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quinta-feira, 7 de março de 2024

Projeto de Lei para Motoristas de Aplicativo aponta avanços e críticas


O projeto de lei tem como objetivo regulamentar a atividade dos motoristas de aplicativo, estabelecendo novas regras para sua atuação. Entre os pontos principais estão a inclusão obrigatória na Previdência Social para o trabalhador autônomo por plataforma gerida pelos empregadores, o que pressupõe o não vínculo empregatício, a definição de um valor mínimo de remuneração por hora de corrida e a negociação via acordos coletivos.

O professor de Direito do Trabalho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rodrigo Carelli, em entrevista para a Agência Brasil, criticou o projeto, afirmando que ele cria uma categoria híbrida que não garante os direitos fundamentais previstos na Constituição. Carelli citou como exemplo a ausência de direitos como o 13º salário, participação nos lucros e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), previstos no artigo 7º da Constituição. Segundo ele, o projeto mantém a subordinação dos trabalhadores às empresas, sem garantir autonomia.

Segundo a professora de Direito do Trabalho da PUC de Minas Gerais, Ana Carolina Paes Leme, em entrevista para a Agência Brasil, a Uber investe R$ 200 milhões em publicidade, aproveitando-se do atual cenário de desemprego estrutural no Brasil, onde os motoristas não têm a opção de parar suas atividades. De acordo com a professora, não haverá paridade entre as empresas de tecnologia e os sindicatos dos motoristas em uma mesa de negociação durante os acordos coletivos.

Apesar das duras críticas dos especialistas da área do Direito Trabalhista e professores acadêmicos que estudam as empresas de tecnologia no mundo, o projeto seguirá para análise no Congresso Nacional, onde poderá sofrer modificações. É esperado que haja debates intensos entre parlamentares, especialistas e representantes dos trabalhadores e das empresas de aplicativos. O resultado dessas discussões poderá determinar o futuro da regulamentação da atividade dos motoristas de aplicativo no país.

Foto Destacada: Freepik

Com informações da Agência Brasil.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Economia do Brasil cresce no segundo trimestre 2023


A economia brasileira registrou um aumento de 0,9% no segundo trimestre deste ano em comparação com os primeiros três meses, surpreendendo as expectativas dos analistas do mercado ao superar as previsões. 

O Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, atingiu R$ 2,651 trilhões. Esses números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (1º).

Em relação ao segundo trimestre do ano anterior, a economia do Brasil apresentou um avanço de 3,4%, enquanto o PIB acumula uma alta de 3,2% no período de 12 meses.

Foto Destacada: Freepik/Jcomp

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

TSE reforça rigor contra 'candidaturas fictícias' para cumprir cotas de gênero

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está atento à possibilidade de candidaturas fictícias femininas para cumprir as cotas de gênero, reforçando que tais práticas não serão aceitas nos próximos pleitos eleitorais.

A ministra substituta Edilene Lobo, primeira mulher negra a ocupar um cargo no tribunal, enfatiza que candidatos eleitos por meio dessa estratégia arriscam a cassação de seus mandatos. 

Nos últimos pleitos eleitorais, indícios de fraude envolvem baixa votação, ausência de propaganda eleitoral, falta de recursos em campanhas femininas e pouca participação de mulheres

Além disso, a ministra ressalta a importância da inclusão de mulheres negras na esfera pública como parte do cumprimento da Constituição Federal.

Foto Destacada: Freepik

Desafios e oportunidades da implantação da Inteligência Artificial (AI)

De acordo com informações do site Meio&Mensagem, Marcio Cavalieri, do Grupo RPMA, enfatizou a transformação que a Inteligência Artificial (AI) está trazendo aos negócios, destacando a necessidade de adaptação. A IA impulsiona processos, porém, requer investimentos em infraestrutura e capacitação.

Para gestores de micro, pequenas e médias empresas que buscam incorporar a IA em seus modelos de negócios, será essencial investir em tecnologia e capacitação da equipe. Contratar ou desenvolver líderes com habilidades em IA será fundamental para enfrentar os desafios que se aproximam.

Comparada à Web3, que enfoca descentralização e autoridade dos usuários, a IA está ganhando terreno. Sua utilidade imediata a torna atrativa para empresas que buscam automatizar diversos processos de trabalho. Além disso, a IA pode fortalecer a Web3, com líderes de IA liderando a transformação digital das empresas.

Os líderes em Inteligência Artificial desempenham um papel crucial na preparação das empresas para a revolução tecnológica. Eles definem estratégias, promovem treinamentos e implementam práticas éticas.

Inteligência Artificial está moldando o futuro dos negócios, não apenas otimizando processos internos, mas também impactando diretamente nos mercados físicos e digitais.

Foto Destacada: ArtPhoto_Studio / Freepik

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Maioria dos endividados brasileiros em 2022 era mulher e jovem

Índice de famílias endividadas chegou a 77,9%, um recorde histórico

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) anual mostra que o perfil da pessoa endividada no Brasil é de uma mulher, com menos de 35 anos e ensino médio incompleto, moradora das regiões Sul ou Sudeste, cuja família recebe até dez salários mínimos. A pesquisa foi divulgada hoje (19) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Na série histórica, iniciada em 2011, o ano bateu recorde: 77,9% das famílias estavam endividadas em 2022, uma alta de 7 pontos percentuais em relação a 2021 e de 14,3 se comparado com 2019, antes da pandemia de covid-19. O índice mais baixo foi registrado em 2018, quando 60,3% das famílias estavam com dívidas.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, destacou que a pandemia reverteu a tendência de queda no endividamento que era registrada até 2019, especialmente entre os mais pobres. Segundo ele, os “efeitos perversos” da pandemia, com o fechamento de negócios e o aumento do número de desempregados, e no pós-pandemia, o avanço da inflação, fez com que as famílias com rendas mais baixas precisassem recorrer ao crédito para manutenção do consumo de primeira necessidade.

“Enquanto entre as famílias de maior renda foi a retomada do consumo reprimido que levou a maior contratação de dívidas. Esses fatores geraram o aumento no número de endividados em 2022 no país”, afirmou Tadros.

Recorde de superendividamento

A Peic anual indicou que, do total de endividados, 17,6% se consideraram muito endividados, a maior proporção da série histórica. A cada dez famílias com renda mais baixa, duas comprometeram mais da metade da renda mensal para o pagamento das dívidas. Já entre aqueles com maiores salários, o índice cai pela metade, o que sugere que o superendividamento está concentrado entre os mais pobres.

“Em média, durante 2022, o brasileiro gastou, a cada R$ 1 mil, R$ 302 em dívidas. No total, 70% das famílias comprometeram pelo menos 10% da renda com essa finalidade. Mais de 1/5 dos endividados tiveram de gastar, no mínimo, metade do salário para pagar dívidas”, diz a CNC.

O diretor de Economia e Inovação da CNC, Guilherme Mercês, afirmou que é importante que sejam adotadas medidas que possibilitem uma redução nos juros e na inflação, com uma nova âncora fiscal para a gestão das contas públicas.

“Em mais de dez anos, nunca as pessoas se sentiram tão endividadas, e o que a Peic demonstra é que o superendividamento é principalmente um problema para as famílias de baixa renda. Se esse endividamento diz respeito ao custo dos créditos e da inflação, um dos fatores essenciais para resolver isso é ter uma economia brasileira com juros mais civilizados, porque taxa de juros alta é sinônimo de dívidas caras, sempre”, disse Mercês, durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

Para o diretor, programas de renegociação de endividamento como os que estão sendo anunciados pelo governo federal são fundamentais e “estancam as angústias das pessoas e famílias”. “Mas, em termos estruturais, o que vai resolver esse problema é uma taxa de juros mais baixa”, ressaltou.

Foto Destacada: Tânia Rego / Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil

Contribuição do MEI subirá para R$ 65,10 em fevereiro

 Valor segue salário mínimo de R$ 1.302, que valerá até maio


A manutenção do
salário mínimo em R$ 1.302 pelo menos até maio, anunciada hoje (18) pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, mudará o cálculo da contribuição de microempreendedores individuais (MEI) para a Previdência Social. O valor, que subiria para R$ 66 caso vigorasse o salário mínimo de R$ 1.320 estipulado pelo Orçamento, agora ficará em R$ 65,10.

O aumento, de 7,43%, segue o reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 1.212 no ano passado para R$ 1.302 este ano, conforme estipulado por medida provisória editada em dezembro pelo governo passado.

O reajuste valerá apenas para os boletos com vencimento a partir de 20 de fevereiro. A cota deste mês, que vence em 20 de janeiro, continuará a ser paga pelo valor antigo, de R$ 60,60.

Para os MEIs caminhoneiros, que contribuem mais para a Previdência Social, o valor passará de R$ 145,44 para R$ 156,24. Caso o salário mínimo passasse para R$ 1.320, o valor aumentaria para R$ 158,40.

Centrais sindicais

Após reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as centrais sindicais, Marinho afirmou que o salário mínimo não será reajustado para R$ 1.320 antes de maio. “Hoje é R$ 1.302 e, em maio, pode ser que haja alteração a partir do trabalho que vamos construir [em conjunto com as centrais sindicais]”, declarou o ministro.

Também no evento, o presidente Lula indicou que pretende retomar a política de reajuste que vigorou entre 2011 e 2019, com o salário mínimo subindo pela inflação do ano anterior mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos). Ainda não está claro se a variação do PIB considerará o crescimento de dois anos antes ou do ano imediatamente anterior.

Recolhimento

Profissionais autônomos com regime tributário e previdenciário simplificado, os microempreendedores individuais recolhem 5% do salário mínimo por mês para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os MEIs caminhoneiros contribuem com 12% do salário mínimo.

O restante da contribuição mensal varia conforme o ramo de atuação. Os trabalhadores que exercem atividades ligadas ao comércio e à indústria pagam R$ 1 a mais referente ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), administrado pelo estado onde moram. Os profissionais que executam serviços recolhem R$ 5 a mais de Imposto sobre Serviços (ISS), administrado pelo município onde habitam.

Ao contribuírem para o INSS, os microempreendedores individuais passam a ter direito à aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade, auxílio-reclusão e pensão por morte. Além disso, a Receita Federal fornece um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) aos MEIs, que podem emitir notas fiscais e obter crédito com condições especiais.

O boleto mensal do Documento de Arrecadação Simplificada do MEI (DAS-MEI) pode ser gerado no Portal do Empreendedor. As parcelas vencem no dia 20 de cada mês.

Foto Destacada: Foto: José Cruz / Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Confira o Desing de Embalagem da água potável Anheuser-Busch: Marketing para Causas Sociais


O furacão Harvey fez estragos ao atingir a Costa do Golfo americana. No último final de semana chegou a cidade de Rockport,Texas, com ventos de 209 km/h.

O NHC (Centro Nacional de Furações dos EUA, na sigla em inglês) afirmou que inundações catastróficas iriam acontecer e que a tempestade ficaria estacionada por dias nos estados, causando prejuízos e risco de vida.

De acordo com a imprensa internacional são mais de 300 mil consumidores sem energia elétrica no Texas e na região de Corpus Christi.

Ao longo da sua passagem já foram ceifadas 11 vidas em Harvey. As fortes chuvas continuam a castigar Texas e Lousiana. Mais de 4.000 pessoas que estavam isoladas pelas águas nas ruas foram resgatadas. O Centro Social de Houston abriga mais de 10.000 pessoas.

Além dos problemas oriundos das fortes chuvas e alagamentos, um terceiro dique ameaça se romper. Outro agravante é o risco de explosão da fábrica de produtos químicos na cidade de Crosby. O governo pediu que os moradores evacuassem as suas residências. Também foi dado o toque de recolher para toda a população.

Até o momento são milhares de pessoas afetadas pelo Harvey que precisam de comida e água. Diante do grande número de necessitados a fabricante de cerveja Anheuser-Busch anunciou o envio de água potável para atender em emergência as vítimas do desastre natural. A cervejaria também estava na rota de Harvey, foram três fábricas afetadas pela catástrofe natural, deixando funcionários, distribuidores, parceiros e suas famílias em dificuldades.

A fabricante das cervejas Budweiser, Bud Light, Shock Top e Rolling Rock, em parceria com a Cruz Vermelha, já totalizaram o envio de mais 155 mil latas de água potável às áreas afetadas.

O fator colaboração torna-se fundamental para amenizar o grave problema de desabastecimento de água potável, isto é, segura e limpa para o consumo dos atingidos pelo Harvey. Não é a primeira vez que a empresa americana/brasileira de bebidas se engaja nas causas sociais originadas das grandes tragédias. A Anheuser-Busch ajudou as comunidades afetadas pelos incêndios florestais da Califórnia, inundações na Louisiana e do furacão Matthew.

Fonte: Fortune / O Globo / The New York Times / Folha / O Dia

quarta-feira, 11 de abril de 2012

MATÉRIA DA EXAME.COM - "O Brasil pode ficar para trás", afirma Michael Porter


Cristiane Mano, de 

"O Brasil pode ficar para trás", afirma Michael Porter
Para Michael Porter, maior especialista mundial em competitividade, o Brasil e suas empresas só serão realmente fortes quando o governo deixar de representar um papel desastroso para a economia

Boston - Nunca houve um momento tão favorável para economias emergentes na história como o atual. O crescimento, no entanto, pode mascarar fragilidades capazes de minar a prosperidade desses países nos próximos anos. O alerta é do americano Michael Porter, maior especialista em estratégia e competitividade do mundo.

Professor da Harvard Business School e diretor do ranking de competitividade das nações do Fórum Econômico Mundial, ele condena duramente o papel do governo brasileiro na criação de um ambiente de negócios eficiente.

Na sala de reuniões de seu escritório, localizado num pequeno prédio de dois andares no campus deHarvard, em Boston, Massachusetts, ele deu a seguinte entrevista a EXAME.  

EXAME - Diante da crise persistente que abate países ricos, pode-se dizer que a definição de competitividade mudou no mundo atual?

Michael Porter - Competitividade é um conceito atemporal e se apoia em duas condições básicas, no caso dos países. Em primeiro lugar, as empresas locais têm de conseguir competir em mercados globais. Ao mesmo tempo, o padrão de vida de seus habitantes tem de melhorar. Sem nenhuma dessas duas­ condições, o país não é competitivo. E somente o ganho de produtividade permite conciliá-las.

EXAME - Por que os países ricos perderam competitividade?

Michael Porter - Os mercados emergentes cresceram rapidamente e os países ricos não seguiram o mesmo ritmo de progresso. A globalização começou na década de 70 e os países ricos se deram bem no começo porque as nações emergentes eram ineficientes.

Ao mesmo tempo que as nações emergentes melhoraram, os países mais ricos passaram a enfrentar o envelhecimento da população — e o consequente aperto no orçamento, sobretudo nas áreas de saúde e previdência. A combinação dos dois fatores é um fenômeno relativamente novo no cenário mundial.

EXAME - Em sua opinião, os países emergentes estão aproveitando a oportunidade? 

Michael Porter - Economias emergentes, como o Brasil e alguns países da Ásia, beneficiaram-se de fatores como a explosão dos recursos naturais. Isso faz parecer que um país é próspero. A verdade é que a prosperidade que se vê muitas vezes não decorre do ganho de produtividade. Os países emergentes têm agora uma grande oportunidade. 

É mais fácil melhorar quando você é fraco, copiando os líderes. O envelhecimento  da população ainda não é um problema crítico. Mas a prosperidade não será automática e linear nos próximos anos. Não sei se a era de ouro vai durar mais três ou dez anos. Desafios vão surgir. Já temos um ajuste de salários. A diferença de salários entre trabalhadores indianos ou chineses e americanos já diminuiu. 

EXAME - O senhor vê uma estratégia por trás do crescimento em países emergentes? 
Michael Porter - Alguns países melhoraram fundamentos básicos, como educação, saúde e infraestrutura. Abriram seus mercados para investidores estrangeiros e criaram regras mais estáveis. A China, por exemplo, segue uma estratégia clara, mas que não coincide com o interesse de seus cidadãos.

Abusa de baixos salários e da intervenção excessiva do governo. Algumas dessas políticas funcionam no curto prazo, mas vão custar caro com o tempo. Esse cenário não vai permitir que a economia chinesa se torne vibrante no futuro.

EXAME - De que maneira essa postura pode ser um problema no futuro?

Michael Porter - Salários baixos são uma fonte temporária de competitividade. Salários baixos não constroem países competitivos. Esses países não deveriam se preocupar se os salários estão se tornando mais altos — eles deveriam deixá-los subir, porque isso vai criar prosperidade.

A China distorceu elementos da competitividade e criou um jogo de ganha-perde com o resto do mundo. Mas não será capaz de crescer no futuro com esse modelo. Sem proteção de propriedade intelectual, por exemplo, não existe inovação, e isso vai ser um problema. 

EXAME - Quais são os outros fatores que podem atrapalhar o crescimento de países emergentes?

Michael Porter - Em países como o Brasil, o papel do governo é, francamente, um desastre. O governo é muito burocrático. Os impostos são complexos e pesados. O Brasil tem muitos recursos, gente inovadora. Mas o peso do setor público atrasa o crescimento do país. 

O governo conquistou estabilidade macroeconômica, mas em termos microeconômicos não avançou muita coisa. O Brasil terá de se transformar nos próximos 20 anos. Ou então ficará para trás. Não é um problema para os próximos dois ou três anos. Mas será um problema daqui a dez ou 15 anos. 

EXAME - Qual é o melhor exemplo de país que tenha superado o excesso de burocracia?

Michael Porter - É difícil achar uma referência comparável ao Brasil, pelas suas dimensões. A Indonésia se livrou de problemas ao simplificar o governo. A Colômbia também fez rápido progresso no ambiente de negócios quando o governo passou a atrapalhar menos. 

EXAME - Nos últimos anos, a indústria perdeu peso no PIB brasileiro. É possível um país ter produtividade sem uma indústria forte?

Michael Porter - Negócios bem-sucedidos são a base de uma economia próspera. A indústria cria empregos, paga impostos e faz a economia crescer. Governos não podem criar riqueza. Negócios criam riqueza. E a maneira correta de garantir que isso aconteça não é com monopólio ou distorções. 

EXAME - Alguns países, inclusive o Brasil, têm recorrido a barreiras protecionistas para frear a concorrência estrangeira. O que o senhor acha dessa estratégia? 

Michael Porter - É algo tentador, mas quase nunca funciona. Uma vez que você começa a fazer isso é difícil parar. E, protegidos, os negócios locais não melhoram. Um dos casos raros em que o protecionismo resultou em melhora é o da Coreia, onde as companhias locais promovem um ambiente competitivo suficiente para gerar produtividade. No Japão, há evidência de maior sucesso em áreas não protegidas. E o desempenho de setores protegidos foi um fiasco. 

EXAME - A competição global pode se tornar um jogo em que todos ganham?

Michael Porter - A competitividade não é necessariamente um jogo de soma zero, em que um país ganha se o outro perde. A convivência sem barreiras pode ser produtiva para todos. Hoje, todo país precisa ter multinacionais — tanto empresas de fora em seu território quanto empresas locais com presença internacional.

Se você entende que produtividade é algo que define a competitividade, então você vai querer multinacionais de classe mundial em seu território. Essa é uma razão pela qual o protecionismo é uma ideia morta atualmente. 

EXAME - Ainda estamos distantes de uma recuperação da crise?

Michael Porter - Vivemos a mais lenta recuperação de uma crise na história americana. Num le­vantamento que fizemos na universidade, descobrimos que o declínio da competitividade americana começou no fim dos anos 90. Ainda temos uma massa de empreendedores fenomenal e centros tecnológicos de ponta.

É preciso, no entanto, recuperar fundamentos como infraestrutura e educação bá­si­ca. Há um grande caminho para as empresas americanas no que se refere também ao ganho de produtividade. Uma crise raramente decorre de forças impossíveis de conter. Quase sempre resulta de um conjunto de decisões. É uma questão de fazer as escolhas certas.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Projeto de Pesquisa: análise do mercado surfwear na cidade de Aracaju

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

CURSO DE PÓS-GRADUADAÇÃO EM MARKETING

DISCIPLINA: COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

PROFª: VERA LÚCIA NOVAES PROVINCIALI

ALUNO: CARLOS FABRÍCIO RIBEIRO DA CRUZ



PROJETO DE PESQUISA: ANÁLISE DO MERCADO SURFWEAR NA CIDADE DE ARACAJU.

ARACAJU/SE
NOVEMBRO - 2008

NOVEMBRO - 200
1. INTRODUÇÃO

 Na contemporaneidade presenciamos exaustivamente as ações de marketing nos mais variados segmentos mercadológicos no Brasil. A preocupação das empresas que compõem o atual cenário competitivo é a busca incessante no desenvolvimento e na inovação tecnológica de produtos e serviços para os mais variados grupos de unidades compradoras. Entretanto, a fragmentação dos veículos de comunicação proporciona à unidade compradora um maior fluxo de informação nos mais variados canais, contribuindo para o esclarecimento e a manipulação dos produtos e serviços, construção do valor da marca e implantação ou alteração de hábitos de comportamento e compra dos consumidores.

O desenvolvimento das ações de marketing depende do estudo dirigido do comportamento do consumidor. A investigação é essencial para compreender todos os processos da unidade compradora envolvida na aquisição dos produtos, serviços, experiências e idéias para posteriormente fundamentar o ambiente da troca. Vale ressaltar que a troca é um dos processos mais importantes no estudo do comportamento do consumidor, uma vez que a unidade compradora adquiri tal produto ou serviço por determinada praticidade, e o produto ou serviço ofertado no mercado terá que satisfazer e até mesmo, superar a praticidade esperada pela unidade de compra.

É bom frisar que a unidade compradora é soberana por ser o centro da atenção e ter o poder de decisão para efetuar a compra. Mas para chegar à decisão existem influências e comportamentos que estão ligados intrinsecamente aos fatores culturais, sociais, pessoais e psicológicos.  Por muitas vezes a unidade compradora busca valores simbólicos que poderão ser apresentados entre a sociedade prevalecendo uma forma de transparecer ou identificar a si mesmo.

A teoria psicanalítica desenvolvida por Sigmund Freud expressa de forma clara e objetiva as implicações de seu uso pelas ferramentas do marketing, inclusive a publicidade e propaganda, alimentando o sonho da unidade compradora através das representações simbólicas para ativar a motivação do inconsciente e operar nos impulsos instintivos. Ou seja, não é simplesmente o ato do consumo pelos atributos dos produtos e serviços que satisfará a unidade compradora, mas todos os códigos e significados simbólicos que proporcionarão aos consumidores se identificarem com determinados grupos ou sublimar as aspirações sociais ligadas aos esportes, como por exemplo, o golfe, o tênis, o futebol, o surf, etc.

É nesse cenário de simbolismo e identificação que as mais variadas empresas nacionais desenvolvem campanhas publicitárias transferindo valores, tendências, comportamentos e aspirações para o target previamente definido por profissionais comunicólogos. Torna-se fácil constatar o estudo de caso proposto por Freud sendo bastante utilizado no universo da comunicação: as construtoras usam o artifício do simbolismo para vender os seus empreendimentos super requintados, por isso, a utilização de imagens ligadas ao tênis, ao golf, a caneta Mont Blanc, ao colar de diamante, as mais requintadas bebidas, aos ambientes empresariais, etc., são bastante exibidas nos comerciais para que o target proposto pela campanha possa se identificar e vivenciar as aspirações de pessoas de sucessos, pessoas que venceram na vida e optam pelo o que há de mais luxuoso.

Como podemos constatar o universo do simbolismo transmitido pelos comerciais de televisão vai de encontro com as aspirações mais próximas possíveis da personalidade de um único indivíduo. Entretanto, diversas pessoas agrupadas com o mesmo traço de personalidade compõem grupos distintos de consumidores. Os traços de personalidades transmitidos nas peças publicitárias representam o universo de transformação dos consumidores ao longo da evolução da vida e por isso, a utilização dos símbolos pelas principais marcas que compõem o mercado corresponde de acordo com a perspectiva de influenciar o comportamento do consumidor em relação ao seu momento vivido.

As marcas transparecem nos anúncios publicitários o sonho de consumo ou o desejo de ser e de fazer parte da vida da unidade compradora. Para representar as aspirações do simbolismo o uso de imagens que compõem ambientes e comportamentos ligados inseparavelmente do universo representado pela propaganda instigam a vontade da unidade compradora de se transformar, de ser ou de fazer parte dos símbolos remetidos pelo o anúncio publicitário.

Esse universo de representação simbólica será mais uma vez impregnado nas peças publicitárias que estamparão a temática “verão2009” e apresentarão diversas marcas. Para os brasileiros o verão faz parte do seu cotidiano, principalmente para os nordestinos onde o sol brilha quase todos os 365 dias do ano. A pele bronzeada, o uso da sunga, do maiô, do biquíni, da roupa leve transparece o clima de sedução, alegria e euforia dos consumidores das mais variadas idades. Outro fator preponderante são os momentos sazonais como a festa natalina, reveillon e carnaval que levam milhares de pessoas a se deslocarem às mais de 1.500 praias catalogadas nos 7.637 quilômetros de costa brasileira.

Nesse clima de alta temperatura e estadia nas praias os consumidores movimentam os corpos com a prática de esportes na areia, como por exemplo, o vôlei de praia, peteca, frescobol, futevôlei, beach soccer, handbeach, basquete de areia, etc.. Também tem os esportes náuticos: vela, windsurf, bodyboarding, jet sky, pesca submarina, caiaques, canoas, banana-boat, iatismo, entre outros. Mas o esporte que representa simbolicamente o verão brasileiro nas mais variadas peças publicitárias é sem dúvida a prática do surf para compor o ambiente perfeito do verão: as praias brasileiras.

São muitas empresas que exploram em suas peças publicitárias a imagem surf. A variedade de produtos e serviços é infinita, mas vale destacar os principais segmentos de anunciantes: bancos, cervejarias, lojas de departamentos, shopping centers, secretarias dos governos federais, estaduais e municipais, rede de postos de combustíveis, telefonias móvel e fixa, supermercados, hipermercados, concessionárias de veículos, rede de farmácias, etc.. Como podemos constatar, o uso exacerbado da imagem surf estampa diversos anúncios que transmitem os códigos de comportamento, da cultura surf, do estilo de vida dos praticantes do esporte, da vida saudável e da vida liberta. Por outra vertente leva milhares de pessoas a transparecerem a própria auto-imagem, isto é, de como elas gostariam de se vê ou serem vistas, de quererem fazer parte da esfera surf ou até mesmo ser realmente da esfera surf.


1.1 UM POUCO DA HISTÓRIA DO SURF


Poucos livros tratam da historicidade da prática do surf, mas diversos relatos apontam o esporte como lendário, surgido no ano 900 DC, nas Ilhas Polinésias. O site www.vwbr.com.br/PlanetaVW/SuperSurf/MundoSurf/Historia.aspx conta que o rei do Taiti navegou até o Havaí remando e surfando com uma prancha. No percurso teve a oportunidade de conhecer diversas ilhas, mas somente na ilha de Kauai, na praia de Mokaiwa, no Havaí que ele encontrou ondas sólidas para a prática do esporte. No ano de 1778, o capitão James Cook, chegou ao Havaí e se deparou com nativos se equilibrando nas ondas sobre enormes troncos de madeira. Naquele momento o surf era tratado com uma cerimônia religiosa entre os nativos e em seguida foi discriminado pelos colonizadores europeus ao explorarem as terras havaianas no ano de 1821.

Nos jogos Olímpicos de Estocolmo, no ano de 1912, o havaiano Duke Kahanamoku surpreendeu a todos ao ganhar a medalha de ouro na natação. Os comentários após a vitória se voltaram para sua forma física, os métodos de treinamento de Duke. Em entrevista ele declarou que praticava o Heenalu Surf, naquele momento esporte desconhecido por todos. Duke, conhecido como o homem-peixe é considerado o responsável pela popularização do esporte em todos os continentes, pois posteriormente as olimpíadas ele foi para a Califórnia e ao praticar o surf transformou os EUA como o berço do desenvolvimento do esporte.

No Brasil o esporte começou a se desenvolver com a chegada das pranchas havaianas através dos turistas. Como Duke desenvolveu o surf na Califórnia, o Osmar Gonçalves desenvolveu por aqui. Ele ganhou uma publicação americana do seu pai, um grande exportador de café no país, o projeto editorial ensinava passo-a-passo a fazer uma prancha de surf. Osmar juntamente com seus amigos fez a primeira prancha. Ela media mais de três metros e pesava cerca de 80 kg.

Na década de 30 começaram a aparecer os primeiros surfistas na cidade de Santos, no estado de São Paulo. Na cidade do Rio de Janeiro chegaram na década de 40, por meio da segunda guerra mundial, através dos soldados norte-americanos que praticavam o esporte para se divertir e manter a forma. Na década seguinte as praias do Rio de Janeiro ficaram lotadas de praticantes.

Na década de 60 o esporte começou a se desenvolver com a chegada das primeiras pranchas de fibra de vidro, na metade da década surgiu a primeira entidade representativa do esporte no Brasil, a Federação Carioca de Surf, responsável pela primeira organização e realização do campeonato nacional. Na década de 70 as praias do Arpoador localizadas na capital carioca, e a praia de Itaúna, na cidade de Saquarema, tornaram-se referência na prática do esporte. Nos anos 80 o esporte foi se profissionalizando, surgiram novas lojas de pranchas e acessórios, publicações impressas, indústrias de confecções surfwear, campeonatos mundiais e novos competidores profissionais.

1.2 NÚMEROS DO MERCADO BRASILEIRO DE SURF


Atualmente o mercado nacional de surf movimenta uma grande soma de dinheiro. Nos últimos cinco anos o mercado cresceu 100%, no ano de 2007 o mercado brasileiro movimentou cerca de cinco bilhões de reais. Na cidade de São Paulo são mais de um milhão de simpatizantes e apaixonados por surf. Os números são absurdos, só para ter noção, são mais de três mil pontos-de-venda em todo o Brasil, 400 mil empregos diretos e cerca de mais de um milhão de empregos indiretos.


1.3 CULTURA DE PRAIA


Se analisarmos friamente os dados apresentados acima, poderemos constatar que não é só o praticante de surf que consome as marcas de roupas e acessórios do mercado surfwear. Existe uma legião de usuários que se aproximam do esporte, seja direto ou indiretamente. A mídia nacional tem um papel determinante para a absorção da cultura do esporte, pois o que é exibido nas principais mídias não são só as informações dos campeonatos locais e mundiais, mas também conteúdo televisivo por meio de novelas, filmes, seriados e anúncios publicitários.

Mas quais são os fatores preponderantes que influenciam o comportamento de compra dos produtos surfwear? Como podemos constatar a prática de surf faz parte da esfera cultural de vários países mundiais. Não é só cultura, também é religião, é um modelo de comportamento sócio-cultural que rompe países e estilos de vida, de línguas, sinais e dialetos refletindo uma forma alternativa de viver alegremente e de ser saudável.

No Brasil a cultura de praia é vivenciada por milhões de brasileiros, principalmente nos períodos de alta estação. Podemos afirmar que a subcultura de cada região brasileira, isto é, as regiões litorâneas, mantêm a cultura de beira de praia e leva milhões de adeptos à prática de surf movimentando a economia local e consequentemente desenvolvendo a cultura mundial do surf. Temos que afirmar que a cultura de beira de praia não arrasta somente os praticantes do esporte, mas milhões de pessoas que sofrem influências dos fatores sociais, como por exemplo, dos grupos de referências, “a tribo do surf”.

Não existe uma classe social determinante para exercer o processo de compra. Muito pelo contrário, diversas praias próximas as regiões mais carentes desenvolvem projetos sócio-educativos entre os mais jovens, com o objetivo de viabilizar o ingresso dos alunos aos campeonatos locais, ou até mesmo, afastar tais jovens da ociosidade, das drogas e da marginalidade. Os projetos viabilizam os fatores pessoais, como o estilo de vida, entre esses jovens, tornando-os futuros consumidores do mercado surfwear e abrem percepção dos fatores psicológicos das classes mais elevadas. Isto é, com tantas matérias jornalísticas impressas e televisivas, documentários, novelas, filmes, eventos, movimentações artísticas e materiais editoriais podem levar os mais abastados a desenvolver motivação, crenças e atitudes para adquirir os produtos surfwear. Mas o que representa simbolicamente os produtos e acessórios para os consumidores, praticantes do esporte ou não?


2. PROBLEMA DE PESQUISA


O mercado surfwear nacional está em um nível profissional acima de muitos esportes difundidos e apreciados por milhões de brasileiros. Não podemos deixar também de afirmar que o surf nunca foi visto com bons olhos por vários segmentos da sociedade, pois ele sofreu um forte processo discriminatório nos anos 70, 80 e 90.

Para muitos segmentos abastados da sociedade, o surf era visto como um esporte de pessoas vãs, usuários de drogas e sem a mínima representatividade sócio-cultural e profissional no Brasil. Será que em outros esportes de alto nível não existe o caso de doping ou do consumo de drogas ilícitas? Entretanto, o cenário representativo da cultura de beira de praia nos leva a ver a grande mudança de visibilidade no século XXI: o surf é um esporte de alto nível, praticado por crianças, jovens, adultos, idosos, deficientes físicos, homens ou mulheres. A indústria surfwear movimenta um grande volume de dinheiro, existe um grande conglomerado de mídia segmentada, fomenta o turismo mundial em diversas regiões no país, gera emprego e renda para milhões de brasileiros, mantém uma elite de competidores profissionais que representam o país em competições mundiais, etc.

O principal problema de pesquisa consiste no fato de como as pessoas que formatam a sociedade aracajuana, surfistas ou não, são motivadas a adquirir as roupas e acessórios ligados ao universo surfwear. 

É correto afirmar que através da forte percepção provocada pelo uso exacerbado das imagens representativas, ou melhor, simbólicas que aparecem nos anúncios publicitários ou nas produções televisivas e cinematográficas, a exemplo da novela Três Irmãs, exibida pela Rede Globo pode interferir na preferência de compra da unidade compradora em optar por marcas ligadas diretamente ao esporte no mercado aracajuano. Mas será que existem outros fatores que influenciam em optar pela aquisição das roupas e acessórios surfwear?


2.1 OBJETIVO GERAL


O objetivo geral é verificar quais percepções levam os aracajuanos a adquirirem roupas e acessórios do mercado surfwear no mercado local.


2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS


Identificar quais são os diferencias perceptíveis dos aracajuanos ao adquirirem as roupas e acessórios ligados ao universo surfwear.

Verificar o perfil do consumidor que adquire roupas e acessórios surfwear.

Detectar as principais mídias que abrem a percepção para a comercialização das roupas surfwear.

Verificar a aceitação dos produtos e percepção das marcas surfwear pela unidade compradora.


2.3 QUESTÕES DE PESQUISA


Será que os consumidores aracajuanos já adquiriram roupas e acessórios surfwear?

O que motiva os aracajuanos a adquirirem as roupas e acessórios ligados ao esporte?

Quais os diferenciais que os consumidores têm das roupas e acessórios surfwear?

Quais as marcas surfwear mais conhecidas entre os consumidores de aracajuanos?

Qual a visão que os aracajuanos têm referente ao esporte?

Quais as mídias mais incisivas na percepção do esporte que podem levar para o ato de compra ou comportamento?



2.4. HIPÓTESES



Se eles consumiram ou consumiriam produtos ligados ao esporte ou não, quais os motivos mais pertinentes.

Existem realmente diferentes segmentos de público que podem ser atendidos pelas lojas surfwear na cidade Aracaju.

Os consumidores aracajuanos compram roupas e acessórios de lojas ligadas diretamente ao esporte, ou adquirem das grandes lojas de departamento.

Quais são os produtos da indústria cultural que mantêm maior incidência no comportamento do consumidor.

Os consumidores enxergam a prática do surf como um esporte de alto nível que traz benefícios ligados ao comportamento e a saúde do praticante ou mantém a visão difusa que não agrega valor ao esporte.

2.5 JUSTIFICATIVA


A partir da década de 90 a cidade de Aracaju vem passando por um forte aumento no fluxo migratório de novas pessoas ou famílias vindas de outros estados do Brasil e das cidades circunvizinhas. O aumento desse fluxo favorece a inserção de novos hábitos de comportamento e consumo entre os que nasceram e foram criados na cidade. Como conseqüência, o desenvolvimento sócio-econômico-cultural vem se tornado referência na região nordeste abrindo cada vez mais a percepção das principais qualidades da cidade aracajuana: desenvolvimento econômico, moradia, segurança, calmaria, belezas naturais, população receptiva, etc.. O desenvolvimento favorece o aumento do fluxo turístico ou na migração de novos habitantes na terra dos papagaios e cajueiros.

O processo de transição de novos hábitos de comportamento demonstra que as pessoas buscam no momento de lazer, diversão, contato com a natureza, nesse caso, as praias aracajuanas. Fica perceptível para os segmentos empresariais a transição de comportamento e por isso, passam a promoverem produtos e serviços nas principais mídias publicitárias representando o universo da cultura de beira de praia.

Também existe o aumento perceptível das lojas de departamentos e das lojas especializadas surfwear que contribuem para a popularização da prática do esporte e conseqüentemente da cultura surf. Não existe um número concreto dos praticantes, mas torna-se visível o crescimento da tribo do surf nas praias aracajuanas. A difusão da imagem através dos meios de comunicação por meio das matérias jornalísticas esportivas favorece o crescimento e desenvolvimento do esporte.

Os números do mercado surfwear apresentados na introdução refletem claramente a importância do segmento na economia brasileira e local, onde movimenta bilhões de reais por ano. Mas serão somente os surfistas que consomem as roupas e acessórios ligados ao esporte? E qual a percepção da cultura surf pelos consumidores ao adquirirem os produtos surfwear?

Outro fator preponderante para buscarmos entendimento sobre o estudo de mercado é se o consumidor, no momento da troca, tem a noção do produto adquirido: ele está relacionado diretamente às principais marcas que investem no desenvolvimento surf, na realização dos campeonatos e na inovação tecnológica dos produtos que compõem a prática do esporte. Isto é, existem muitas lojas de departamentos utilizando design têxtil objetivando vincular ao produto os simbolismos da cultura surf, mas não fazem investimentos concretos em campeonatos, na profissionalização dos atletas competidores, na inovação tecnológica dos produtos, em campanhas ambientais objetivando a educação da população a respeito da degradação das praias, no apoio e incentivo de projetos sociais vinculados diretamente à prática do esporte, etc.

E por último, haja vista uma vasta diversificação nos tipos de mídias, nos produtos desenvolvidos pela indústria cultural em geral que exibem a forte percepção das simbologias da tribo do surf, mas que é esse consumidor, como ele se comporta no planejamento de compra e de que forma ele visualiza a compra do produto, ou não.


3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA PARCIAL SOBRE O TEMA DE PESQUISA

Existem alguns estudos no campo acadêmico brasileiro, diversas áreas de estudo tecem informações científicas referente a prática do esporte, o desenvolvimento do mercado, a visibilidade que o esporte mantém, o comportamento de compra do praticante do esporte, estudo segmentado de mídia, etc. Mas a área que mantém maior abrangência é o crescimento do mercado, pelo fato de crescer mais de 100% em apenas quatro anos e originar diversas empresas que mantém marcas próprias, ou franquias das maiores empresas a nível nacional, ou lojas de revenda de roupas e acessórios.

No estado de Sergipe, nas cidades litorâneas onde mantêm a prática do esporte existe lojas que revendem as principais marcas do país. Outro fato interessante é a presença das roupas e acessórios nas cidades com maior concentração de pessoas, como Itabaiana, Lagarto, Nossa Senhora do Socorro, etc. Na cidade de Aracaju existe uma maior concentração de lojas e praticantes do esporte, mas não existem pesquisas que forneçam números de mercados concretos para avaliarmos e estudar mais profundamente o mercado. Esse paralelo aberto pela falta de estudo, proporciona o desenvolvimento de estudos dirigidos no comportamento do consumidor e pesquisas de mercados.

Ao questionarmos a falta de dados concretos no mercado partimos para o campo da análise perceptiva. Identificamos a estrutura das empresas que fazem parte do comércio aracajuano. Elas revendem roupas e acessórios das principais marcas do país, pois não existe uma fábrica de roupa surfwear no estado de Sergipe. Existem algumas marcas locais que compram as roupas e acessórios sem marcas nos principais centros do Brasil e em seguida fixam as etiquetas que estampam suas marcas. Os números de marcas locais não passam de três empresas representativas ao esporte. Existem também as grandes lojas de departamentos localizadas no centro da cidade e nos dois shoppings de Aracaju.

Como podemos constatar o mercado e a área acadêmica são carentes de estudos dirigidos ao comportamento do consumidor e as pesquisas mercadológicas no segmento surfwear. Essa lacuna proporciona o estudo empírico para apoiarmos concretamente a análise do comportamento do consumidor. Existem algumas publicações editorias brasileiras segmentadas ao esporte, mas avaliaremos o estudo de caso por autores de diversas áreas como o comportamento do consumidor, marketing, publicidade e propaganda, psicologia, etc.

A autora Klein (2002) cita que o mercado mundial percebeu que as marcas não são puras e simplesmente produtos ou serviços. Ela vai além da sua funcionalidade, apresenta-se de frente para os consumidores como um diferencial de vida, de prazer, de conjuntos de valores e comportamento. Ela cita que no ano de 1992 o número demográfico de adolescentes na América aumentou consideravelmente e devido a isto, muitas empresas estavam obtendo baixos índices de crescimento. Para a autora o erro das equipes de marketing era a segmentação difusa da faixa etária, pois elas pensavam que os consumidores estavam cegos por suas marcas, mas o caso não era a cegueira, era a incompatibilidade de produtos e serviços para uma faixa etária que não fazia parte do estudo demográfico do ano de 1992. A autora vai além, ela cita que muitas empresas que focaram a demografia dos jovens estavam em forte expansão de mercado, como por exemplo, a MTV, Microsoft, Nike, Netscape, etc.

Outro fator de grande relevância para o estudo do comportamento do consumidor é quando Klein (2002) apresenta as empresas norte-americanas que souberam inovar tecnologicamente os seus produtos e serviços, e posteriormente, conseguiram adequar de forma correta os produtos e serviços para o crescente número de jovens segmentados. Os produtos e serviços não eram vendidos somente para os adolescentes, mas para os adultos também, ou melhor, como a própria autora cita, os imitadores crescidos. Esse segmento crescido era composto pelos pais ou pelas pessoas adultas que compõem as famílias dos adolescentes.

Aqui cabe a nós fazermos um contra ponto: se o berço do desenvolvimento do surf foi a Califórnia, nos estados unidos, e na década de 90 o esporte passou a ganhar maior notoriedade no mercado mundial, inclusive no Brasil, e especificamente na cidade de Aracaju, e em contra partida o número de adolescente naquela década tinha aumentando, então existiu uma forte possibilidade de os adolescentes praticarem o esporte, e esses adolescentes da década de 90 são adultos nos dias atuais. Aqui cabe pensarmos da seguinte forma: já que os fatores que influenciam o comportamento de compra como os culturais, sociais, psicológicos e fatores pessoais. Cabe analisarmos especificamente os fatores pessoais, que envolvem o clico de vida “estágios da idade”, o estilo de vida e condições econômicas. A composição família (pais) nos dias atuais era adolescente na década de 90, então podemos afirmar que o fator social nos dias atuais, como família, pode influenciar uma alternância de comportamento entre pais e filhos, como ocorreu no estudo de marketing realizado pelas empresas que mais cresceram na década de 90 no mercado americano. A partir desse pressuposto, poderemos afirmar que o mercado surfwear aracajuano pode ser composto por imitadores crescidos com citou a autora.

Outro objeto de estudo empírico bastante interessante é o fator da congruência proposta pela teoria psicanalítica de Sigmund Freud, que existe quando o consumidor opta por determinados produtos e marcas que transparecem o que eles são ou que gostariam de ser. Se existe uma incompatibilidade entre os números de surfistas que consomem os produtos surfwear em relação ao crescimento de visibilidade e lucrabilidade das marcas ligadas diretamente ao esporte, a teoria da congruência abre perspectiva para analisar os consumidores aracajuanos. Ao adquirir as roupas e acessórios os consumidores se vêem como praticante ou simpatizante da tribo do surf.  A publicidade contribui para a formatação dos significados simbólicos relacionados ao esporte, remetendo códigos visuais nas suas peças publicitárias. Dessa forma a opção dos consumidores optarem pelo uso das marcas que compõem o universo surfwear estampados nas roupas ou acessórios poderá provocar ostentação junto à sociedade.

O fator envolvimento entre as roupas e acessórios surfwear e consumidor dá origem ao processo de percepção que está relacionado com a memória. Ela ajuda a organizar o processo de exposição das informações dos comerciais publicitários que criam estímulos nos consumidores, onde levará para o processo do estágio da exposição das simbologias ligadas diretamente ao esporte. É a partir dos órgãos sensoriais dos consumidores que são ativados todos os mecanismos de informação do universo surf. A atenção é a capacidade cognitiva para um estímulo, fortalece a maneira que a mensagem publicitária pode ser processada pelo consumidor, seja pela atenção preliminar, voluntária e involuntária.

O estágio de compreensão permite aos consumidores perceberem as formas, as figuras e as linhas em seu mundo visual. A Gestalt (padrão ou configuração) é muito usada, assim como, a semiótica: que é área de estudo que analisa o símbolo e seus significados. E as marcas e códigos visuais trabalhados pelos anúncios publicitários, novelas, projetos editorias, etc., utiliza-se para remeter todos os significados simbólicos do universo surf. 


4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.1 TIPO DE PESQUISA

O tipo de pesquisa será a de mercado.


4.2 UNIVERSO DE PESQUISA


A pesquisa será realizada nos principais shoppings de Aracaju, nas universidades, no centro da cidade (calçadões João Pessoa e Laranjeiras) e na orla da praia da Atalaia. Todos os ambientes citados são freqüentados por uma vasta diversidade sócio-econômica de público e perfis psicográficos variados, que consomem produtos midiáticos e são classificados como sendo prováveis consumidores das roupas e acessórios surfwear.
4.3 SUJEITO DE PESQUISA
Compreende prováveis compradores ou adeptos que praticam ou convivem com o ambiente surfwear. Homens e mulheres acima de 10 anos que têm poder de influenciar ou decidir a compra das roupas e acessórios do mercado surf.


4.4 AMOSTRA


Será utilizado um modelo de amostra probabilística simples onde o objeto de estudo torna-se o próprio mercado surfwear, assim como os aspectos definidores de sua composição, entre eles o perfil dos consumidores, os hábitos de compra e a percepção das marcas surfwear no mercado aracajuano.


4.5 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS


O instrumento de coleta de dados incorpora o modelo de questionário com perguntas abertas e fechadas de análise qualitativa e quantitativa, aplicado em pontos previamente estabelecidos no universo de pesquisa e datas a confirmar.

Modelo: Este questionário é parte de um estudo de pesquisa mercadológica que visa conhecer um pouco mais da sua preferência como consumidor do mercado surfwear. Será mantida a identidade anônima do entrevistado de acordo com sua preferência.

1)Qual a sua idade?

(   ) 10 a 17 anos.

(   ) 18 a 25 anos.

(   ) 26 a 33 anos.

(   ) 34 a 41 anos.

(   )mais de 41 anos.


2)Prencher de acordo com o sexo do entrevistado:

(   )Masculino (   )Feminino

3)Atualmente qual é o seu estado civil?

(   )Solteiro(a)

(   )Casado(a)

(   )Divorciado(a)

(   )Outros


4) Você pratica o esporte surf?

(   )Sim               (   )Não

5) Você já comprou roupas ou acessórios ligados diretamente a prática esportiva surf? Se a sua resposta for sim, informe a média de tempo que você leva para efetuar as suas compras de produtos surfwear e o nome da loja que efetuou a compra.

(   )Sim               (   )Não

R:

6) O que te motiva a adquirir produtos ligados ao esporte surf?

R:


7)Cite o(s) diferencial(is) das roupas e acessórios surfwear quando comparadas com outros modelos de roupa.

R:

8)Você conhece algum surfista da cidade de Aracaju? Se a resposta for sim indique o grau de relacionamento.

(   )Sim               (   )Não

R:


9)Cite um ou mais marcas de roupas e acessórios ligados diretamente à prática do esporte.

                   R:


10)Qual(is) a visão(ões) que você tem referente aos praticantes do esporte surf?

                   R:


11)Em que mídias publicitárias você já viu a imagem surf ser divulgada?

(   )Jornais televisivos

(   )Jornais impressos

(   )Fachadas de empresas “vitrines”

(   )Web Pages-Internet

(   )Outdoor

(   )Novelas

(   )Filmes

(   )Minisséries

(   )Panfletos e Folhetos

(   )Novelas

(   )Mostra Cultural

(   )Campeonatos Locais

(   )Roupas e acessórios de quem pratica o esporte

(   )Comercial de televisão

(   )Luminosos e painéis

5. BIBLIOGRAFIA


KLEIN, Naomi. Sem Logo. A tirania das marcas em um planeta vendido. São Paulo: Editora Record, 2002.

KLOTER, Philip. Marketing para o século XXI. São Paulo: Editora Futura, 1999.




http://mkt360.blogspot.com/2008/07/mercado-do-surf-movimenta-r-5-bilhes-no.html


Revista Hardcore, nº 192. São Paulo: Editora Nalu, agosto de 2005.

Revista Alma Surf, nº 22. São Paulo: Editora Cosmos do Brasil, julho/agosto de 2004.

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