fosse algo normal, mas não o é!” O professor apresentou sugestões para a Assessoria de Comunicação do TRE-SE relacionadas, notadamente, à publicidade segmentada nas redes sociais.

Foto Destacada: Relatório final foi apresentado, na última quinta-feira, 06, ao juiz Marcos de Oliveira Pinto, membro do TRE-SE e à coordenadora da EJESE, Lídia Cunha Mendes Matos. (Foto: TRE-SE)

Fonte: TRE-SE

quinta-feira, 1 de março de 2012


Apresento o trabalho do módulo "Novos Paradigmas da Gestão de Negócios na Nova Economia", lecionado pela Professora Iracema Machado Aragão do curso de Pós-Graduação em Marketing da Universidade Federal de Sergipe. O trabalho foi redigido no mês de agosto de 2008.


A GESTÃO DA INOVAÇÃO E ESTRATÉGIA COMPETITIVA.

UMA FERRAMENTA IMPLANTADA PELA AMBEV PARA CONQUISTAR O PRIMEIRO LUGAR MUNDIAL DO MERCADO CERVEJEIRO
 
Carlos Fabrício Comunicólogo 

RESUMO:

A globalização impõe métodos de concorrência voláteis entre as empresas multinacionais. O processo de fusão ou compra entre as mesmas impõe novos paradigmas aos gestores das firmas. O presente trabalho faz uma abordagem histórica de como a AmBev, a maior empresa fruto do capitalismo brasileiro chegou a conquistar a primeira colocação mundial no ranking das indústrias de cervejas através da Inovação e Estratégia Competitiva.


PALAVRAS-CHAVES:

Globalização, Gestão, Marketing, Inovação e Estratégia Competitiva.
 

INTRODUÇÃO

Por um bom período o Brasil passou por uma forte recessão econômica. A dívida externa com o Fundo Monetário Internacional no início da década de 80 deixou de ser quitada e as empresas internacionais que investiam um grande volume de capital econômico se afugentaram do país. Nos anos 90 os governantes federais assumiram as dívidas internacionais, estabilizaram a tão temida inflação, criaram um ambiente financeiro estável aproximando investidores externos, reduziu as barreiras alfandegárias, realizou acordos multilaterais e bilaterais, etc. .

As transformações econômicas realizadas pelo Brasil na segunda metade dos anos 90 alteraram o cenário do mercado nacional. A partir daquele momento as ações da globalização por meio das empresas internacionais provocaram a inserção de novos produtos no mercado interno. As empresas brasileiras foram forçadas a inovar, agregando mais qualidade aos produtos e a buscando novos modelos de processos de fabricação. O objetivo era viabilizar o menor custo na fabricação final do produto, pois dessa forma ela poderia colocar um produto com qualidade e preço competitivo.

Nesse cenário de globalização as empresas líderes do mercado local passaram a ser assediadas pelas grandes multinacionais, às vezes por processos de fusões, outras pelo processo de compra. As duas maiores fabricantes de cervejas do Brasil, Brahma e Antarctica, no ano de 1999 se sentiram ameaçadas pelas multinacionais e partiram para um plano estratégico de fusão. Nesse momento surge a maior empresa produzida pelo capitalismo brasileiro, a AmBev.

O objetivo do trabalho é apresentar empiricamente os principais tópicos da aplicação da ferramenta Inovação e Estratégia Competitiva pela gestão da multinacional brasileira. A análise passará pela fusão ocorrida no ano de 2002 entre a AmBev e o grupo belga Interbrew, originando a InBev, e posteriormente, a forte ação competitiva do grupo belga-brasileiro que resultou na compra do símbolo do capitalismo americano, a cervejaria Anheuser-Brusch.


ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA BRASILEIRA

No passado, exatamente nos anos 80, a economia brasileira passava por um caudilho de situações nada agradáveis para o desenvolvimento dos mais variados segmentos da indústria e do mercado. Os empresários sofriam com a economia estagnada, não conseguindo unir investimentos privados e públicos para fomentar a engrenagem do crescimento. Os governos federais a partir dos anos 70 e principalmente os dos anos 80 constituíram dívidas externas junto ao Fundo Monetário Internacional a juros baixo, mas a instabilidade econômica afetou as contas dos governantes e por algum tempo deixou de honrar seus compromissos com os banqueiros americanos.

A forte recessão ocorrida no mercado americano, no final dos anos 70, elevou bruscamente o percentual dos juros da dívida externa brasileira, desestabilizando o investimento interno e afugentando os investidores vitais para impulsionar o crescimento. Diga-se de passagem, ao final da década de 60 e os primeiros anos da década de 70 o Brasil cresceu em um ritmo acelerado e nunca visto até os dias atuais. Para se ter uma idéia o Produto Interno Bruto chegou aos dois dígitos, 10%. Os cientistas econômicos apontam como fator preponderante para o aumento da dívida externa a crise do petróleo, originada no ano de 1973 levando a estagnação do crescimento brasileiro nos anos 80. A escolha dos juros flutuantes pela política econômica, inclusive a do Brasil, levou diversos países da América Latina a entrar em um forte processo de recessão e alguns chegando até a quebrar, como o caso do México no ano de 1982.

No início dos anos 90, ainda em fase de aperfeiçoamento do processo democrático instituído no final da segunda metade dos anos 80, o Brasil assumiu de fato a dívida externa e começou a pagar o compromisso firmado por governos anteriores. Não que os anos 90 foram de bonança para os governantes, os empresários e a sociedade. Muito pelo contrário, a explosão do aumento da dívida externa ocorreu com maior força no ano de 1999, chegando a mais de 190 bilhões de dólares. Foi um momento de desestabilização. Os preços dos produtos ofertados à sociedade entre os anos 80 e 90 eram remarcados todos os dias. Entretanto, pelo menos a inflação no ano de 1999 estava controlada, favorecendo a ruptura mercadológica para um novo cenário de crescimento planejado e expansão externa.

O início da competitividade no mercado brasileiro originou-se no ano de 1990, no governo de Fernando Collor de Melo. “O mérito da equipe de Collor, tardiamente reconhecido, foi de ter iniciado a abertura da economia brasileira, obrigando a indústria nacional a competir, pela primeira vez de verdade, com os concorrentes estrangeiros” (Revista Veja, nº 2077, setembro de 2008). A aproximação do Brasil em acordos bilaterais e multilaterais como, por exemplo, a participação do desenvolvimento do Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL), a relação de envolvimento e composição da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e a aproximação do MERCOSUL da União Européia contribuiu para o aperfeiçoamento dos produtos internos e também para o surgimento e desenvolvimento de novas empresas ligadas às diversas áreas.

O governo de Fernando Henrique Cardoso detém o reconhecimento por dar continuidade ao processo de abertura, lançar o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, estabilizar monetariamente o Brasil e implantar o processo de privatizações das estatais. Nesse cenário surgiram a Vale do Rio Doce e as empresas de telefonias nacionais e estrangeiras, elas melhoraram a área das telecomunicações, ampliaram a oferta e contribuindo à prática da competição interna. Os consumidores têm preços de tarifas baixas, aparelhos e sistemas com tecnologia de ponta. As multinacionais investiram um grande capital econômico no Brasil com o objetivo de ampliar os seus negócios, ganhar fatia do mercado e praticarem a competitividade no mercado brasileiro.
 

O SURGIMENTO DA GIGANTE AMBEV

O mercado cervejeiro brasileiro mantém uma forte história de relacionamento com o desenvolvimento econômico do Brasil. A primeira empresa surgiu no ano de 1885, com a fundação da Companhia Antarctica Paulista, e posteriormente a cervejaria Brahma, registrada no mercado pelo suíço Joseph Villiger na capital do Rio de Janeiro, no ano de 1888. A antiga cervejaria Brahma detém a marca nacional de fabricar a primeira cerveja no país, a Boehmia, no ano de 1853.

A história centenária das duas empresas ganhou uma nova direção no ano de 1999 através das práticas impostas pela internacionalização dos mercados mundiais. Devido ao posicionamento multilateral e bilateral do Brasil o mercado local abriu suas portas à globalização: parcerias, fusões e compras de empresas. As chegadas das indústrias internacionais no país contribuíram à elevação da capacidade tecnológica, grande produtividade e forte poder de inovação nos produtos e serviços. Nesse cenário surgem no mercado novas empresas dispondo de produtos das mais variadas marcas mundiais beneficiando a competição interna e posteriormente, a mudança de postura das empresas locais. Elas tiveram que se reinventar administrativamente, a competição acirrada obrigou-as a desenvolver produtos com mais capacidade qualitativa, repensar e aplicar os novos métodos de processos e fabricação em larga escala focando um menor custo para o mercado.

A abertura do mercado nacional para novas cervejarias mundiais a exemplo da holandesa Heineken e Anheuser-Busch dos Estados Unidos ameaçava expandir suas operações e automaticamente preocupar as gigantes cervejarias brasileiras. A reportagem do website http//veja.abril.com.br/070799/p_128.html, exemplifica de forma clara e objetiva o início da competição do mercado cervejeiro. Naquele momento, a líder mundial americana fabricante da cerveja Budweiser, a Anheuser-Busch, assumira um acordo iniciado no ano de 1995 com a cervejaria Antarctica, sendo que objetivo era fazer a fusão entre as duas empresas. Os diretores das cervejarias Brahma e Antarctica realizavam encontros constantes para discutir os negócios no mercado brasileiro e fatos econômicos mundiais. Independente de serem concorrentes locais existia uma relação muito próxima, uma relação mais íntima. Em uma das conversas os dois decidiram fazer a fusão e constituir a maior empresa capitalista do Brasil, a AmBev – Companhia de Bebidas das Américas. A negociação da Antarctica com a Anheuser-Busch estava sob análise do CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica, no período de 1995 a maio de 1998, esperando somente a aprovação do órgão regulador para concretizar a fusão. A cervejaria Antarctica rompeu o acordo com os americanos e firmou o processo de fusão entre as duas cervejarias nacionais no dia 1º de julho de 1999 e a homologação do CADE se concretizou no dia 30 de março 2000.

O nome escolhido para a nova companhia seguiu a tendência der ser gigante mundialmente desde o seu nascimento: um nome globalizado entre as Américas, uma cervejaria para o mercado das Américas. Concebida, pré-destinada para conquistar os mercados Americanos. No ano de 1998 o faturamento das duas cervejarias foi de 10,3 bilhões de reais. No Brasil a AmBev transformou-se no maior grupo privado dominando mais de 70% do mercado nacional e passou a ocupar a terceira posição no mercado mundial cervejeiro. Caso inclua os refrigerantes no seu mix de produtos ela é a quinta maior fábrica de bebidas do mundo.

As operações mercadológicas proporcionadas pela ALCA fortaleceram o crescimento dos principais setores da economia. Muitas empresas entreveram as inúmeras oportunidades benéficas com o processo de fusões entre empresas. Uma delas foi a implantação das novas metodologias científicas na área de gestão. A AmBev é o modelo perfeito para analisar os paradigmas encontrados pela gestão dos negócios. A cervejaria das Américas é exemplo do capitalismo brasileiro no mundo globalizado.
 

GLOBALIZAÇÃO: UM MUNDO DE CONQUISTAS

Muitos países ainda são contra o processo de liberação do mercado, a tão chamada globalização. Outros são a favor e acreditam nos seus objetivos para alcançar o sucesso mundial. O país que visa o crescimento econômico e alcança melhorias para sua nação, consegue detectar oportunidades ligadas intrinsecamente à globalização, como o Brasil. Os que não vivem estão no atraso e sem perspectiva de evolução, comprometendo as futuras gerações nos próximos 20 anos ou mais. Mas uma coisa é certa: no mundo globalizado ou o país faz parte ou ele não existe para o mundo econômico.

A globalização dos mercados mundiais implanta métodos de concorrência entre as marcas líderes do mercado interno, não mais local, e sim global. Vivemos em um mercado onde os produtos internos competem com os globais. As empresas mundiais aplicam métodos de competição para ganhar expansão mercadológica. Na ambição por dominar o mercado elas compram empresas de médio ou grande porte local, como as líderes de mercado, ou implantam o modelo de fusão para conquistar uma maior fatia do mercado, ampliar a logística de distribuição dos seus produtos, etc.. Na maioria das negociações as empresas locais de médio porte tornam-se pequenas no mercado local.

Para ilustrar o cenário aquisitivo entre instituições no mercado brasileiro o site http://veja.abril.com.br/070799/p_136.html, cita a ação do grupo financeiro inglês, o HSBC, ao implantar de forma arrojada a compra do banco brasileiro Bamerindus, ocorrida no ano de 1997. Naquela ocasião o grupo inglês já estava operando em 79 países espalhados pelos continentes e registrava a marca de 130.000 mil funcionários.

A matéria jornalística do site Veja reforça a preocupação dos cientistas econômicos em fundamentar estudos empíricos ligados diretamente à globalização. O cenário não era tão claro e ainda não é. Se olharmos desde o processo de crescimento brasileiro até a liberação do mercado nacional, mais ou menos em 30 anos, o ambiente empresarial foi alterado bruscamente: no primeiro momento as empresas eram voltadas totalmente para a produção, no segundo momento o foco era ligado para o mercado e no terceiro momento as empresas visavam o consumo. Não que o assunto já esteja resolvido na contemporaneidade. Muitos livros da área administrativa continuam a ser lançados, eles indicam estudos científicos da nova tendência de gestão: os consumidores, as pessoas.

A matéria do referido site predisse o cenário de aquisição e fusão no mundo globalizado, “... essas empresas globais que já assustam com seu tamanho atual, tendem a se tornar ainda maiores, comprando empresas concorrentes ou fundindo-se com elas. O espetáculo é visível e deve intensificar-se nos próximos anos” (http://veja.abril.com.br/070799/p_136.html,). No ano de 1999 o mundo intensificava suas ações para a dominação de mercados, como exatamente a Budweiser tentou realizar, a fusão entre a cervejaria brasileira Antarctica, como já citado no capítulo anterior. De fato o mercado brasileiro ainda é altamente atraente em diversos seguimentos, inclusive o cervejeiro que passa por constantes disputas mercadológicas.

Recentemente, o grupo mexicano Femsa Cerveceria, um dos principais concorrentes do grupo AmBev, comprou a cervejaria Kaiser de um grupo brasileiro. Vale destacar que a Femsa detém 68% das ações, 15% do grupo canadense Molson e 17% da holandesa Heineken. A marca Kaiser é operacionalizada no Brasil por três grupos: mexicano, americano e europeu representando muito bem o cenário do capitalismo globalizado embasado pela citação do site Veja.

Focando a AmBev como exemplo do mercado capitalista brasileiro, a sua fusão contribuiu para o fortalecimento da indústria cervejeira nacional. No momento da negociata, a sociedade, os estudiosos e os concorrentes: os grupos Schincariol e Kaiser. A Schincariol afirmou que estava preparada para a concorrência e a Kaiser entrou com representação no CADE alegando que a AmBev dominaria o mercado cervejeiro nacional, ela possuíra mais de 70% de participação, enquanto as concorrentes nacionais e internacionais dividiriam os outros 30%. Não foi o que aconteceu no mercado! Os consumidores finais foram os que mais saíram ganhando com a forte disputa, os preços despencavam e as grandes indústrias, como a AmBev, tinham um maior volume de produção, e por isso praticavam preços mais justos para o consumidor.

O argumento construído pela Kaiser estava totalmente equivocado. Os diretores olhavam somente a disputa no mercado interno nacional, não tinham a leitura completa das ações das empresas transacionais e a AmBev olhava primeiramente para os mercados Americanos, como o dos EUA e os países da América do Sul. A meta da compania era ganhar o mundo. A aquisição da Kaiser no ano de 2006 pelo o grupo mexicano Femsa comprova que a antiga administração da Kaiser estava errada em querer olhar somente para uma concorrência interna, sem ao menos perceber que estava sendo ofuscada pelos mercados interno e externo, perdendo participação nos principais centros brasileiros e por isso, acabou sendo engolida pela ação da empresa globalizada Femsa.

O Brasil vive um clima eufórico com a globalização: é notável o aumento da arrecadação de impostos. Somente a AmBev no ano de 2007, firmou-se entre as dez empresas que mais pagam imposto no país, foi mais de R$ 10 bilhões. Ela atende a quase um milhão de ponto-de-vendas somente no Brasil. Suas operações globalizadas estão presentes em 22 países nas Américas. Mais a frente será discutido o processo de gestão da AmBev no Brasil. O objetivo é identificar uma das principais ferramentas utilizadas para superar os paradigmas econômicos impostos pelo processo contínuo do mercado globalizado.

Não é só a AmBev que faz esse clima eufórico, a edição 2044 da revista semanal Veja, datada no dia 23 de janeiro 2008, traz a reportagem “A Supereconomia”: ela descreve um medidor de crescimento do Brasil, os números dos empreendedores milionários não param de crescer, a consultoria internacional Boston Group apresentou os resultados do ano de 2007. O Brasil atingiu a marca de 190.000 mil pessoas com aplicações financeiras superior a um milhão de dólares, ou mais. Se no passado, exatamente no ano de 2002, o país tinha números em torno dos 75.000 milionários, de lá para cá o número total cresceu mais de 150%. Somente no ano de 2007 foram 60.000 a alcançar a marca. Os dados demonstram a capacidade do Brasil de gerar emprego e riqueza, a economia passa por um processo de amadurecimento que aponta ótimos indicadores econômicos: no ano de 2007 foram criados 1,6 milhões de empregos com carteira assinada; a taxa de crescimento alcançou 5% ao ano e as vendas do comércio cresceram 10% em 2007.

A globalização dos mercados contribui para o desenvolvimento do Brasil. Os números relacionados em qualquer operação são bilionários. Também tem a implantação de novas tecnologias no mercado local onde acelera o processo de inovação. E para inovar, as empresas necessitam do conhecimento humano. O país precisa elevar os investimentos em políticas públicas, como as educacionais. A globalização abre as portas para o emprego interno, ajuda no processo de desenvolvimento intelectual e sócio-cultural da população, torna as empresas do país mais competitivas e fazem os empreendedores acreditarem que a globalização oferece um mundo de conquistas.
 

AMBEV: A CONQUISTA É O MUNDO

No ano de 2004, a AmBev anunciou mais um passo para alcançar a vice-liderança mundial do mercado cervejeiro. Após conquistar os mercados Americanos, a cervejaria brasileira passou a olhar para o outro lado do continente: o mercado europeu e asiático. Segundo o jornal digital Gazeta Mercantil, por meio da matéria publicada no site http://indexet.gazetamercantil.com.br/arquivo/2004/03/03/484/AmBev-confirma-fusao-com-Interbrew.html confirmava a criação da nova multinacional belga-brasileira. No mês de março de 2004 a cervejaria belga Interbrew anunciou que iria assumir o controle das operações da AmBev. As operações da multinacional eram realizadas em 21 países, englobando a propriedade de mais de 200 marcas de cervejas e as condições necessárias para os gestores da AmBev Brasil penetrar o mix de produtos de uma só vez nos três mercados: Norte-Americano, Europeu e Asiático.

Naquele momento nascia a nova compania multinacional belga-brasileira InBev, tornando-se vice-líder do mercado mundial, movimentando o total de 22 bilhões de dólares. A estratégia competitiva dos gestores das cervejarias Brahma e Antarctica era competir em outros mercados, visando penetrar o seu mix de produtos em mais dois continentes. Eles chamaram o nome da fusão de “aliança global”. A AmBev dominava os mercados da América do Sul, mantinha um bom posicionamento no Caribe e a cervejaria Belga era bastante forte no mercado europeu, no Canadá e no México. As duas empresas fundidas produziram cerca de 185 milhões de hectolitros, nos quais 105 milhões ficaram por conta da AmBev e 80 milhões de hectolitros ficará por conta da Interbrew. O site http://noticias.uol.com.br/inter/reuters/2004/03/03/ult27u40965.jhtm publicou um dado bastante interessante: a negociação foi mantida por meio de troca de ações e após ser concluída a Interbrew terá 84,9% do capital votante da AmBev e 57,5% do capital total da Interbrew/AmBev. No acordo ficou decidido que as operações realizadas nos países latino-americanos ficará por conta da AmBev e os mercados europeus e asiáticos por conta da Interbrew.
 

INBEV: A CONQUISTA É O PRIMEIRO LUGAR NO MUNDO

A AmBev utilizou muito bem as estratégias para alcançar o sucesso nas Américas. Ao constituir o maior grupo privado do país no ano de 1999 e ocupar a terceira posição mundial entre os fabricantes de cervejas, o grupo deu mais um passo à fusão com a compania cervejeira belga Interbrew, visando ampliar a penetração das cervejas e bebidas mundiais brasileiras no continente europeu e asiático. Após as trocas de ações entre o grupo Belga e a AmBev nasce a InBev ocupando a  segunda colocação mundial do mercado cervejeiro.

A partir de agora a análise do grupo AmBev focará exclusivamente o formato de gestão competitiva, incorporada desde a primeira fusão. Será necessário cruzar informações publicadas por periódico semanal, reportagens dos sites jornalísticos especializados em economia e justificar os posicionamentos estratégicos de acordo com os métodos de estudos empíricos. A síntese do estudo referente ao processo competitivo imposto pela gestão da AmBev mostrará de forma contundente como o grupo belgo-brasileiro InBev, presidido pelo diretor Carlos Brito e os principais acionistas individuais do grupo, Marcel Telles, Carlos Alberto Sucupira e Jorge Paulo Lemann “todos ex-Brahma” chegaram ao topo da liderança mundial.

A possibilidade em aprofundar os estudos científicos direcionados aos novos modelos de gestões e como é superado os paradigmas encontrados pela AmBev no Brasil e nas Américas, e InBev nos mercados europeus e asiático são inúmeras. Poderia descrever como as empresas juntas podem desencadear novos processos produtivos através da aglomeração local e cadeia de valor. Poderia descrever como a tecnologia da informação foi incorporada ao processo de gestão, ou comentar sobre o método empreendedor do presidente do grupo InBev e seus principais acionista. Mas se existe um passo importante para a empresa sobreviver em um mercado globalizado é como ela se organiza estrategicamente para conquistar mercados. As principais companhias mundiais de um setor específico ou não, buscam fazer fusões e conseqüentemente ameaçar o mercado interno, e é através da estratégia competitiva que algumas alcançarão o contínuo crescimento mundial em um mercado altamente volátil.
 

INOVAÇÃO E ESTRATÉGIA COMPETITIVA

No dicionário Aurélio a palavra competir tem seis derivações, a segunda representa o universo da competitividade encarada pelos executivos da AmBev: disputar a vitória em partida, concurso, torneio, etc. A partir do momento que a empresa entra no mercado para disputar fatia dele a palavra competir está ligada intrinsecamente com os seus concorrentes e a instabilidade do mercado. Nesse caso, é necessário aplicar estratégias bem definidas para alcançar os objetivos. Existem diversos estudos sobre estratégia competitiva, mas a citação que pode orientar para a organização de um plano estratégico é a seguinte: “As estratégias são fundamentadas na avaliação das ameaças e oportunidades externas e da capacidade interna da firma responder a esses desafios e influenciar o ambiente externo” (Bastos, 2006;165).

Ao relatar o processo de fusão entre as duas companhias brasileira no ano de 1999 a revista digital http://veja.abril.com.br/070799/p_128.html exemplifica por meio da matéria jornalística econômica a ciência de Bastos citada acima. A Brahma não conseguia expandir suas operações e aguardava seu processo de fusão com a terceira maior cervejaria mundial, Miller Brewing Company (1995 a maio 1998), a cervejaria Antarctica também aguardava há dois anos o processo com a americana Anheuser-Busch, a primeira do mundo e dona da marca Budweiser.  O tramite dos processos estavam em avaliação no órgão de defesa do consumidor brasileiro, o CADE, dando tempo às duas companhias brasileiras reverem a estratégia avaliada na ameaça de mercado. A Brahma realizou uma pesquisa e diagnosticou que a Antarctica poderia perder 8% do mercado nacional, suas ações na bolsa de valores estava estática há um bom tempo, ela passava também pelo processo de fusão com a Anheuser-Busch e deduziu claramente que a cervejaria Antarctica poderia ser engolida pela era da globalização, pelo processo de fusão ou compra.

A resposta para o ataque teve que ser rápido e imediato. A Brahma não levou a frente a fusão, a Antarctica rompeu com a fabricante da Budwiser e naquele encontro rotineiro entre os diretores brasileiros surgiu a maior empresa nacional de capital privado, a AmBev, sendo a terceira companhia mundial cervejeira. No momento da reunião, Teles diretor da Brahma e De Marchi diretor da Antarctica, tiveram a capacidade de vislumbrar a oportunidade do mercado externo para a nova companhia e também a capacidade interna de frear o avanço das multinacionais no mercado brasileiro. Afinal, a cervejaria nacional detinha 70% do mercado, 50 fábricas no território nacional, ocupou a condição de ser a terceira maior cervejaria do mundo e incluindo os demais produtos do seu mix, como por exemplo o refrigerante, chegou a quinta colocação no segmento mundial de bebidas. A AmBev primeira empresa nascida no capitalismo brasileiro mostrou claramente uma forte capacidade interna de responder aos ataques das empresas mundiais, também manteve a condição de frear as ações de marketing das multinacionais, preservando as outras companhias de bebidas nacionais, como a Kaiser e a Schincariol. Sem contar o desafio de conquistar as Américas!

Uma coisa é certa, a AmBev comprovou a capacidade de influenciar o ambiente externo. A matéria cita que a Brahma já era dona de 12% dos mercados argentino e venezuelano, e a fusão realizada com a Antarctica daria as duas cervejarias nacionais porte industrial necessário para enfrentar a competição naqueles mercados, onde as cervejarias locais mantinham 80% de participação mercadológica. A meta da AmBev era conquistar a América do Sul deferindo assim, uma forte disputa pelos mercados.

Bastos (2006) apontou quatro conceitos da estratégia competitiva, mas elucubraremos apenas um para reforça o último parágrafo acima. Como a AmBev mantinha 70% do mercado local, 50 fábricas no Brasil e participação em outros países da América do Sul e começara a partir à competição nos mercados sul-americanos. A ação de competição imposta pela AmBev se relaciona diretamente com todos os quatros conceitos, mas o primeiro conceito que o autor citou a estratégia baseada estrutura-conduta-desempenho desenvolvida por Poter (1980) é o foco principal. A gigante brasileira, a terceira companhia mundial de cerveja seguiu a risca tal estratégia e a maior preocupação é o setor onde a industria está inserida. Antes era local, passou para regional, foi indo até chegar a nacional e atualmente, mercados internacionais sendo voláteis, a preocupação do setor industrial cervejeiro passou a ser mundial.

O autor descreveu as cinco forças competitivas que influência diretamente no ambiente, o setor da indústria cervejeira: a força dos recursos financeiros da AmBev e tamanha participação no mercado brasileiro podem controlar qualquer ameaça das multinacionais, barreira de entrada. Se as duas fusões das empresas brasileiras acontecessem com as duas líderes do mercado mundial poderia acontecer a substituição dos produtos, ou seja, as cervejas Brahma e Antarctica poderia perder espaço para a Miller e Budwiser, a AmBev conseguiu bloquear a força competitiva, ameaça de substituição. A atual página da internet da empresa brasileira http://www.ambev.com.br/val_01b.htm, apresenta atualmente um conjunto de sete mil fornecedores de bens e serviços necessários para empresar funcionar e na etapa de aquisição de insumos, trabalha com diversos setores da economia; agrícola, energético, celulose, alumínio, químico, vidro, público além de favorecer os produtores da região do baixo Amazonas. Tamanho vigor pode exemplificar a terceira força competitiva, o poder de barganha de fornecedores. Referente à quarta força, o poder de barganha junto aos clientes, os números são impressionantes, a AmBev mantém milhares de distribuidores espalhados no país e para prospectar novos consumidores a concorrência é diretamente no ponto-de-venda visando penetrar as marcas do seu mix em diversas classes sociais por meio de ações de marketing. O objetivo é ganhar volume de venda e fornecer produtos com preços competitivos. A última força competitiva, a quinta, a rivalidade entre os competidores, não na esfera local, quer dizer no Brasil, mas na esfera internacional. A ação imposta pela AmBev no mercado sul-americano para conquistar fatia de mercado das empresas líderes em seus países mostra a força competitiva rivalidade entre os competidores existentes.

A finalidade da exemplificação comparativa das ações estratégicas da AmBev ligadas intrinsecamente com as teorias apresentadas pelo autor é somente para esclarecer as forças e fraquezas dos ambientes externos e internos e como eles influenciam na dinâmica da gestão. Mas como será a gestão interna da AmBev? Lembra quando foi apontada a ciência de Poter (1986) logo acima, foi apontado somente o primeiro conceito de um total de quatro da estratégia competitiva. As últimas duas capacitações a dinâmica e baseado em recurso são relevantes. Vale mais a pena, ir direto ao fato: Bastos (2006) ensina que o ambiente interno da firma está relacionado com a capacitação “conhecimentos tácitos” e os recursos “disponíveis”. Ele faz a reflexão que as estratégias competitivas só são possíveis quando o gestor consegue articular o dois ambiente, interno e externo enfatizando o acesso ao conhecimento. Demonstra claramente que as estratégias tecnológicas surgem da estratégia competitiva e aplicar teoricamente no mercado é muito importante para o sucesso das operações.
 

ESTRATÉGIA OFENSIVA: A DERROTA DO CAPITALISMO AMERICANO

Nos anos 90 muitos brasileiros criticavam a globalização dos mercados. Achavam que os produtos brasileiros perderiam espaço e como conseqüência das perdas mercadológicas as indústrias fariam demissões em massa. Porém, Temos que entender que por muitas vezes a empresa busca melhorar o processo de gestão e faz da demissão uma opção em prol do equilíbrio das operações financeiras.

A AmBev após executar a fusão com o grupo belga da Interbrew passou a ser dirigida pelo novo grupo InBev. Começou a distribuir as principais marcas de cervejas e bebidas brasileiras na América do Norte, Europa e Ásia. A InBev como citado antes, passou a ocupar a segunda posição mundial no mercado cervejeiro, mas a meta dos gestores era alcançar o primeiro lugar. O mercado globalizado não esperava pela estratégia ousada do presidente do grupo belgo-brasileiro Carlos Brito e dos principais acionistas individuais do grupo InBev: Marcel Telles, Carlos Alberto Sucupira e Jorge Lemann “todos ex-Brahma”.

A revista brasileira semanal Veja, edição 2070, de 23 de julho de 2008, direcionou a pesquisa científica ao mais próximo possível do modelo de gestão do grupo InBev baseado na estratégia ofensiva. A reportagem confirmou o modelo agressivo competitivo praticado pelo grupo belga-brasileiro visando conquistar o primeiro lugar mundial. A oferta de 52 bilhões de dólares para a compra da Anheuser-Busch, uma cervejaria americana, com mais de 150 anos de existência, indústria que é exemplo do capitalismo americano. A oferta da InBev praticado pelos gestores brasileiros balançaram o cenário globalizado mundial. A fabricante da Budweiser se rendeu ao capitalismo brasileiro.

Mediante aos fatos apresentados pela revista semanal, a ação da InBev pode ser caracterizado, empiricamente, como Estratégia Ofensiva. Segundo (Bastos 2006) as maiores empresas do mercado adotam na prática tal estratégia com o objetivo de conquistar liderança tecnológica no setor industrial cervejeiro. A InBev aplica o modelo de gestão praticado pelos gestores brasileiros da antiga Brahma.

Desde criação da InBev os brasileiros eram maioria no conselho da firam, no total de doze conselheiros, sete são brasileiros. E mais, outros 130 brasileiros estão nos quadros de diretores da InBev espalhados por todos os continentes. O autor frisa o seguinte: se as firmas buscam implantar a estratégia ofensiva, os gestores devem estar preparados para executarem investimentos em longo prazo e assumir riscos. A reportagem semanal retrata a nova gigante do mercado cervejeiro mundial: a Anheuser-Busch InBev que detém o faturamento de 37 bilhões de dólares ao ano, 46 bilhões de litros vendido anualmente, o valor de mercado é de 114 bilhões de dólares e o presidente da firma é Carlos Brito, ex-Brahma. Os gestores brasileiros ficaram a frente do negócio e afirmaram que nos próximos cinco anos o grupo não poderá pensar em aquisição, pois estarão empenhados no trabalho para pagar o gigantesco empréstimo tomado junto aos bancos. Essa passagem exemplifica obviamente os ricos citados por Bastos pelas empresas que optam por implantar a estratégia ofensiva.

Cientificamente, Bastos (2006) cita as seis estratégias tecnológicas de Freeman (1997) onde as empresas têm como possibilidades de incorporar na inovação e estratégia competitiva. Não serão descritas todas, mas as mais abordadas na gestão do grupo InBev e que direcionaram a compra da empresa cervejeira símbolo do capitalismo americano. A escolha da estratégia pelo conselho deliberativo e diretores da ImBev determinou no momento correto a negociação com a fabricante da Budwiser e utilizou o conhecimento “tácito” da área econômica e industrial cervejeira. A empresa visa aplicar o modelo de gestão brasileiro para reorganizar a estrutura organizacional das novas fábricas no mercado americano, investir recursos financeiros para ter maior capacidade competitiva e poder obter o retorno do investimento financeiro a médio e longo prazo.

Os americanos acostumados a praticar os métodos capitalistas no mercado globalizado não suportaram o duro golpe da ação estratégica competitiva brasileira. A revista semanal citada, afirma que os políticos e sindicalistas americanos mostraram a sua insatisfação elevando o tom de voz contra a operação belgo-brasileira. Infelizmente eles esqueceram a quantidade de vezes que aplicaram os mesmo métodos competitivos em países em desenvolvimento. O candidato à presidência dos EUA, Barack Obama, saiu em defesa da compania americana, afirmando que seria uma vergonha ver os estrangeiros serem donos da Bud. Também existiu a ação de bloqueio por métodos tecnológicos, isto é, websites desenvolvidos para tentar barrar as operações da InBev. Os americanos eram convidados a deixar mensagens de incentivo contra a venda da Bud à InBev.

Dando maior amplitude aos métodos da estratégia ofensiva à matéria publicada no site http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2004/3/9/noticia.109599/, no ano de 2004, que relata a competição entre as duas maiores companias mundiais. A fusão que originou a InBev deixou a companhia na primeira posição mundial, ultrapassando, naquele momento, Anheuser-Busch. Em um segundo momento, no primeiro trimestre do ano corrente, o site http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/02/06/sabmiller_desbanca_inbev_da_lideranca_1180324.html, informou a perda de liderança da InBev. A cervejaria inglesa SABMiller conquistou um forte crescimento no mercado chinês e adquiriu a cervejaria holandesa Grolsch alcançando a primeira posição mundial entre as cervejarias. A fabricante americana da Budweiser despencou para a quarta posição no ranking mundial, já o terceiro lugar passou a ser ocupado pela Heineken. A busca contínua pela liderança do ranking das firmas multinacionais cervejeiras comprova a prática da ciência administrativa entre as gestões das empresas. A oscilação pela liderança aponta que as empresas não adotam somente um modelo das estratégias citado por Bastos (2006), elas executam a ciência de forma a manterem um melhor posicionamento conforme a mudança no mercado.

Os conhecimentos tácitos apontados pelo autor citado acima fazem parte do sucesso do plano administrativo das firmas. A InBev retornou ao topo do ranking mundial das cervejarias, mas existe uma disputa acirrada pelo processo de pesquisa e desenvolvimento para suprir o recuo da demanda cervejeira imposta pela Lei Seca que pune o condutor de veículo quando este apresenta teor alcoólico acima do limite permitido. O site de noticiais http://www.bemparana.com.br/index.php?n=79033&t=empresas-disputam-o-1-chope-sem-alcool, ilustra a corrida na disputa de mercado pelo aparecimento da nova demanda de consumidores. A ciência de Bastos (2006) traduz empiricamente a disputa entre as duas multinacionais: ao lançar um novo produto no mercado, o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento é altíssimo e contínuo, se estende até o pós-lançamento, como no caso da cerveja sem álcool Liber fabricada pela AmBev no ano de 2004. Ao lançar a versão em chopp, é natural que sejam desenvolvidas ações em marketing para aproximar o produto aperfeiçoado da nova demanda dos consumidores. Esse estudo de caso, fomenta o quanto é importante a articulação contínua da estratégia tecnológica e competitiva.
 

CONCLUSÃO

O processo de competição globalizada imposta pelas multinacionais impõe comportamento, pensamento lógico, rápido e eficaz por parte dos gestores do mercado interno ou mundial. O estudo de caso AmBev demonstrou como é possível sair da condição de ameaçados e chegar ao topo do ranking mundial dos fabricantes de cervejas aplicando os fundamentos da ciência administrativa, como a exemplo da Estratégia Ofensiva.

A apresentação dos processos de fusões realizada pela empresa AmBev desde 1999 até a contemporaneidade, proporcionou o estudo empírico do paradigma: Inovação e Estratégia Competitiva, demonstrando a capacidade interna de a empresa responder às flutuações do ambiente externo, como por exemplo, a dificuldade para barrar as ações das multinacionais no mercado brasileiro e aproveitar as oportunidades como a compra da cervejaria símbolo do capitalismo americano. Tais fatos demonstram que a cultura agressiva competitiva do presidente da Inbev e dos principais acionistas, todos ex-diretores da cervejaria Brahma, torna-se tanto um elemento do recurso estratégico, como também um conhecimento tácito do mercado cervejeiro mundial que ajuda a manter a liderança em mercados locais.
 

BIBLIOGRAFIA

BASTOS, Paulo Tigre. Gestão da Inovação. São Paulo: Editora Campus, 2006.


http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL733362-9356,00-DIRIGENTE+DA+AMBEV+DIZ+QUE+LEI+SECA+NAO+PREJUDICA+NEGOCIOS+DO+GRUPO.html

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL729469-9356,00.html

http://indexet.gazetamercantil.com.br/arquivo/2004/03/03/484/AmBev-confirma-fusao-com-Interbrew.html





http://portalexame.abril.com.br/ae/economia/m0166768.html


http://portalexame.abril.com.br/degustacao/secure/degustacao.do?COD_SITE=35&COD_RECURSO=211&URL_RETORNO=http://portalexame.abril.com.br/negocios/m0164099.html

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http://portalexame.abril.com.br/degustacao/secure/degustacao.do?COD_SITE=35&COD_RECURSO=211&URL_RETORNO=http://portalexame.abril.com.br/negocios/m0160578.html

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0913/gestaoepessoas/m0153596.html




http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0925/tecnologia/m0166386.html


http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=786737&tit=InBev-compra-Bud-por-US52-bi-e-cria-maior-cervejaria-do-mundo

http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/02/06/sabmiller_desbanca_inbev_da_lideranca_1180324.html

http://veja.abril.com.br/070799/p_136.html




http://www.bemparana.com.br/index.php?n=79033&t=empresas-disputam-o-1-chope-sem-alcool


http://www.fyi.blog.br/gestao-empresarial/fusoes-e-aquisicoes-a-inbev-atras-da-lideranca-mundial-no-mercado-de-bebidas.html

http://www.sindicerv.com.br/mercado.php



Revista Veja, nº 2070. São Paulo: Editora Abril, 23 de julho de 2008.

Revista Veja, nº 2077. São Paulo: Editora Abril, setembro de 2008.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Projeto de Pesquisa: análise do mercado surfwear na cidade de Aracaju

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

CURSO DE PÓS-GRADUADAÇÃO EM MARKETING

DISCIPLINA: COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

PROFª: VERA LÚCIA NOVAES PROVINCIALI

ALUNO: CARLOS FABRÍCIO RIBEIRO DA CRUZ



PROJETO DE PESQUISA: ANÁLISE DO MERCADO SURFWEAR NA CIDADE DE ARACAJU.

ARACAJU/SE
NOVEMBRO - 2008

NOVEMBRO - 200
1. INTRODUÇÃO

 Na contemporaneidade presenciamos exaustivamente as ações de marketing nos mais variados segmentos mercadológicos no Brasil. A preocupação das empresas que compõem o atual cenário competitivo é a busca incessante no desenvolvimento e na inovação tecnológica de produtos e serviços para os mais variados grupos de unidades compradoras. Entretanto, a fragmentação dos veículos de comunicação proporciona à unidade compradora um maior fluxo de informação nos mais variados canais, contribuindo para o esclarecimento e a manipulação dos produtos e serviços, construção do valor da marca e implantação ou alteração de hábitos de comportamento e compra dos consumidores.

O desenvolvimento das ações de marketing depende do estudo dirigido do comportamento do consumidor. A investigação é essencial para compreender todos os processos da unidade compradora envolvida na aquisição dos produtos, serviços, experiências e idéias para posteriormente fundamentar o ambiente da troca. Vale ressaltar que a troca é um dos processos mais importantes no estudo do comportamento do consumidor, uma vez que a unidade compradora adquiri tal produto ou serviço por determinada praticidade, e o produto ou serviço ofertado no mercado terá que satisfazer e até mesmo, superar a praticidade esperada pela unidade de compra.

É bom frisar que a unidade compradora é soberana por ser o centro da atenção e ter o poder de decisão para efetuar a compra. Mas para chegar à decisão existem influências e comportamentos que estão ligados intrinsecamente aos fatores culturais, sociais, pessoais e psicológicos.  Por muitas vezes a unidade compradora busca valores simbólicos que poderão ser apresentados entre a sociedade prevalecendo uma forma de transparecer ou identificar a si mesmo.

A teoria psicanalítica desenvolvida por Sigmund Freud expressa de forma clara e objetiva as implicações de seu uso pelas ferramentas do marketing, inclusive a publicidade e propaganda, alimentando o sonho da unidade compradora através das representações simbólicas para ativar a motivação do inconsciente e operar nos impulsos instintivos. Ou seja, não é simplesmente o ato do consumo pelos atributos dos produtos e serviços que satisfará a unidade compradora, mas todos os códigos e significados simbólicos que proporcionarão aos consumidores se identificarem com determinados grupos ou sublimar as aspirações sociais ligadas aos esportes, como por exemplo, o golfe, o tênis, o futebol, o surf, etc.

É nesse cenário de simbolismo e identificação que as mais variadas empresas nacionais desenvolvem campanhas publicitárias transferindo valores, tendências, comportamentos e aspirações para o target previamente definido por profissionais comunicólogos. Torna-se fácil constatar o estudo de caso proposto por Freud sendo bastante utilizado no universo da comunicação: as construtoras usam o artifício do simbolismo para vender os seus empreendimentos super requintados, por isso, a utilização de imagens ligadas ao tênis, ao golf, a caneta Mont Blanc, ao colar de diamante, as mais requintadas bebidas, aos ambientes empresariais, etc., são bastante exibidas nos comerciais para que o target proposto pela campanha possa se identificar e vivenciar as aspirações de pessoas de sucessos, pessoas que venceram na vida e optam pelo o que há de mais luxuoso.

Como podemos constatar o universo do simbolismo transmitido pelos comerciais de televisão vai de encontro com as aspirações mais próximas possíveis da personalidade de um único indivíduo. Entretanto, diversas pessoas agrupadas com o mesmo traço de personalidade compõem grupos distintos de consumidores. Os traços de personalidades transmitidos nas peças publicitárias representam o universo de transformação dos consumidores ao longo da evolução da vida e por isso, a utilização dos símbolos pelas principais marcas que compõem o mercado corresponde de acordo com a perspectiva de influenciar o comportamento do consumidor em relação ao seu momento vivido.

As marcas transparecem nos anúncios publicitários o sonho de consumo ou o desejo de ser e de fazer parte da vida da unidade compradora. Para representar as aspirações do simbolismo o uso de imagens que compõem ambientes e comportamentos ligados inseparavelmente do universo representado pela propaganda instigam a vontade da unidade compradora de se transformar, de ser ou de fazer parte dos símbolos remetidos pelo o anúncio publicitário.

Esse universo de representação simbólica será mais uma vez impregnado nas peças publicitárias que estamparão a temática “verão2009” e apresentarão diversas marcas. Para os brasileiros o verão faz parte do seu cotidiano, principalmente para os nordestinos onde o sol brilha quase todos os 365 dias do ano. A pele bronzeada, o uso da sunga, do maiô, do biquíni, da roupa leve transparece o clima de sedução, alegria e euforia dos consumidores das mais variadas idades. Outro fator preponderante são os momentos sazonais como a festa natalina, reveillon e carnaval que levam milhares de pessoas a se deslocarem às mais de 1.500 praias catalogadas nos 7.637 quilômetros de costa brasileira.

Nesse clima de alta temperatura e estadia nas praias os consumidores movimentam os corpos com a prática de esportes na areia, como por exemplo, o vôlei de praia, peteca, frescobol, futevôlei, beach soccer, handbeach, basquete de areia, etc.. Também tem os esportes náuticos: vela, windsurf, bodyboarding, jet sky, pesca submarina, caiaques, canoas, banana-boat, iatismo, entre outros. Mas o esporte que representa simbolicamente o verão brasileiro nas mais variadas peças publicitárias é sem dúvida a prática do surf para compor o ambiente perfeito do verão: as praias brasileiras.

São muitas empresas que exploram em suas peças publicitárias a imagem surf. A variedade de produtos e serviços é infinita, mas vale destacar os principais segmentos de anunciantes: bancos, cervejarias, lojas de departamentos, shopping centers, secretarias dos governos federais, estaduais e municipais, rede de postos de combustíveis, telefonias móvel e fixa, supermercados, hipermercados, concessionárias de veículos, rede de farmácias, etc.. Como podemos constatar, o uso exacerbado da imagem surf estampa diversos anúncios que transmitem os códigos de comportamento, da cultura surf, do estilo de vida dos praticantes do esporte, da vida saudável e da vida liberta. Por outra vertente leva milhares de pessoas a transparecerem a própria auto-imagem, isto é, de como elas gostariam de se vê ou serem vistas, de quererem fazer parte da esfera surf ou até mesmo ser realmente da esfera surf.


1.1 UM POUCO DA HISTÓRIA DO SURF


Poucos livros tratam da historicidade da prática do surf, mas diversos relatos apontam o esporte como lendário, surgido no ano 900 DC, nas Ilhas Polinésias. O site www.vwbr.com.br/PlanetaVW/SuperSurf/MundoSurf/Historia.aspx conta que o rei do Taiti navegou até o Havaí remando e surfando com uma prancha. No percurso teve a oportunidade de conhecer diversas ilhas, mas somente na ilha de Kauai, na praia de Mokaiwa, no Havaí que ele encontrou ondas sólidas para a prática do esporte. No ano de 1778, o capitão James Cook, chegou ao Havaí e se deparou com nativos se equilibrando nas ondas sobre enormes troncos de madeira. Naquele momento o surf era tratado com uma cerimônia religiosa entre os nativos e em seguida foi discriminado pelos colonizadores europeus ao explorarem as terras havaianas no ano de 1821.

Nos jogos Olímpicos de Estocolmo, no ano de 1912, o havaiano Duke Kahanamoku surpreendeu a todos ao ganhar a medalha de ouro na natação. Os comentários após a vitória se voltaram para sua forma física, os métodos de treinamento de Duke. Em entrevista ele declarou que praticava o Heenalu Surf, naquele momento esporte desconhecido por todos. Duke, conhecido como o homem-peixe é considerado o responsável pela popularização do esporte em todos os continentes, pois posteriormente as olimpíadas ele foi para a Califórnia e ao praticar o surf transformou os EUA como o berço do desenvolvimento do esporte.

No Brasil o esporte começou a se desenvolver com a chegada das pranchas havaianas através dos turistas. Como Duke desenvolveu o surf na Califórnia, o Osmar Gonçalves desenvolveu por aqui. Ele ganhou uma publicação americana do seu pai, um grande exportador de café no país, o projeto editorial ensinava passo-a-passo a fazer uma prancha de surf. Osmar juntamente com seus amigos fez a primeira prancha. Ela media mais de três metros e pesava cerca de 80 kg.

Na década de 30 começaram a aparecer os primeiros surfistas na cidade de Santos, no estado de São Paulo. Na cidade do Rio de Janeiro chegaram na década de 40, por meio da segunda guerra mundial, através dos soldados norte-americanos que praticavam o esporte para se divertir e manter a forma. Na década seguinte as praias do Rio de Janeiro ficaram lotadas de praticantes.

Na década de 60 o esporte começou a se desenvolver com a chegada das primeiras pranchas de fibra de vidro, na metade da década surgiu a primeira entidade representativa do esporte no Brasil, a Federação Carioca de Surf, responsável pela primeira organização e realização do campeonato nacional. Na década de 70 as praias do Arpoador localizadas na capital carioca, e a praia de Itaúna, na cidade de Saquarema, tornaram-se referência na prática do esporte. Nos anos 80 o esporte foi se profissionalizando, surgiram novas lojas de pranchas e acessórios, publicações impressas, indústrias de confecções surfwear, campeonatos mundiais e novos competidores profissionais.

1.2 NÚMEROS DO MERCADO BRASILEIRO DE SURF


Atualmente o mercado nacional de surf movimenta uma grande soma de dinheiro. Nos últimos cinco anos o mercado cresceu 100%, no ano de 2007 o mercado brasileiro movimentou cerca de cinco bilhões de reais. Na cidade de São Paulo são mais de um milhão de simpatizantes e apaixonados por surf. Os números são absurdos, só para ter noção, são mais de três mil pontos-de-venda em todo o Brasil, 400 mil empregos diretos e cerca de mais de um milhão de empregos indiretos.


1.3 CULTURA DE PRAIA


Se analisarmos friamente os dados apresentados acima, poderemos constatar que não é só o praticante de surf que consome as marcas de roupas e acessórios do mercado surfwear. Existe uma legião de usuários que se aproximam do esporte, seja direto ou indiretamente. A mídia nacional tem um papel determinante para a absorção da cultura do esporte, pois o que é exibido nas principais mídias não são só as informações dos campeonatos locais e mundiais, mas também conteúdo televisivo por meio de novelas, filmes, seriados e anúncios publicitários.

Mas quais são os fatores preponderantes que influenciam o comportamento de compra dos produtos surfwear? Como podemos constatar a prática de surf faz parte da esfera cultural de vários países mundiais. Não é só cultura, também é religião, é um modelo de comportamento sócio-cultural que rompe países e estilos de vida, de línguas, sinais e dialetos refletindo uma forma alternativa de viver alegremente e de ser saudável.

No Brasil a cultura de praia é vivenciada por milhões de brasileiros, principalmente nos períodos de alta estação. Podemos afirmar que a subcultura de cada região brasileira, isto é, as regiões litorâneas, mantêm a cultura de beira de praia e leva milhões de adeptos à prática de surf movimentando a economia local e consequentemente desenvolvendo a cultura mundial do surf. Temos que afirmar que a cultura de beira de praia não arrasta somente os praticantes do esporte, mas milhões de pessoas que sofrem influências dos fatores sociais, como por exemplo, dos grupos de referências, “a tribo do surf”.

Não existe uma classe social determinante para exercer o processo de compra. Muito pelo contrário, diversas praias próximas as regiões mais carentes desenvolvem projetos sócio-educativos entre os mais jovens, com o objetivo de viabilizar o ingresso dos alunos aos campeonatos locais, ou até mesmo, afastar tais jovens da ociosidade, das drogas e da marginalidade. Os projetos viabilizam os fatores pessoais, como o estilo de vida, entre esses jovens, tornando-os futuros consumidores do mercado surfwear e abrem percepção dos fatores psicológicos das classes mais elevadas. Isto é, com tantas matérias jornalísticas impressas e televisivas, documentários, novelas, filmes, eventos, movimentações artísticas e materiais editoriais podem levar os mais abastados a desenvolver motivação, crenças e atitudes para adquirir os produtos surfwear. Mas o que representa simbolicamente os produtos e acessórios para os consumidores, praticantes do esporte ou não?


2. PROBLEMA DE PESQUISA


O mercado surfwear nacional está em um nível profissional acima de muitos esportes difundidos e apreciados por milhões de brasileiros. Não podemos deixar também de afirmar que o surf nunca foi visto com bons olhos por vários segmentos da sociedade, pois ele sofreu um forte processo discriminatório nos anos 70, 80 e 90.

Para muitos segmentos abastados da sociedade, o surf era visto como um esporte de pessoas vãs, usuários de drogas e sem a mínima representatividade sócio-cultural e profissional no Brasil. Será que em outros esportes de alto nível não existe o caso de doping ou do consumo de drogas ilícitas? Entretanto, o cenário representativo da cultura de beira de praia nos leva a ver a grande mudança de visibilidade no século XXI: o surf é um esporte de alto nível, praticado por crianças, jovens, adultos, idosos, deficientes físicos, homens ou mulheres. A indústria surfwear movimenta um grande volume de dinheiro, existe um grande conglomerado de mídia segmentada, fomenta o turismo mundial em diversas regiões no país, gera emprego e renda para milhões de brasileiros, mantém uma elite de competidores profissionais que representam o país em competições mundiais, etc.

O principal problema de pesquisa consiste no fato de como as pessoas que formatam a sociedade aracajuana, surfistas ou não, são motivadas a adquirir as roupas e acessórios ligados ao universo surfwear. 

É correto afirmar que através da forte percepção provocada pelo uso exacerbado das imagens representativas, ou melhor, simbólicas que aparecem nos anúncios publicitários ou nas produções televisivas e cinematográficas, a exemplo da novela Três Irmãs, exibida pela Rede Globo pode interferir na preferência de compra da unidade compradora em optar por marcas ligadas diretamente ao esporte no mercado aracajuano. Mas será que existem outros fatores que influenciam em optar pela aquisição das roupas e acessórios surfwear?


2.1 OBJETIVO GERAL


O objetivo geral é verificar quais percepções levam os aracajuanos a adquirirem roupas e acessórios do mercado surfwear no mercado local.


2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS


Identificar quais são os diferencias perceptíveis dos aracajuanos ao adquirirem as roupas e acessórios ligados ao universo surfwear.

Verificar o perfil do consumidor que adquire roupas e acessórios surfwear.

Detectar as principais mídias que abrem a percepção para a comercialização das roupas surfwear.

Verificar a aceitação dos produtos e percepção das marcas surfwear pela unidade compradora.


2.3 QUESTÕES DE PESQUISA


Será que os consumidores aracajuanos já adquiriram roupas e acessórios surfwear?

O que motiva os aracajuanos a adquirirem as roupas e acessórios ligados ao esporte?

Quais os diferenciais que os consumidores têm das roupas e acessórios surfwear?

Quais as marcas surfwear mais conhecidas entre os consumidores de aracajuanos?

Qual a visão que os aracajuanos têm referente ao esporte?

Quais as mídias mais incisivas na percepção do esporte que podem levar para o ato de compra ou comportamento?



2.4. HIPÓTESES



Se eles consumiram ou consumiriam produtos ligados ao esporte ou não, quais os motivos mais pertinentes.

Existem realmente diferentes segmentos de público que podem ser atendidos pelas lojas surfwear na cidade Aracaju.

Os consumidores aracajuanos compram roupas e acessórios de lojas ligadas diretamente ao esporte, ou adquirem das grandes lojas de departamento.

Quais são os produtos da indústria cultural que mantêm maior incidência no comportamento do consumidor.

Os consumidores enxergam a prática do surf como um esporte de alto nível que traz benefícios ligados ao comportamento e a saúde do praticante ou mantém a visão difusa que não agrega valor ao esporte.

2.5 JUSTIFICATIVA


A partir da década de 90 a cidade de Aracaju vem passando por um forte aumento no fluxo migratório de novas pessoas ou famílias vindas de outros estados do Brasil e das cidades circunvizinhas. O aumento desse fluxo favorece a inserção de novos hábitos de comportamento e consumo entre os que nasceram e foram criados na cidade. Como conseqüência, o desenvolvimento sócio-econômico-cultural vem se tornado referência na região nordeste abrindo cada vez mais a percepção das principais qualidades da cidade aracajuana: desenvolvimento econômico, moradia, segurança, calmaria, belezas naturais, população receptiva, etc.. O desenvolvimento favorece o aumento do fluxo turístico ou na migração de novos habitantes na terra dos papagaios e cajueiros.

O processo de transição de novos hábitos de comportamento demonstra que as pessoas buscam no momento de lazer, diversão, contato com a natureza, nesse caso, as praias aracajuanas. Fica perceptível para os segmentos empresariais a transição de comportamento e por isso, passam a promoverem produtos e serviços nas principais mídias publicitárias representando o universo da cultura de beira de praia.

Também existe o aumento perceptível das lojas de departamentos e das lojas especializadas surfwear que contribuem para a popularização da prática do esporte e conseqüentemente da cultura surf. Não existe um número concreto dos praticantes, mas torna-se visível o crescimento da tribo do surf nas praias aracajuanas. A difusão da imagem através dos meios de comunicação por meio das matérias jornalísticas esportivas favorece o crescimento e desenvolvimento do esporte.

Os números do mercado surfwear apresentados na introdução refletem claramente a importância do segmento na economia brasileira e local, onde movimenta bilhões de reais por ano. Mas serão somente os surfistas que consomem as roupas e acessórios ligados ao esporte? E qual a percepção da cultura surf pelos consumidores ao adquirirem os produtos surfwear?

Outro fator preponderante para buscarmos entendimento sobre o estudo de mercado é se o consumidor, no momento da troca, tem a noção do produto adquirido: ele está relacionado diretamente às principais marcas que investem no desenvolvimento surf, na realização dos campeonatos e na inovação tecnológica dos produtos que compõem a prática do esporte. Isto é, existem muitas lojas de departamentos utilizando design têxtil objetivando vincular ao produto os simbolismos da cultura surf, mas não fazem investimentos concretos em campeonatos, na profissionalização dos atletas competidores, na inovação tecnológica dos produtos, em campanhas ambientais objetivando a educação da população a respeito da degradação das praias, no apoio e incentivo de projetos sociais vinculados diretamente à prática do esporte, etc.

E por último, haja vista uma vasta diversificação nos tipos de mídias, nos produtos desenvolvidos pela indústria cultural em geral que exibem a forte percepção das simbologias da tribo do surf, mas que é esse consumidor, como ele se comporta no planejamento de compra e de que forma ele visualiza a compra do produto, ou não.


3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA PARCIAL SOBRE O TEMA DE PESQUISA

Existem alguns estudos no campo acadêmico brasileiro, diversas áreas de estudo tecem informações científicas referente a prática do esporte, o desenvolvimento do mercado, a visibilidade que o esporte mantém, o comportamento de compra do praticante do esporte, estudo segmentado de mídia, etc. Mas a área que mantém maior abrangência é o crescimento do mercado, pelo fato de crescer mais de 100% em apenas quatro anos e originar diversas empresas que mantém marcas próprias, ou franquias das maiores empresas a nível nacional, ou lojas de revenda de roupas e acessórios.

No estado de Sergipe, nas cidades litorâneas onde mantêm a prática do esporte existe lojas que revendem as principais marcas do país. Outro fato interessante é a presença das roupas e acessórios nas cidades com maior concentração de pessoas, como Itabaiana, Lagarto, Nossa Senhora do Socorro, etc. Na cidade de Aracaju existe uma maior concentração de lojas e praticantes do esporte, mas não existem pesquisas que forneçam números de mercados concretos para avaliarmos e estudar mais profundamente o mercado. Esse paralelo aberto pela falta de estudo, proporciona o desenvolvimento de estudos dirigidos no comportamento do consumidor e pesquisas de mercados.

Ao questionarmos a falta de dados concretos no mercado partimos para o campo da análise perceptiva. Identificamos a estrutura das empresas que fazem parte do comércio aracajuano. Elas revendem roupas e acessórios das principais marcas do país, pois não existe uma fábrica de roupa surfwear no estado de Sergipe. Existem algumas marcas locais que compram as roupas e acessórios sem marcas nos principais centros do Brasil e em seguida fixam as etiquetas que estampam suas marcas. Os números de marcas locais não passam de três empresas representativas ao esporte. Existem também as grandes lojas de departamentos localizadas no centro da cidade e nos dois shoppings de Aracaju.

Como podemos constatar o mercado e a área acadêmica são carentes de estudos dirigidos ao comportamento do consumidor e as pesquisas mercadológicas no segmento surfwear. Essa lacuna proporciona o estudo empírico para apoiarmos concretamente a análise do comportamento do consumidor. Existem algumas publicações editorias brasileiras segmentadas ao esporte, mas avaliaremos o estudo de caso por autores de diversas áreas como o comportamento do consumidor, marketing, publicidade e propaganda, psicologia, etc.

A autora Klein (2002) cita que o mercado mundial percebeu que as marcas não são puras e simplesmente produtos ou serviços. Ela vai além da sua funcionalidade, apresenta-se de frente para os consumidores como um diferencial de vida, de prazer, de conjuntos de valores e comportamento. Ela cita que no ano de 1992 o número demográfico de adolescentes na América aumentou consideravelmente e devido a isto, muitas empresas estavam obtendo baixos índices de crescimento. Para a autora o erro das equipes de marketing era a segmentação difusa da faixa etária, pois elas pensavam que os consumidores estavam cegos por suas marcas, mas o caso não era a cegueira, era a incompatibilidade de produtos e serviços para uma faixa etária que não fazia parte do estudo demográfico do ano de 1992. A autora vai além, ela cita que muitas empresas que focaram a demografia dos jovens estavam em forte expansão de mercado, como por exemplo, a MTV, Microsoft, Nike, Netscape, etc.

Outro fator de grande relevância para o estudo do comportamento do consumidor é quando Klein (2002) apresenta as empresas norte-americanas que souberam inovar tecnologicamente os seus produtos e serviços, e posteriormente, conseguiram adequar de forma correta os produtos e serviços para o crescente número de jovens segmentados. Os produtos e serviços não eram vendidos somente para os adolescentes, mas para os adultos também, ou melhor, como a própria autora cita, os imitadores crescidos. Esse segmento crescido era composto pelos pais ou pelas pessoas adultas que compõem as famílias dos adolescentes.

Aqui cabe a nós fazermos um contra ponto: se o berço do desenvolvimento do surf foi a Califórnia, nos estados unidos, e na década de 90 o esporte passou a ganhar maior notoriedade no mercado mundial, inclusive no Brasil, e especificamente na cidade de Aracaju, e em contra partida o número de adolescente naquela década tinha aumentando, então existiu uma forte possibilidade de os adolescentes praticarem o esporte, e esses adolescentes da década de 90 são adultos nos dias atuais. Aqui cabe pensarmos da seguinte forma: já que os fatores que influenciam o comportamento de compra como os culturais, sociais, psicológicos e fatores pessoais. Cabe analisarmos especificamente os fatores pessoais, que envolvem o clico de vida “estágios da idade”, o estilo de vida e condições econômicas. A composição família (pais) nos dias atuais era adolescente na década de 90, então podemos afirmar que o fator social nos dias atuais, como família, pode influenciar uma alternância de comportamento entre pais e filhos, como ocorreu no estudo de marketing realizado pelas empresas que mais cresceram na década de 90 no mercado americano. A partir desse pressuposto, poderemos afirmar que o mercado surfwear aracajuano pode ser composto por imitadores crescidos com citou a autora.

Outro objeto de estudo empírico bastante interessante é o fator da congruência proposta pela teoria psicanalítica de Sigmund Freud, que existe quando o consumidor opta por determinados produtos e marcas que transparecem o que eles são ou que gostariam de ser. Se existe uma incompatibilidade entre os números de surfistas que consomem os produtos surfwear em relação ao crescimento de visibilidade e lucrabilidade das marcas ligadas diretamente ao esporte, a teoria da congruência abre perspectiva para analisar os consumidores aracajuanos. Ao adquirir as roupas e acessórios os consumidores se vêem como praticante ou simpatizante da tribo do surf.  A publicidade contribui para a formatação dos significados simbólicos relacionados ao esporte, remetendo códigos visuais nas suas peças publicitárias. Dessa forma a opção dos consumidores optarem pelo uso das marcas que compõem o universo surfwear estampados nas roupas ou acessórios poderá provocar ostentação junto à sociedade.

O fator envolvimento entre as roupas e acessórios surfwear e consumidor dá origem ao processo de percepção que está relacionado com a memória. Ela ajuda a organizar o processo de exposição das informações dos comerciais publicitários que criam estímulos nos consumidores, onde levará para o processo do estágio da exposição das simbologias ligadas diretamente ao esporte. É a partir dos órgãos sensoriais dos consumidores que são ativados todos os mecanismos de informação do universo surf. A atenção é a capacidade cognitiva para um estímulo, fortalece a maneira que a mensagem publicitária pode ser processada pelo consumidor, seja pela atenção preliminar, voluntária e involuntária.

O estágio de compreensão permite aos consumidores perceberem as formas, as figuras e as linhas em seu mundo visual. A Gestalt (padrão ou configuração) é muito usada, assim como, a semiótica: que é área de estudo que analisa o símbolo e seus significados. E as marcas e códigos visuais trabalhados pelos anúncios publicitários, novelas, projetos editorias, etc., utiliza-se para remeter todos os significados simbólicos do universo surf. 


4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.1 TIPO DE PESQUISA

O tipo de pesquisa será a de mercado.


4.2 UNIVERSO DE PESQUISA


A pesquisa será realizada nos principais shoppings de Aracaju, nas universidades, no centro da cidade (calçadões João Pessoa e Laranjeiras) e na orla da praia da Atalaia. Todos os ambientes citados são freqüentados por uma vasta diversidade sócio-econômica de público e perfis psicográficos variados, que consomem produtos midiáticos e são classificados como sendo prováveis consumidores das roupas e acessórios surfwear.
4.3 SUJEITO DE PESQUISA
Compreende prováveis compradores ou adeptos que praticam ou convivem com o ambiente surfwear. Homens e mulheres acima de 10 anos que têm poder de influenciar ou decidir a compra das roupas e acessórios do mercado surf.


4.4 AMOSTRA


Será utilizado um modelo de amostra probabilística simples onde o objeto de estudo torna-se o próprio mercado surfwear, assim como os aspectos definidores de sua composição, entre eles o perfil dos consumidores, os hábitos de compra e a percepção das marcas surfwear no mercado aracajuano.


4.5 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS


O instrumento de coleta de dados incorpora o modelo de questionário com perguntas abertas e fechadas de análise qualitativa e quantitativa, aplicado em pontos previamente estabelecidos no universo de pesquisa e datas a confirmar.

Modelo: Este questionário é parte de um estudo de pesquisa mercadológica que visa conhecer um pouco mais da sua preferência como consumidor do mercado surfwear. Será mantida a identidade anônima do entrevistado de acordo com sua preferência.

1)Qual a sua idade?

(   ) 10 a 17 anos.

(   ) 18 a 25 anos.

(   ) 26 a 33 anos.

(   ) 34 a 41 anos.

(   )mais de 41 anos.


2)Prencher de acordo com o sexo do entrevistado:

(   )Masculino (   )Feminino

3)Atualmente qual é o seu estado civil?

(   )Solteiro(a)

(   )Casado(a)

(   )Divorciado(a)

(   )Outros


4) Você pratica o esporte surf?

(   )Sim               (   )Não

5) Você já comprou roupas ou acessórios ligados diretamente a prática esportiva surf? Se a sua resposta for sim, informe a média de tempo que você leva para efetuar as suas compras de produtos surfwear e o nome da loja que efetuou a compra.

(   )Sim               (   )Não

R:

6) O que te motiva a adquirir produtos ligados ao esporte surf?

R:


7)Cite o(s) diferencial(is) das roupas e acessórios surfwear quando comparadas com outros modelos de roupa.

R:

8)Você conhece algum surfista da cidade de Aracaju? Se a resposta for sim indique o grau de relacionamento.

(   )Sim               (   )Não

R:


9)Cite um ou mais marcas de roupas e acessórios ligados diretamente à prática do esporte.

                   R:


10)Qual(is) a visão(ões) que você tem referente aos praticantes do esporte surf?

                   R:


11)Em que mídias publicitárias você já viu a imagem surf ser divulgada?

(   )Jornais televisivos

(   )Jornais impressos

(   )Fachadas de empresas “vitrines”

(   )Web Pages-Internet

(   )Outdoor

(   )Novelas

(   )Filmes

(   )Minisséries

(   )Panfletos e Folhetos

(   )Novelas

(   )Mostra Cultural

(   )Campeonatos Locais

(   )Roupas e acessórios de quem pratica o esporte

(   )Comercial de televisão

(   )Luminosos e painéis

5. BIBLIOGRAFIA


KLEIN, Naomi. Sem Logo. A tirania das marcas em um planeta vendido. São Paulo: Editora Record, 2002.

KLOTER, Philip. Marketing para o século XXI. São Paulo: Editora Futura, 1999.




http://mkt360.blogspot.com/2008/07/mercado-do-surf-movimenta-r-5-bilhes-no.html


Revista Hardcore, nº 192. São Paulo: Editora Nalu, agosto de 2005.

Revista Alma Surf, nº 22. São Paulo: Editora Cosmos do Brasil, julho/agosto de 2004.

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