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terça-feira, 14 de maio de 2024

Petrobras registra lucro de R$ 23,7 bilhões no 1º trimestre de 2024, com queda de 23%

A Agência Brasil publicou matéria na segunda-feira (13), referente ao registro do lucro líquido de R$ 23,7 bilhões da Petrobras no primeiro trimestre de 2024, representando uma queda de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na matéria do repórter Douglas Corrêa, apontou que a empresa atribuiu esse resultado à desvalorização cambial e à menor venda de óleo e derivados, características típicas do primeiro trimestre, com menor demanda por diesel, além da redução nos preços do petróleo e na margem de diesel. Apesar disso, o diretor financeiro Sergio Leite afirmou que a desvalorização cambial impacta no demonstrativo financeiro, mas não afeta o caixa da companhia.

Contudo, ficou apontado que a Petrobras registrou um Fluxo de Caixa Operacional de R$ 46,5 bilhões e um resultado ajustado, antes de juros, impostos, depreciação e amortização, de R$ 60 bilhões. O endividamento financeiro teve uma redução de US$ 1,1 bilhão, atingindo US$ 27,7 bilhões, enquanto a dívida bruta permaneceu em US$ 61,8 bilhões, incluindo os arrendamentos.

O presidente da estatal, Jean Paul Prates, reforçou o compromisso de manter os investimentos previstos e gerar valor para os acionistas, destacando que os resultados estão em linha com o Plano Estratégico da companhia para os próximos anos.

Imagem Destacada: Chandlervid85 / Freepik

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Carnaval 2024 movimentará a economia nacional

Diante da recuperação econômica pelo quarto ano consecutivo, a projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que o carnaval de 2024 movimentará cerca de R$ 9 bilhões, representando um crescimento de 10% em relação ao ano anterior.

Segundo a matéria jornalística da CNC, será o primeiro ano em que o faturamento superará os níveis pré-pandêmicos, conforme destacado pelo presidente da Confederação, Roberto Tadros. Os setores turísticos de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul lideram as projeções de crescimento, evidenciando a tendência positiva que se espera para o ano de 2024.

São Paulo é estimado para liderar o desenvolvimento das atividades turísticas durante o carnaval, com uma expectativa de R$ 16,3 bilhões, seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 5,3 bilhões) e Minas Gerais (R$ 5,2 bilhões).

A CNC destaca que, com a melhoria da situação financeira, os turistas brasileiros tendem a gastar mais neste período, contribuindo para o aumento da circulação de renda no comércio e serviços. A proposta para contratação de temporários em diversas áreas econômicas, especialmente no setor de serviços, é de 66.699 vagas para 2024, com 3,1% de efetivação, segundo a CNC.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Desafios Econômicos Refletem na Intenção de Compras Natalinas dos Brasileiros: Análise das Pesquisas ACSP e CNDL/SPC Brasil

Uma pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostra que 42,8% dos brasileiros planejam fazer compras para o Natal, enquanto 35,9% não têm intenção de presentear e 21,3% estão indecisos. Dos compradores, 33,6% pretendem gastar mais que em 2022, enquanto 41,8% desejam desembolsar um valor menor. A maioria (60,5%) planeja gastar entre R$ 150 e R$ 450, com redução significativa na intenção de compra em relação ao ano anterior, atribuída à desaceleração econômica e alto endividamento.

Outra pesquisa da CNDL e SPC Brasil indica que mais de 132,9 milhões de consumidores devem gastar R$ 74,6 bilhões no Natal. Os principais presenteados serão filhos (60%), mães (48%), cônjuges (44%) e irmãos(as) (28%). Entre os que não presentearão, 27% alegam falta de dinheiro, 17% não têm o costume, e 15% estão endividados. 64% comprarão presentes para si mesmos, com formas de pagamento como Pix (47%) e cartão de crédito parcelado (44%). As lojas físicas continuam sendo as preferidas para 76% dos entrevistados.

Com informações Agência Brasil

Foto: Agência Brasil / Rovena Rosa

Governo adia tributação de compras online para 2024, aguardando decisões no STF e no Congresso

No café da manhã de fim de ano com jornalistas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que a tributação federal de compras online, inicialmente prometida até o final do ano, não será inovadora em 2023. Haddad afirmou que o governo aguardará o estágio de ação no Supremo Tribunal Federal (STF) e as negociações no Congresso sobre o tema. O imposto de importação continua sendo motivo de controvérsia tanto no governo quanto no Congresso, com parlamentares de diferentes posições manifestando-se a respeito.

Além disso, o ministro destacou que o governo está à espera do julgamento de uma ação no STF que questiona o programa Remessa Conforme, o qual isenta de tributos federais compras de até US$ 50 em sites estrangeiros. Enquanto aguarda decisões, a Receita Federal continuará analisando o comportamento das encomendas das empresas que aderiram ao programa antes de definir a alíquota do Imposto de Importação. O projeto do Orçamento de 2024 prevê receitas extras de R$ 2,8 bilhões provenientes do combate à sonegação no comércio eletrônico, uma medida essencial para cumprir a promessa de zerar o déficit primário em 2024.

Com informações da Agência Brasil

Foto Destacada: Freepik

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Vendas do comércio varejista em Sergipe apresentam queda de 1,6% em agosto e acumulam crescimento de 3,9% no ano

O volume de vendas do comércio varejista em Sergipe reduziu 1,6% em agosto, frente a julho, na série com ajuste sazonal. Em relação ao mesmo período de 2022, houve crescimento de 2,8%. No acumulado no ano, com base em igual período do ano anterior, o avanço foi de 3,9% e, nos últimos 12 meses, de 4,8%. Os dados são da Pesquisa de Comércio (PMC), divulgados hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pelo Observatório de Sergipe.

Em agosto, a receita nominal do varejo em Sergipe apresentou uma pequena variação de 0,2% em relação a julho. Na comparação anual, houve um crescimento de 4,2%. O acumulado no ano apontou crescimento de 3,5% e, nos últimos 12 meses, de 6,3%.

Varejo Ampliado

No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume de vendas no estado reduziu 8,6% em relação a julho. Frente a agosto de 2022, o aumento foi de 1,1%. O acumulado no ano cresceu 3,3% e, nos últimos 12 meses, variou 1,4%.

A receita do varejo ampliado fechou o mês com redução de 7,4%, em comparação com julho. Já em relação ao mesmo período de 2022, a alta foi de 3,2%. A variação acumulada no ano apontou crescimento de 5,3% e, nos últimos 12 meses, também de 5,3%.

Cenário Nacional

Na comparação com julho, na série com ajuste sazonal, a taxa média nacional de vendas do comércio varejista teve uma ínfima queda de 0,2%, com resultados positivos em 06 das 27 unidades da federação. As maiores variações positivas foram no Rio Grande do Sul (2,0%), Distrito Federal (1,4%) e Paraná (0,7%). Já as maiores variações negativas foram registradas na Paraíba (-3,6%), Alagoas (-2,7%) e Amapá (-2,3%). Amazonas (0,0%) manteve-se estável. Sergipe ficou com a 6ª maior queda no volume de vendas.

No acumulado de 12 meses, a taxa média nacional de vendas do comércio varejista variou 1,7%, com resultados positivos em 24 das 27 unidades da federação. Paraíba (9,1%), Maranhão (8,2%) e Tocantins (7,9%) registraram as maiores variações positivas. As maiores negativas foram observadas em Rio de Janeiro (-1,3%) e Rondônia (-1,2%). Goiás (0,0%), manteve-se estável. Sergipe ficou com a 10ª maior variação positiva (4,8%).

Publicação completa – Pesquisa Mensal do Comércio – Agosto 2023

Fonte: Observatório de Sergipe / Governo de Sergipe

Foto Destacada: CFcomunicólogo/Freepik

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Uso de cartões de mãe predomina entre parentes em compras online


Mais de 60 mil transações em marketplaces foram comprovadas em uma pesquisa da Serasa Experian, revelando que 65,9% das compras feitas com cartões de parentes receberam os cartões das mães. Em seguida, os cartões de irmãos (14,9%) e filhos (12,6%) foram os mais utilizados.

Surpreendentemente, as compras feitas com os cartões de avós foram as mais contestadas, apresentando 153,8% mais chances de contestação do que as de filhos e 73,7% mais que as de mães, destacando a importância de medidas de segurança para evitar fraudes em compras on-line. 

A sugestão é emitir cartões digitais temporários e investir em estratégias inteligentes de combate à fraude.

Foto: Freepik/vecstock 

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Consumo doméstico cresce em julho, mas preços dos alimentos diminuem

O consumo nos grandes brasileiros, medido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), cresceu em julho em relação ao mês anterior. 

Houve aumento em vários setores, mas os preços dos alimentos para consumo no domicílio caíram. Isso reflete a busca por produtos mais baratos, especialmente em um cenário de aumentos nos preços dos combustíveis. 

A queda nos preços da cesta de produtos de consumo regular foi impulsionada principalmente por produtos lácteos e proteína animal. Itens como feijão, óleo de soja, café e higiene e beleza ficaram mais baratos. 

Os números mostram a complexa dinâmica dos preços dos produtos de consumo regular. A Abras destaca a importância de manter medidas eficazes para controlar a inflação e garantir a acessibilidade dos produtos essenciais para a população.

Foto Destacada: Freepik/Pch.vector

sábado, 27 de maio de 2023

Inadimplência entre idosos explode em um ano no Brasil

Em 12 meses até abril, o número de endividados com mais de 60 anos cresceu 34,7%, o equivalente a mais do que o dobro da média nacional


O número de idosos inadimplentes aumentou 34,7%, entre abril de 2023 e o mesmo mês do ano passado no Brasil. No mesmo período, ele avançou 12,9% na média da população. Na faixa etária de 41 a 60 anos, o total de pessoas endividadas cresceu 15,9%. Entre 26 e 40 anos, a elevação foi de 4,6%, e até 25 anos, de 2,3%. Ou seja, o crescimento da inadimplência entre os mais velhos foi maior do que o dobro da média nacional e 15 vezes superior em relação aos mais jovens.

Em abril, as maiores dívidas dos idosos eram com contas básicas de água, luz e gás, com 39,7% do total. Bancos e cartões ficaram em segundo lugar, com 26,7%. Na sequência, vieram financeiras e leasing, 9,2%, varejo, 8,2%, e telecomunicações, 6,6%.

Os números fazem parte de um levantamento realizado pela Serasa Experian. Na avaliação da companhia, um dos fatores que contribuiu para o destaque desse grupo no ranking é o maior acesso de aposentados a linhas de crédito consignado. Eles, contudo, não conseguem pagar as dívidas.

“Em momentos de crise, como na recessão de 2015 e na pandemia, normalmente os idosos acabam sendo solicitados a contribuir com o orçamento dos parentes mais jovens que perderam renda”, diz Luiz Rabi, economista da empresa.

Em números absolutos, os idosos não representam a maior fatia dos inadimplentes. Entre 71,4 milhões de brasileiros que estavam nessa condição em abril, eles somavam 12,8 milhões (ou 17,9% do total). O grupo, porém, cresceu 3,3 milhões nos últimos quatro anos.

Fonte: Metrópoles / Por Carlos Rydlewski

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Em janeiro, vendas no varejo sergipano sobem em 4,4%

O comércio varejista em Sergipe avançou 4,4% na passagem de dezembro a janeiro de 2023, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento chegou a 7,1%. Os avanços também foram sentidos na receita nominal, que em janeiro de 2023 avançou em 5% e na comparação com o mesmo período do ano passado cresceu em 12,2%.

As vendas no comércio varejista no país cresceram 3,8% em janeiro de 2023, registrando a maior variação para o mês desde o início da série histórica, em 2000. Na comparação com janeiro de 2022, o crescimento foi de 2,6%, o sexto positivo consecutivo nesse índice.

23 das 27 Unidades da Federação registraram alta em janeiro

Na análise regional da PMC, a passagem de dezembro de 2022 para janeiro de 2023 registrou alta no volume de vendas em 23 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Espírito Santo (8,8%), Tocantins (8,7%) e Roraima (7,4%). Entre as quedas, as maiores influências foram de Mato Grosso (-1,7%), Amapá (-1,6%) e Paraíba (-1,7%).

No comércio varejista ampliado, houve aumento em 18 Unidades da Federação, com destaque para: Sergipe (8,7%), Espírito Santo (6,6%) e Roraima (6,4%). Tocantins (-4,8%), Mato Grosso (-4,2%) e Pará (-3,0%).

Comércio varejista ampliado em Sergipe registra maior aumento do país

No comércio varejista ampliado, que inclui Veículos, motos, partes e peças e Material de construção, os resultados foram positivos já que o volume de vendas em janeiro de 2023 avançou 8,7% e o índice da receita nominal chegou a 8,4%.

Com esse resultado, Sergipe registrou o maior avanço do país nesse tipo de varejo, sendo acompanhado pelo Espírito Santo (6,6%) e Roraima (6,4%).

Foto: Prefeitura de Aracaju / André Moreira

Fonte: IBGE em Sergipe

quarta-feira, 1 de março de 2023

Mais de 70 milhões de brasileiros estão inadimplentes, aponta Serasa

Valor médio das dívidas subiu para R$ 4.612,30

Em cinco anos, o número de brasileiros inadimplentes passou de 59,3 milhões, em janeiro de 2018, para 70,1 milhões, em janeiro de 2023, um recorde na série histórica. É o que mostra estudo inédito da Serasa Experian, divulgado nesta segunda-feira (27) em Brasília.

Não só a inadimplência cresceu, como o valor das dívidas também. Em média, cada inadimplente deve R$ 4.612,30. Em janeiro de 2018, era R$ 3.926,40. Houve um crescimento de 19% no período.

Em relação à faixa etária, os idosos com 60 anos ou mais estão entre os mais impactados. Os endividados aumentou 17%, em comparação a outras faixas etárias, com alta de 12%.

As mulheres estão com mais dívidas a pagar em relação aos homens. Entre elas, a alta foi de 18% no valor das dívidas; e entre eles, 16%. As dívidas que mais subiram foram as financeiras, com elevação de 71%.

De acordo com a Serasa, a inflação e os juros altos são os fatores que impulsionaram o aumento da inadimplência no país no período analisado.

Os dados foram divulgados no anúncio de uma edição extraordinária do Feirão Limpa Nome, que teve início hoje. Geralmente, o feirão ocorre em novembro. Na ação, os consumidores podem renegociar dívidas com bancos, financeiras, telefônicas e outras empresas. Em alguns casos, é possível quitar a dívida com 99% de desconto ou por até R$ 100, segundo a Serasa.

A negociação pode ser feita pelo site www.serasa.com.br, app Serasa no Google Play e App Store, 0800 591 1222 (ligação gratuita) ou WhatsApp 11 99575–2096. Haverá atendimento presencial nas mais de 11 mil agências dos Correios distribuídas, com pagamento de uma taxa de R$3,60.

O governo federal anunciou que vai criar um programa para atender as pessoas endividadas, entre elas as que contraíram empréstimo consignado oferecido pelo Auxílio Brasil em 2022, modalidade implantada para permitir a inclusão de pessoas inadimplentes de volta à economia.

Foto: Marcello Carsal

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Maioria dos endividados brasileiros em 2022 era mulher e jovem

Índice de famílias endividadas chegou a 77,9%, um recorde histórico

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) anual mostra que o perfil da pessoa endividada no Brasil é de uma mulher, com menos de 35 anos e ensino médio incompleto, moradora das regiões Sul ou Sudeste, cuja família recebe até dez salários mínimos. A pesquisa foi divulgada hoje (19) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Na série histórica, iniciada em 2011, o ano bateu recorde: 77,9% das famílias estavam endividadas em 2022, uma alta de 7 pontos percentuais em relação a 2021 e de 14,3 se comparado com 2019, antes da pandemia de covid-19. O índice mais baixo foi registrado em 2018, quando 60,3% das famílias estavam com dívidas.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, destacou que a pandemia reverteu a tendência de queda no endividamento que era registrada até 2019, especialmente entre os mais pobres. Segundo ele, os “efeitos perversos” da pandemia, com o fechamento de negócios e o aumento do número de desempregados, e no pós-pandemia, o avanço da inflação, fez com que as famílias com rendas mais baixas precisassem recorrer ao crédito para manutenção do consumo de primeira necessidade.

“Enquanto entre as famílias de maior renda foi a retomada do consumo reprimido que levou a maior contratação de dívidas. Esses fatores geraram o aumento no número de endividados em 2022 no país”, afirmou Tadros.

Recorde de superendividamento

A Peic anual indicou que, do total de endividados, 17,6% se consideraram muito endividados, a maior proporção da série histórica. A cada dez famílias com renda mais baixa, duas comprometeram mais da metade da renda mensal para o pagamento das dívidas. Já entre aqueles com maiores salários, o índice cai pela metade, o que sugere que o superendividamento está concentrado entre os mais pobres.

“Em média, durante 2022, o brasileiro gastou, a cada R$ 1 mil, R$ 302 em dívidas. No total, 70% das famílias comprometeram pelo menos 10% da renda com essa finalidade. Mais de 1/5 dos endividados tiveram de gastar, no mínimo, metade do salário para pagar dívidas”, diz a CNC.

O diretor de Economia e Inovação da CNC, Guilherme Mercês, afirmou que é importante que sejam adotadas medidas que possibilitem uma redução nos juros e na inflação, com uma nova âncora fiscal para a gestão das contas públicas.

“Em mais de dez anos, nunca as pessoas se sentiram tão endividadas, e o que a Peic demonstra é que o superendividamento é principalmente um problema para as famílias de baixa renda. Se esse endividamento diz respeito ao custo dos créditos e da inflação, um dos fatores essenciais para resolver isso é ter uma economia brasileira com juros mais civilizados, porque taxa de juros alta é sinônimo de dívidas caras, sempre”, disse Mercês, durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

Para o diretor, programas de renegociação de endividamento como os que estão sendo anunciados pelo governo federal são fundamentais e “estancam as angústias das pessoas e famílias”. “Mas, em termos estruturais, o que vai resolver esse problema é uma taxa de juros mais baixa”, ressaltou.

Foto Destacada: Tânia Rego / Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil

Contribuição do MEI subirá para R$ 65,10 em fevereiro

 Valor segue salário mínimo de R$ 1.302, que valerá até maio


A manutenção do
salário mínimo em R$ 1.302 pelo menos até maio, anunciada hoje (18) pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, mudará o cálculo da contribuição de microempreendedores individuais (MEI) para a Previdência Social. O valor, que subiria para R$ 66 caso vigorasse o salário mínimo de R$ 1.320 estipulado pelo Orçamento, agora ficará em R$ 65,10.

O aumento, de 7,43%, segue o reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 1.212 no ano passado para R$ 1.302 este ano, conforme estipulado por medida provisória editada em dezembro pelo governo passado.

O reajuste valerá apenas para os boletos com vencimento a partir de 20 de fevereiro. A cota deste mês, que vence em 20 de janeiro, continuará a ser paga pelo valor antigo, de R$ 60,60.

Para os MEIs caminhoneiros, que contribuem mais para a Previdência Social, o valor passará de R$ 145,44 para R$ 156,24. Caso o salário mínimo passasse para R$ 1.320, o valor aumentaria para R$ 158,40.

Centrais sindicais

Após reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as centrais sindicais, Marinho afirmou que o salário mínimo não será reajustado para R$ 1.320 antes de maio. “Hoje é R$ 1.302 e, em maio, pode ser que haja alteração a partir do trabalho que vamos construir [em conjunto com as centrais sindicais]”, declarou o ministro.

Também no evento, o presidente Lula indicou que pretende retomar a política de reajuste que vigorou entre 2011 e 2019, com o salário mínimo subindo pela inflação do ano anterior mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos). Ainda não está claro se a variação do PIB considerará o crescimento de dois anos antes ou do ano imediatamente anterior.

Recolhimento

Profissionais autônomos com regime tributário e previdenciário simplificado, os microempreendedores individuais recolhem 5% do salário mínimo por mês para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os MEIs caminhoneiros contribuem com 12% do salário mínimo.

O restante da contribuição mensal varia conforme o ramo de atuação. Os trabalhadores que exercem atividades ligadas ao comércio e à indústria pagam R$ 1 a mais referente ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), administrado pelo estado onde moram. Os profissionais que executam serviços recolhem R$ 5 a mais de Imposto sobre Serviços (ISS), administrado pelo município onde habitam.

Ao contribuírem para o INSS, os microempreendedores individuais passam a ter direito à aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade, auxílio-reclusão e pensão por morte. Além disso, a Receita Federal fornece um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) aos MEIs, que podem emitir notas fiscais e obter crédito com condições especiais.

O boleto mensal do Documento de Arrecadação Simplificada do MEI (DAS-MEI) pode ser gerado no Portal do Empreendedor. As parcelas vencem no dia 20 de cada mês.

Foto Destacada: Foto: José Cruz / Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os cinco cargos mais procurados na área de marketing e comunicação









Mercado editorial e de bens de consumo ditam o ritmo das contratações no primeiro trimestre, segundo levantamento da Page Personnel
O Globo 
Publicado:
RIO - O aumento da disputa pela venda de livros e produtos de bens de consumo não-duráveis ditaram o ritmo das contratações no primeiro trimestre do ano. É o que mostra levantamento realizado pela Page Personnel, empresa do PageGroup encarregada do recrutamento especializado de profissionais técnicos e de suporte à gestão. A partir de sua base de dados, a consultoria identificou quais foram os profissionais mais procurados nos três primeiros meses do ano. Na lista, figuram cargos ligados ao mercado editorial e de vendas ao varejo. Confira abaixo as cinco profissões listadas e o perfil exigido pelas empresas na hora da contratação:

Editor de livros
Perfil: as empresas estão apostando em profissionais mais qualificados para melhorar a edição de seus produtos. Para isso, procuram pessoas com boa qualificação cultural, formação de primeira linha e profissionais dinâmicos que consigam se adaptar rapidamente a mudanças de cenário. Como muitos profissionais desse mercado atuam como freelancers e a competitividade entre as editoras é grande, a oferta de vagas fixas vem crescendo.
Salário médio: R$ 5 mil (pleno)
Aumento da demanda por esse profissional: 30%

Analista de marketing para editoras
Perfil: o mercado editorial aumentou a procura por profissionais capazes de melhorar a estratégia de divulgação de seus produtos. Procuram especialistas em campanhas de ponto de venda e que ajudem a sensibilizar o público-alvo na hora da compra. Outro ponto que as empresas buscam nestes profissionais é a capacidade de análise de mercado e concorrência para identificar a melhor estratégia de divulgação e posicionamento do produto. É fundamental que essas pessoas já tenham trabalhado com o consumidor final e, de preferência, em bens de consumo.
Salário médio: R$ 4,2 mil (pleno)
Aumento da demanda por esse profissional: 30%

Vendas off trade (bens de consumo)
Perfil: a indústria de bens de consumo duráveis e não-duráveis está buscando profissionais para aumentar as vendas dentro do varejo. Este profissional deve ter experiência no varejo ou distribuidores, com boa capacidade de negociação, analítica e de planejamento de vendas. É mandatório que seja uma pessoa comunicativa e de preferência com a experiência em atender o canal desejado pela empresa.
Salário médio: R$ 5 mil + comissão.
Aumento da demanda por esse profissional: 30%

Vendas on trade (bens de consumo)
Perfil: as empresas produtoras de bebidas aumentaram as buscas por profissionais especializados em vender para restaurantes, bares e casas noturnas. Para essa função, é necessário ter habilidade em negociação e relacionamento, planejamento de vendas, conhecimento em marketing e trade marketing para melhor posicionar os produtos nos clientes, além de uma boa carteira de clientes. Não basta ser vendedor. As habilidades de relacionamento são fundamentais e, dependendo do mercado — como uísque e vinhos —, é necessário inclusive que o profissional tenha uma formação técnica paralela que permita a ele sugerir harmonizações dos cardápios com as bebidas e drinques, por exemplo.
Salário médio: R$ 4 mil (pleno) + comissões
Aumento da demanda por esse profissional: 30%

Analista de reconhecimento
Perfil: empresas de venda porta-a-porta buscam cada vez mais melhorar a motivação de seus representantes. Para isso, estão buscando profissionais especializados em campanhas de incentivo de vendas. Este perfil deve ter boa capacidade analítica, criatividade, noção de marketing, experiência com desenvolvimento de ações e mensuração de resultados. Criam campanhas sazonais fixas além de outras esporádicas para incentivar uma venda maior por parte da equipe de vendas. Eles vinculam premiações como viagens, objetos, produtos com descontos, podendo chegar a um automóvel, dependendo da venda anual do profissional.
Salário médio: R$ 6 mil
Aumento da demanda por esse profissional: 15%

Fonte: Jornal O Globo

quinta-feira, 1 de março de 2012


Apresento o trabalho do módulo "Novos Paradigmas da Gestão de Negócios na Nova Economia", lecionado pela Professora Iracema Machado Aragão do curso de Pós-Graduação em Marketing da Universidade Federal de Sergipe. O trabalho foi redigido no mês de agosto de 2008.


A GESTÃO DA INOVAÇÃO E ESTRATÉGIA COMPETITIVA.

UMA FERRAMENTA IMPLANTADA PELA AMBEV PARA CONQUISTAR O PRIMEIRO LUGAR MUNDIAL DO MERCADO CERVEJEIRO
 
Carlos Fabrício Comunicólogo 

RESUMO:

A globalização impõe métodos de concorrência voláteis entre as empresas multinacionais. O processo de fusão ou compra entre as mesmas impõe novos paradigmas aos gestores das firmas. O presente trabalho faz uma abordagem histórica de como a AmBev, a maior empresa fruto do capitalismo brasileiro chegou a conquistar a primeira colocação mundial no ranking das indústrias de cervejas através da Inovação e Estratégia Competitiva.


PALAVRAS-CHAVES:

Globalização, Gestão, Marketing, Inovação e Estratégia Competitiva.
 

INTRODUÇÃO

Por um bom período o Brasil passou por uma forte recessão econômica. A dívida externa com o Fundo Monetário Internacional no início da década de 80 deixou de ser quitada e as empresas internacionais que investiam um grande volume de capital econômico se afugentaram do país. Nos anos 90 os governantes federais assumiram as dívidas internacionais, estabilizaram a tão temida inflação, criaram um ambiente financeiro estável aproximando investidores externos, reduziu as barreiras alfandegárias, realizou acordos multilaterais e bilaterais, etc. .

As transformações econômicas realizadas pelo Brasil na segunda metade dos anos 90 alteraram o cenário do mercado nacional. A partir daquele momento as ações da globalização por meio das empresas internacionais provocaram a inserção de novos produtos no mercado interno. As empresas brasileiras foram forçadas a inovar, agregando mais qualidade aos produtos e a buscando novos modelos de processos de fabricação. O objetivo era viabilizar o menor custo na fabricação final do produto, pois dessa forma ela poderia colocar um produto com qualidade e preço competitivo.

Nesse cenário de globalização as empresas líderes do mercado local passaram a ser assediadas pelas grandes multinacionais, às vezes por processos de fusões, outras pelo processo de compra. As duas maiores fabricantes de cervejas do Brasil, Brahma e Antarctica, no ano de 1999 se sentiram ameaçadas pelas multinacionais e partiram para um plano estratégico de fusão. Nesse momento surge a maior empresa produzida pelo capitalismo brasileiro, a AmBev.

O objetivo do trabalho é apresentar empiricamente os principais tópicos da aplicação da ferramenta Inovação e Estratégia Competitiva pela gestão da multinacional brasileira. A análise passará pela fusão ocorrida no ano de 2002 entre a AmBev e o grupo belga Interbrew, originando a InBev, e posteriormente, a forte ação competitiva do grupo belga-brasileiro que resultou na compra do símbolo do capitalismo americano, a cervejaria Anheuser-Brusch.


ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA BRASILEIRA

No passado, exatamente nos anos 80, a economia brasileira passava por um caudilho de situações nada agradáveis para o desenvolvimento dos mais variados segmentos da indústria e do mercado. Os empresários sofriam com a economia estagnada, não conseguindo unir investimentos privados e públicos para fomentar a engrenagem do crescimento. Os governos federais a partir dos anos 70 e principalmente os dos anos 80 constituíram dívidas externas junto ao Fundo Monetário Internacional a juros baixo, mas a instabilidade econômica afetou as contas dos governantes e por algum tempo deixou de honrar seus compromissos com os banqueiros americanos.

A forte recessão ocorrida no mercado americano, no final dos anos 70, elevou bruscamente o percentual dos juros da dívida externa brasileira, desestabilizando o investimento interno e afugentando os investidores vitais para impulsionar o crescimento. Diga-se de passagem, ao final da década de 60 e os primeiros anos da década de 70 o Brasil cresceu em um ritmo acelerado e nunca visto até os dias atuais. Para se ter uma idéia o Produto Interno Bruto chegou aos dois dígitos, 10%. Os cientistas econômicos apontam como fator preponderante para o aumento da dívida externa a crise do petróleo, originada no ano de 1973 levando a estagnação do crescimento brasileiro nos anos 80. A escolha dos juros flutuantes pela política econômica, inclusive a do Brasil, levou diversos países da América Latina a entrar em um forte processo de recessão e alguns chegando até a quebrar, como o caso do México no ano de 1982.

No início dos anos 90, ainda em fase de aperfeiçoamento do processo democrático instituído no final da segunda metade dos anos 80, o Brasil assumiu de fato a dívida externa e começou a pagar o compromisso firmado por governos anteriores. Não que os anos 90 foram de bonança para os governantes, os empresários e a sociedade. Muito pelo contrário, a explosão do aumento da dívida externa ocorreu com maior força no ano de 1999, chegando a mais de 190 bilhões de dólares. Foi um momento de desestabilização. Os preços dos produtos ofertados à sociedade entre os anos 80 e 90 eram remarcados todos os dias. Entretanto, pelo menos a inflação no ano de 1999 estava controlada, favorecendo a ruptura mercadológica para um novo cenário de crescimento planejado e expansão externa.

O início da competitividade no mercado brasileiro originou-se no ano de 1990, no governo de Fernando Collor de Melo. “O mérito da equipe de Collor, tardiamente reconhecido, foi de ter iniciado a abertura da economia brasileira, obrigando a indústria nacional a competir, pela primeira vez de verdade, com os concorrentes estrangeiros” (Revista Veja, nº 2077, setembro de 2008). A aproximação do Brasil em acordos bilaterais e multilaterais como, por exemplo, a participação do desenvolvimento do Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL), a relação de envolvimento e composição da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e a aproximação do MERCOSUL da União Européia contribuiu para o aperfeiçoamento dos produtos internos e também para o surgimento e desenvolvimento de novas empresas ligadas às diversas áreas.

O governo de Fernando Henrique Cardoso detém o reconhecimento por dar continuidade ao processo de abertura, lançar o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, estabilizar monetariamente o Brasil e implantar o processo de privatizações das estatais. Nesse cenário surgiram a Vale do Rio Doce e as empresas de telefonias nacionais e estrangeiras, elas melhoraram a área das telecomunicações, ampliaram a oferta e contribuindo à prática da competição interna. Os consumidores têm preços de tarifas baixas, aparelhos e sistemas com tecnologia de ponta. As multinacionais investiram um grande capital econômico no Brasil com o objetivo de ampliar os seus negócios, ganhar fatia do mercado e praticarem a competitividade no mercado brasileiro.
 

O SURGIMENTO DA GIGANTE AMBEV

O mercado cervejeiro brasileiro mantém uma forte história de relacionamento com o desenvolvimento econômico do Brasil. A primeira empresa surgiu no ano de 1885, com a fundação da Companhia Antarctica Paulista, e posteriormente a cervejaria Brahma, registrada no mercado pelo suíço Joseph Villiger na capital do Rio de Janeiro, no ano de 1888. A antiga cervejaria Brahma detém a marca nacional de fabricar a primeira cerveja no país, a Boehmia, no ano de 1853.

A história centenária das duas empresas ganhou uma nova direção no ano de 1999 através das práticas impostas pela internacionalização dos mercados mundiais. Devido ao posicionamento multilateral e bilateral do Brasil o mercado local abriu suas portas à globalização: parcerias, fusões e compras de empresas. As chegadas das indústrias internacionais no país contribuíram à elevação da capacidade tecnológica, grande produtividade e forte poder de inovação nos produtos e serviços. Nesse cenário surgem no mercado novas empresas dispondo de produtos das mais variadas marcas mundiais beneficiando a competição interna e posteriormente, a mudança de postura das empresas locais. Elas tiveram que se reinventar administrativamente, a competição acirrada obrigou-as a desenvolver produtos com mais capacidade qualitativa, repensar e aplicar os novos métodos de processos e fabricação em larga escala focando um menor custo para o mercado.

A abertura do mercado nacional para novas cervejarias mundiais a exemplo da holandesa Heineken e Anheuser-Busch dos Estados Unidos ameaçava expandir suas operações e automaticamente preocupar as gigantes cervejarias brasileiras. A reportagem do website http//veja.abril.com.br/070799/p_128.html, exemplifica de forma clara e objetiva o início da competição do mercado cervejeiro. Naquele momento, a líder mundial americana fabricante da cerveja Budweiser, a Anheuser-Busch, assumira um acordo iniciado no ano de 1995 com a cervejaria Antarctica, sendo que objetivo era fazer a fusão entre as duas empresas. Os diretores das cervejarias Brahma e Antarctica realizavam encontros constantes para discutir os negócios no mercado brasileiro e fatos econômicos mundiais. Independente de serem concorrentes locais existia uma relação muito próxima, uma relação mais íntima. Em uma das conversas os dois decidiram fazer a fusão e constituir a maior empresa capitalista do Brasil, a AmBev – Companhia de Bebidas das Américas. A negociação da Antarctica com a Anheuser-Busch estava sob análise do CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica, no período de 1995 a maio de 1998, esperando somente a aprovação do órgão regulador para concretizar a fusão. A cervejaria Antarctica rompeu o acordo com os americanos e firmou o processo de fusão entre as duas cervejarias nacionais no dia 1º de julho de 1999 e a homologação do CADE se concretizou no dia 30 de março 2000.

O nome escolhido para a nova companhia seguiu a tendência der ser gigante mundialmente desde o seu nascimento: um nome globalizado entre as Américas, uma cervejaria para o mercado das Américas. Concebida, pré-destinada para conquistar os mercados Americanos. No ano de 1998 o faturamento das duas cervejarias foi de 10,3 bilhões de reais. No Brasil a AmBev transformou-se no maior grupo privado dominando mais de 70% do mercado nacional e passou a ocupar a terceira posição no mercado mundial cervejeiro. Caso inclua os refrigerantes no seu mix de produtos ela é a quinta maior fábrica de bebidas do mundo.

As operações mercadológicas proporcionadas pela ALCA fortaleceram o crescimento dos principais setores da economia. Muitas empresas entreveram as inúmeras oportunidades benéficas com o processo de fusões entre empresas. Uma delas foi a implantação das novas metodologias científicas na área de gestão. A AmBev é o modelo perfeito para analisar os paradigmas encontrados pela gestão dos negócios. A cervejaria das Américas é exemplo do capitalismo brasileiro no mundo globalizado.
 

GLOBALIZAÇÃO: UM MUNDO DE CONQUISTAS

Muitos países ainda são contra o processo de liberação do mercado, a tão chamada globalização. Outros são a favor e acreditam nos seus objetivos para alcançar o sucesso mundial. O país que visa o crescimento econômico e alcança melhorias para sua nação, consegue detectar oportunidades ligadas intrinsecamente à globalização, como o Brasil. Os que não vivem estão no atraso e sem perspectiva de evolução, comprometendo as futuras gerações nos próximos 20 anos ou mais. Mas uma coisa é certa: no mundo globalizado ou o país faz parte ou ele não existe para o mundo econômico.

A globalização dos mercados mundiais implanta métodos de concorrência entre as marcas líderes do mercado interno, não mais local, e sim global. Vivemos em um mercado onde os produtos internos competem com os globais. As empresas mundiais aplicam métodos de competição para ganhar expansão mercadológica. Na ambição por dominar o mercado elas compram empresas de médio ou grande porte local, como as líderes de mercado, ou implantam o modelo de fusão para conquistar uma maior fatia do mercado, ampliar a logística de distribuição dos seus produtos, etc.. Na maioria das negociações as empresas locais de médio porte tornam-se pequenas no mercado local.

Para ilustrar o cenário aquisitivo entre instituições no mercado brasileiro o site http://veja.abril.com.br/070799/p_136.html, cita a ação do grupo financeiro inglês, o HSBC, ao implantar de forma arrojada a compra do banco brasileiro Bamerindus, ocorrida no ano de 1997. Naquela ocasião o grupo inglês já estava operando em 79 países espalhados pelos continentes e registrava a marca de 130.000 mil funcionários.

A matéria jornalística do site Veja reforça a preocupação dos cientistas econômicos em fundamentar estudos empíricos ligados diretamente à globalização. O cenário não era tão claro e ainda não é. Se olharmos desde o processo de crescimento brasileiro até a liberação do mercado nacional, mais ou menos em 30 anos, o ambiente empresarial foi alterado bruscamente: no primeiro momento as empresas eram voltadas totalmente para a produção, no segundo momento o foco era ligado para o mercado e no terceiro momento as empresas visavam o consumo. Não que o assunto já esteja resolvido na contemporaneidade. Muitos livros da área administrativa continuam a ser lançados, eles indicam estudos científicos da nova tendência de gestão: os consumidores, as pessoas.

A matéria do referido site predisse o cenário de aquisição e fusão no mundo globalizado, “... essas empresas globais que já assustam com seu tamanho atual, tendem a se tornar ainda maiores, comprando empresas concorrentes ou fundindo-se com elas. O espetáculo é visível e deve intensificar-se nos próximos anos” (http://veja.abril.com.br/070799/p_136.html,). No ano de 1999 o mundo intensificava suas ações para a dominação de mercados, como exatamente a Budweiser tentou realizar, a fusão entre a cervejaria brasileira Antarctica, como já citado no capítulo anterior. De fato o mercado brasileiro ainda é altamente atraente em diversos seguimentos, inclusive o cervejeiro que passa por constantes disputas mercadológicas.

Recentemente, o grupo mexicano Femsa Cerveceria, um dos principais concorrentes do grupo AmBev, comprou a cervejaria Kaiser de um grupo brasileiro. Vale destacar que a Femsa detém 68% das ações, 15% do grupo canadense Molson e 17% da holandesa Heineken. A marca Kaiser é operacionalizada no Brasil por três grupos: mexicano, americano e europeu representando muito bem o cenário do capitalismo globalizado embasado pela citação do site Veja.

Focando a AmBev como exemplo do mercado capitalista brasileiro, a sua fusão contribuiu para o fortalecimento da indústria cervejeira nacional. No momento da negociata, a sociedade, os estudiosos e os concorrentes: os grupos Schincariol e Kaiser. A Schincariol afirmou que estava preparada para a concorrência e a Kaiser entrou com representação no CADE alegando que a AmBev dominaria o mercado cervejeiro nacional, ela possuíra mais de 70% de participação, enquanto as concorrentes nacionais e internacionais dividiriam os outros 30%. Não foi o que aconteceu no mercado! Os consumidores finais foram os que mais saíram ganhando com a forte disputa, os preços despencavam e as grandes indústrias, como a AmBev, tinham um maior volume de produção, e por isso praticavam preços mais justos para o consumidor.

O argumento construído pela Kaiser estava totalmente equivocado. Os diretores olhavam somente a disputa no mercado interno nacional, não tinham a leitura completa das ações das empresas transacionais e a AmBev olhava primeiramente para os mercados Americanos, como o dos EUA e os países da América do Sul. A meta da compania era ganhar o mundo. A aquisição da Kaiser no ano de 2006 pelo o grupo mexicano Femsa comprova que a antiga administração da Kaiser estava errada em querer olhar somente para uma concorrência interna, sem ao menos perceber que estava sendo ofuscada pelos mercados interno e externo, perdendo participação nos principais centros brasileiros e por isso, acabou sendo engolida pela ação da empresa globalizada Femsa.

O Brasil vive um clima eufórico com a globalização: é notável o aumento da arrecadação de impostos. Somente a AmBev no ano de 2007, firmou-se entre as dez empresas que mais pagam imposto no país, foi mais de R$ 10 bilhões. Ela atende a quase um milhão de ponto-de-vendas somente no Brasil. Suas operações globalizadas estão presentes em 22 países nas Américas. Mais a frente será discutido o processo de gestão da AmBev no Brasil. O objetivo é identificar uma das principais ferramentas utilizadas para superar os paradigmas econômicos impostos pelo processo contínuo do mercado globalizado.

Não é só a AmBev que faz esse clima eufórico, a edição 2044 da revista semanal Veja, datada no dia 23 de janeiro 2008, traz a reportagem “A Supereconomia”: ela descreve um medidor de crescimento do Brasil, os números dos empreendedores milionários não param de crescer, a consultoria internacional Boston Group apresentou os resultados do ano de 2007. O Brasil atingiu a marca de 190.000 mil pessoas com aplicações financeiras superior a um milhão de dólares, ou mais. Se no passado, exatamente no ano de 2002, o país tinha números em torno dos 75.000 milionários, de lá para cá o número total cresceu mais de 150%. Somente no ano de 2007 foram 60.000 a alcançar a marca. Os dados demonstram a capacidade do Brasil de gerar emprego e riqueza, a economia passa por um processo de amadurecimento que aponta ótimos indicadores econômicos: no ano de 2007 foram criados 1,6 milhões de empregos com carteira assinada; a taxa de crescimento alcançou 5% ao ano e as vendas do comércio cresceram 10% em 2007.

A globalização dos mercados contribui para o desenvolvimento do Brasil. Os números relacionados em qualquer operação são bilionários. Também tem a implantação de novas tecnologias no mercado local onde acelera o processo de inovação. E para inovar, as empresas necessitam do conhecimento humano. O país precisa elevar os investimentos em políticas públicas, como as educacionais. A globalização abre as portas para o emprego interno, ajuda no processo de desenvolvimento intelectual e sócio-cultural da população, torna as empresas do país mais competitivas e fazem os empreendedores acreditarem que a globalização oferece um mundo de conquistas.
 

AMBEV: A CONQUISTA É O MUNDO

No ano de 2004, a AmBev anunciou mais um passo para alcançar a vice-liderança mundial do mercado cervejeiro. Após conquistar os mercados Americanos, a cervejaria brasileira passou a olhar para o outro lado do continente: o mercado europeu e asiático. Segundo o jornal digital Gazeta Mercantil, por meio da matéria publicada no site http://indexet.gazetamercantil.com.br/arquivo/2004/03/03/484/AmBev-confirma-fusao-com-Interbrew.html confirmava a criação da nova multinacional belga-brasileira. No mês de março de 2004 a cervejaria belga Interbrew anunciou que iria assumir o controle das operações da AmBev. As operações da multinacional eram realizadas em 21 países, englobando a propriedade de mais de 200 marcas de cervejas e as condições necessárias para os gestores da AmBev Brasil penetrar o mix de produtos de uma só vez nos três mercados: Norte-Americano, Europeu e Asiático.

Naquele momento nascia a nova compania multinacional belga-brasileira InBev, tornando-se vice-líder do mercado mundial, movimentando o total de 22 bilhões de dólares. A estratégia competitiva dos gestores das cervejarias Brahma e Antarctica era competir em outros mercados, visando penetrar o seu mix de produtos em mais dois continentes. Eles chamaram o nome da fusão de “aliança global”. A AmBev dominava os mercados da América do Sul, mantinha um bom posicionamento no Caribe e a cervejaria Belga era bastante forte no mercado europeu, no Canadá e no México. As duas empresas fundidas produziram cerca de 185 milhões de hectolitros, nos quais 105 milhões ficaram por conta da AmBev e 80 milhões de hectolitros ficará por conta da Interbrew. O site http://noticias.uol.com.br/inter/reuters/2004/03/03/ult27u40965.jhtm publicou um dado bastante interessante: a negociação foi mantida por meio de troca de ações e após ser concluída a Interbrew terá 84,9% do capital votante da AmBev e 57,5% do capital total da Interbrew/AmBev. No acordo ficou decidido que as operações realizadas nos países latino-americanos ficará por conta da AmBev e os mercados europeus e asiáticos por conta da Interbrew.
 

INBEV: A CONQUISTA É O PRIMEIRO LUGAR NO MUNDO

A AmBev utilizou muito bem as estratégias para alcançar o sucesso nas Américas. Ao constituir o maior grupo privado do país no ano de 1999 e ocupar a terceira posição mundial entre os fabricantes de cervejas, o grupo deu mais um passo à fusão com a compania cervejeira belga Interbrew, visando ampliar a penetração das cervejas e bebidas mundiais brasileiras no continente europeu e asiático. Após as trocas de ações entre o grupo Belga e a AmBev nasce a InBev ocupando a  segunda colocação mundial do mercado cervejeiro.

A partir de agora a análise do grupo AmBev focará exclusivamente o formato de gestão competitiva, incorporada desde a primeira fusão. Será necessário cruzar informações publicadas por periódico semanal, reportagens dos sites jornalísticos especializados em economia e justificar os posicionamentos estratégicos de acordo com os métodos de estudos empíricos. A síntese do estudo referente ao processo competitivo imposto pela gestão da AmBev mostrará de forma contundente como o grupo belgo-brasileiro InBev, presidido pelo diretor Carlos Brito e os principais acionistas individuais do grupo, Marcel Telles, Carlos Alberto Sucupira e Jorge Paulo Lemann “todos ex-Brahma” chegaram ao topo da liderança mundial.

A possibilidade em aprofundar os estudos científicos direcionados aos novos modelos de gestões e como é superado os paradigmas encontrados pela AmBev no Brasil e nas Américas, e InBev nos mercados europeus e asiático são inúmeras. Poderia descrever como as empresas juntas podem desencadear novos processos produtivos através da aglomeração local e cadeia de valor. Poderia descrever como a tecnologia da informação foi incorporada ao processo de gestão, ou comentar sobre o método empreendedor do presidente do grupo InBev e seus principais acionista. Mas se existe um passo importante para a empresa sobreviver em um mercado globalizado é como ela se organiza estrategicamente para conquistar mercados. As principais companhias mundiais de um setor específico ou não, buscam fazer fusões e conseqüentemente ameaçar o mercado interno, e é através da estratégia competitiva que algumas alcançarão o contínuo crescimento mundial em um mercado altamente volátil.
 

INOVAÇÃO E ESTRATÉGIA COMPETITIVA

No dicionário Aurélio a palavra competir tem seis derivações, a segunda representa o universo da competitividade encarada pelos executivos da AmBev: disputar a vitória em partida, concurso, torneio, etc. A partir do momento que a empresa entra no mercado para disputar fatia dele a palavra competir está ligada intrinsecamente com os seus concorrentes e a instabilidade do mercado. Nesse caso, é necessário aplicar estratégias bem definidas para alcançar os objetivos. Existem diversos estudos sobre estratégia competitiva, mas a citação que pode orientar para a organização de um plano estratégico é a seguinte: “As estratégias são fundamentadas na avaliação das ameaças e oportunidades externas e da capacidade interna da firma responder a esses desafios e influenciar o ambiente externo” (Bastos, 2006;165).

Ao relatar o processo de fusão entre as duas companhias brasileira no ano de 1999 a revista digital http://veja.abril.com.br/070799/p_128.html exemplifica por meio da matéria jornalística econômica a ciência de Bastos citada acima. A Brahma não conseguia expandir suas operações e aguardava seu processo de fusão com a terceira maior cervejaria mundial, Miller Brewing Company (1995 a maio 1998), a cervejaria Antarctica também aguardava há dois anos o processo com a americana Anheuser-Busch, a primeira do mundo e dona da marca Budweiser.  O tramite dos processos estavam em avaliação no órgão de defesa do consumidor brasileiro, o CADE, dando tempo às duas companhias brasileiras reverem a estratégia avaliada na ameaça de mercado. A Brahma realizou uma pesquisa e diagnosticou que a Antarctica poderia perder 8% do mercado nacional, suas ações na bolsa de valores estava estática há um bom tempo, ela passava também pelo processo de fusão com a Anheuser-Busch e deduziu claramente que a cervejaria Antarctica poderia ser engolida pela era da globalização, pelo processo de fusão ou compra.

A resposta para o ataque teve que ser rápido e imediato. A Brahma não levou a frente a fusão, a Antarctica rompeu com a fabricante da Budwiser e naquele encontro rotineiro entre os diretores brasileiros surgiu a maior empresa nacional de capital privado, a AmBev, sendo a terceira companhia mundial cervejeira. No momento da reunião, Teles diretor da Brahma e De Marchi diretor da Antarctica, tiveram a capacidade de vislumbrar a oportunidade do mercado externo para a nova companhia e também a capacidade interna de frear o avanço das multinacionais no mercado brasileiro. Afinal, a cervejaria nacional detinha 70% do mercado, 50 fábricas no território nacional, ocupou a condição de ser a terceira maior cervejaria do mundo e incluindo os demais produtos do seu mix, como por exemplo o refrigerante, chegou a quinta colocação no segmento mundial de bebidas. A AmBev primeira empresa nascida no capitalismo brasileiro mostrou claramente uma forte capacidade interna de responder aos ataques das empresas mundiais, também manteve a condição de frear as ações de marketing das multinacionais, preservando as outras companhias de bebidas nacionais, como a Kaiser e a Schincariol. Sem contar o desafio de conquistar as Américas!

Uma coisa é certa, a AmBev comprovou a capacidade de influenciar o ambiente externo. A matéria cita que a Brahma já era dona de 12% dos mercados argentino e venezuelano, e a fusão realizada com a Antarctica daria as duas cervejarias nacionais porte industrial necessário para enfrentar a competição naqueles mercados, onde as cervejarias locais mantinham 80% de participação mercadológica. A meta da AmBev era conquistar a América do Sul deferindo assim, uma forte disputa pelos mercados.

Bastos (2006) apontou quatro conceitos da estratégia competitiva, mas elucubraremos apenas um para reforça o último parágrafo acima. Como a AmBev mantinha 70% do mercado local, 50 fábricas no Brasil e participação em outros países da América do Sul e começara a partir à competição nos mercados sul-americanos. A ação de competição imposta pela AmBev se relaciona diretamente com todos os quatros conceitos, mas o primeiro conceito que o autor citou a estratégia baseada estrutura-conduta-desempenho desenvolvida por Poter (1980) é o foco principal. A gigante brasileira, a terceira companhia mundial de cerveja seguiu a risca tal estratégia e a maior preocupação é o setor onde a industria está inserida. Antes era local, passou para regional, foi indo até chegar a nacional e atualmente, mercados internacionais sendo voláteis, a preocupação do setor industrial cervejeiro passou a ser mundial.

O autor descreveu as cinco forças competitivas que influência diretamente no ambiente, o setor da indústria cervejeira: a força dos recursos financeiros da AmBev e tamanha participação no mercado brasileiro podem controlar qualquer ameaça das multinacionais, barreira de entrada. Se as duas fusões das empresas brasileiras acontecessem com as duas líderes do mercado mundial poderia acontecer a substituição dos produtos, ou seja, as cervejas Brahma e Antarctica poderia perder espaço para a Miller e Budwiser, a AmBev conseguiu bloquear a força competitiva, ameaça de substituição. A atual página da internet da empresa brasileira http://www.ambev.com.br/val_01b.htm, apresenta atualmente um conjunto de sete mil fornecedores de bens e serviços necessários para empresar funcionar e na etapa de aquisição de insumos, trabalha com diversos setores da economia; agrícola, energético, celulose, alumínio, químico, vidro, público além de favorecer os produtores da região do baixo Amazonas. Tamanho vigor pode exemplificar a terceira força competitiva, o poder de barganha de fornecedores. Referente à quarta força, o poder de barganha junto aos clientes, os números são impressionantes, a AmBev mantém milhares de distribuidores espalhados no país e para prospectar novos consumidores a concorrência é diretamente no ponto-de-venda visando penetrar as marcas do seu mix em diversas classes sociais por meio de ações de marketing. O objetivo é ganhar volume de venda e fornecer produtos com preços competitivos. A última força competitiva, a quinta, a rivalidade entre os competidores, não na esfera local, quer dizer no Brasil, mas na esfera internacional. A ação imposta pela AmBev no mercado sul-americano para conquistar fatia de mercado das empresas líderes em seus países mostra a força competitiva rivalidade entre os competidores existentes.

A finalidade da exemplificação comparativa das ações estratégicas da AmBev ligadas intrinsecamente com as teorias apresentadas pelo autor é somente para esclarecer as forças e fraquezas dos ambientes externos e internos e como eles influenciam na dinâmica da gestão. Mas como será a gestão interna da AmBev? Lembra quando foi apontada a ciência de Poter (1986) logo acima, foi apontado somente o primeiro conceito de um total de quatro da estratégia competitiva. As últimas duas capacitações a dinâmica e baseado em recurso são relevantes. Vale mais a pena, ir direto ao fato: Bastos (2006) ensina que o ambiente interno da firma está relacionado com a capacitação “conhecimentos tácitos” e os recursos “disponíveis”. Ele faz a reflexão que as estratégias competitivas só são possíveis quando o gestor consegue articular o dois ambiente, interno e externo enfatizando o acesso ao conhecimento. Demonstra claramente que as estratégias tecnológicas surgem da estratégia competitiva e aplicar teoricamente no mercado é muito importante para o sucesso das operações.
 

ESTRATÉGIA OFENSIVA: A DERROTA DO CAPITALISMO AMERICANO

Nos anos 90 muitos brasileiros criticavam a globalização dos mercados. Achavam que os produtos brasileiros perderiam espaço e como conseqüência das perdas mercadológicas as indústrias fariam demissões em massa. Porém, Temos que entender que por muitas vezes a empresa busca melhorar o processo de gestão e faz da demissão uma opção em prol do equilíbrio das operações financeiras.

A AmBev após executar a fusão com o grupo belga da Interbrew passou a ser dirigida pelo novo grupo InBev. Começou a distribuir as principais marcas de cervejas e bebidas brasileiras na América do Norte, Europa e Ásia. A InBev como citado antes, passou a ocupar a segunda posição mundial no mercado cervejeiro, mas a meta dos gestores era alcançar o primeiro lugar. O mercado globalizado não esperava pela estratégia ousada do presidente do grupo belgo-brasileiro Carlos Brito e dos principais acionistas individuais do grupo InBev: Marcel Telles, Carlos Alberto Sucupira e Jorge Lemann “todos ex-Brahma”.

A revista brasileira semanal Veja, edição 2070, de 23 de julho de 2008, direcionou a pesquisa científica ao mais próximo possível do modelo de gestão do grupo InBev baseado na estratégia ofensiva. A reportagem confirmou o modelo agressivo competitivo praticado pelo grupo belga-brasileiro visando conquistar o primeiro lugar mundial. A oferta de 52 bilhões de dólares para a compra da Anheuser-Busch, uma cervejaria americana, com mais de 150 anos de existência, indústria que é exemplo do capitalismo americano. A oferta da InBev praticado pelos gestores brasileiros balançaram o cenário globalizado mundial. A fabricante da Budweiser se rendeu ao capitalismo brasileiro.

Mediante aos fatos apresentados pela revista semanal, a ação da InBev pode ser caracterizado, empiricamente, como Estratégia Ofensiva. Segundo (Bastos 2006) as maiores empresas do mercado adotam na prática tal estratégia com o objetivo de conquistar liderança tecnológica no setor industrial cervejeiro. A InBev aplica o modelo de gestão praticado pelos gestores brasileiros da antiga Brahma.

Desde criação da InBev os brasileiros eram maioria no conselho da firam, no total de doze conselheiros, sete são brasileiros. E mais, outros 130 brasileiros estão nos quadros de diretores da InBev espalhados por todos os continentes. O autor frisa o seguinte: se as firmas buscam implantar a estratégia ofensiva, os gestores devem estar preparados para executarem investimentos em longo prazo e assumir riscos. A reportagem semanal retrata a nova gigante do mercado cervejeiro mundial: a Anheuser-Busch InBev que detém o faturamento de 37 bilhões de dólares ao ano, 46 bilhões de litros vendido anualmente, o valor de mercado é de 114 bilhões de dólares e o presidente da firma é Carlos Brito, ex-Brahma. Os gestores brasileiros ficaram a frente do negócio e afirmaram que nos próximos cinco anos o grupo não poderá pensar em aquisição, pois estarão empenhados no trabalho para pagar o gigantesco empréstimo tomado junto aos bancos. Essa passagem exemplifica obviamente os ricos citados por Bastos pelas empresas que optam por implantar a estratégia ofensiva.

Cientificamente, Bastos (2006) cita as seis estratégias tecnológicas de Freeman (1997) onde as empresas têm como possibilidades de incorporar na inovação e estratégia competitiva. Não serão descritas todas, mas as mais abordadas na gestão do grupo InBev e que direcionaram a compra da empresa cervejeira símbolo do capitalismo americano. A escolha da estratégia pelo conselho deliberativo e diretores da ImBev determinou no momento correto a negociação com a fabricante da Budwiser e utilizou o conhecimento “tácito” da área econômica e industrial cervejeira. A empresa visa aplicar o modelo de gestão brasileiro para reorganizar a estrutura organizacional das novas fábricas no mercado americano, investir recursos financeiros para ter maior capacidade competitiva e poder obter o retorno do investimento financeiro a médio e longo prazo.

Os americanos acostumados a praticar os métodos capitalistas no mercado globalizado não suportaram o duro golpe da ação estratégica competitiva brasileira. A revista semanal citada, afirma que os políticos e sindicalistas americanos mostraram a sua insatisfação elevando o tom de voz contra a operação belgo-brasileira. Infelizmente eles esqueceram a quantidade de vezes que aplicaram os mesmo métodos competitivos em países em desenvolvimento. O candidato à presidência dos EUA, Barack Obama, saiu em defesa da compania americana, afirmando que seria uma vergonha ver os estrangeiros serem donos da Bud. Também existiu a ação de bloqueio por métodos tecnológicos, isto é, websites desenvolvidos para tentar barrar as operações da InBev. Os americanos eram convidados a deixar mensagens de incentivo contra a venda da Bud à InBev.

Dando maior amplitude aos métodos da estratégia ofensiva à matéria publicada no site http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2004/3/9/noticia.109599/, no ano de 2004, que relata a competição entre as duas maiores companias mundiais. A fusão que originou a InBev deixou a companhia na primeira posição mundial, ultrapassando, naquele momento, Anheuser-Busch. Em um segundo momento, no primeiro trimestre do ano corrente, o site http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/02/06/sabmiller_desbanca_inbev_da_lideranca_1180324.html, informou a perda de liderança da InBev. A cervejaria inglesa SABMiller conquistou um forte crescimento no mercado chinês e adquiriu a cervejaria holandesa Grolsch alcançando a primeira posição mundial entre as cervejarias. A fabricante americana da Budweiser despencou para a quarta posição no ranking mundial, já o terceiro lugar passou a ser ocupado pela Heineken. A busca contínua pela liderança do ranking das firmas multinacionais cervejeiras comprova a prática da ciência administrativa entre as gestões das empresas. A oscilação pela liderança aponta que as empresas não adotam somente um modelo das estratégias citado por Bastos (2006), elas executam a ciência de forma a manterem um melhor posicionamento conforme a mudança no mercado.

Os conhecimentos tácitos apontados pelo autor citado acima fazem parte do sucesso do plano administrativo das firmas. A InBev retornou ao topo do ranking mundial das cervejarias, mas existe uma disputa acirrada pelo processo de pesquisa e desenvolvimento para suprir o recuo da demanda cervejeira imposta pela Lei Seca que pune o condutor de veículo quando este apresenta teor alcoólico acima do limite permitido. O site de noticiais http://www.bemparana.com.br/index.php?n=79033&t=empresas-disputam-o-1-chope-sem-alcool, ilustra a corrida na disputa de mercado pelo aparecimento da nova demanda de consumidores. A ciência de Bastos (2006) traduz empiricamente a disputa entre as duas multinacionais: ao lançar um novo produto no mercado, o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento é altíssimo e contínuo, se estende até o pós-lançamento, como no caso da cerveja sem álcool Liber fabricada pela AmBev no ano de 2004. Ao lançar a versão em chopp, é natural que sejam desenvolvidas ações em marketing para aproximar o produto aperfeiçoado da nova demanda dos consumidores. Esse estudo de caso, fomenta o quanto é importante a articulação contínua da estratégia tecnológica e competitiva.
 

CONCLUSÃO

O processo de competição globalizada imposta pelas multinacionais impõe comportamento, pensamento lógico, rápido e eficaz por parte dos gestores do mercado interno ou mundial. O estudo de caso AmBev demonstrou como é possível sair da condição de ameaçados e chegar ao topo do ranking mundial dos fabricantes de cervejas aplicando os fundamentos da ciência administrativa, como a exemplo da Estratégia Ofensiva.

A apresentação dos processos de fusões realizada pela empresa AmBev desde 1999 até a contemporaneidade, proporcionou o estudo empírico do paradigma: Inovação e Estratégia Competitiva, demonstrando a capacidade interna de a empresa responder às flutuações do ambiente externo, como por exemplo, a dificuldade para barrar as ações das multinacionais no mercado brasileiro e aproveitar as oportunidades como a compra da cervejaria símbolo do capitalismo americano. Tais fatos demonstram que a cultura agressiva competitiva do presidente da Inbev e dos principais acionistas, todos ex-diretores da cervejaria Brahma, torna-se tanto um elemento do recurso estratégico, como também um conhecimento tácito do mercado cervejeiro mundial que ajuda a manter a liderança em mercados locais.
 

BIBLIOGRAFIA

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Revista Veja, nº 2070. São Paulo: Editora Abril, 23 de julho de 2008.

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